Ortorexia, a obsessão pela comida saudável – A mente é maravilhosa

Ortorexia, a obsessão pela comida saudável

novembro 24, 2017 em Psicologia 12 Compartilhados
Ortorexia

Comer alimentos com baixo teor de gordura saturada, colesterol, sal ou açúcar é uma das recomendações médicas mais frequentes. No entanto, a obsessão por cada miligrama dos alimentos que levamos à boca, conhecida como ortorexia, além de ser um hábito insano, pode esconder algum transtorno de base psíquica.

O mais difícil nesses casos obsessivos é a identificação dos sintomas. As pessoas portadoras costumam ter uma aparência saudável, por isso é tão difícil determinar quando elas ultrapassam a linha que separa o hábito bom daquele prejudicial. Então a pergunta é Qual é a linha de separação?

O que é uma dieta saudável?

Comer alimentos saudáveis consiste em ter uma nutrição completa, variada e equilibrada. Não existe nenhum alimento que contenha todos os nutrientes de que o corpo necessita, por isso é tão importante incluir nos pratos os diferentes grupos de alimentos (frutas, verduras, cereais, carne, etc.). Todos eles são imprescindíveis e devem ser digeridos nas quantidades necessárias para o corpo.

Por isso é tão saudável variar a dieta habitual e procurar incluir todos os tipos de alimentos. Só assim conseguimos proporcionar ao corpo a energia necessária para o dia a dia e manter o seu funcionamento ótimo.

Como comer comida saudável pode se tornar um hábito nocivo?

Todo hábito levado ao extremo pode ser prejudicial. Nesse caso, apesar de, a priori, comer de forma saudável ser um comportamento psicologicamente sadio, se a pessoa viver em função disso, consequentemente, vai virar uma obsessão. A patologia associada a esta conduta é conhecida como ortorexia. Definida no ano 2000, no entanto, para muita gente ela continua sendo desconhecida.

Esse transtorno de conduta se caracteriza pelo desenvolvimento de hábitos de alimentação extremamente rígidos, baseados no controle dos componentes nutricionais dos alimentos e na demonização de certas comidas.
As pessoas que padecem de ortorexia somente ingerem produtos procedentes de agricultura ecológica, ou seja, livre de produtos transgênicos, substâncias químicas, pesticidas ou herbicidas. Portanto, seus pratos estão exclusivamente compostos por alimentos naturais, sem conservantes ou açúcar, e livres de qualquer tipo de gordura.

Só para ter uma ideia, os ortoréxicos sentem rejeição ao ingerir uma fatia de presunto cru, pelo simples fato de ver a parte branca da gordura. Eles também se negam a tomar suco de tomate se sabem que os tomates utilizados não são de procedência orgânica.

Apesar da Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda não reconhecer essa conduta como doença, o seu progresso tem fortes implicações no bem-estar físico e psicológico do indivíduo. Os estudos realizados entendem que atrás dessa atenção obsessiva costuma existir um transtorno mental.

Graves consequências para a saúde

Os transtornos de conduta alimentar costumam ser progressivos. De forma que, no começo a pessoa deixa de comer alimentos industrializados e produtos processados. Depois, quando ela desenvolve o transtorno, o mais provável é que, pouco a pouco, comece a eliminar da dieta os nutrientes necessários como os legumes, carnes ou verduras não ecológicas.

Cada vez elas vão se tornando mais exigentes e estritas com tudo aquilo que está relacionado com a comida. Vão suprimindo mais grupos de alimentos, que não costumam substituir corretamente por outros, o que em longo prazo se transforma em importantes déficits de vitaminas e minerais essenciais. Se o caso for muito grave e não se conseguir controlar a obsessão, é bem provável que essas pessoas acabem sofrendo de desnutrição.

Como resultado desse consumo inadequado, elas apresentam sintomas de cansaço e são mais propensas a contrair doenças. O seu sistema imunológico vai se comprometendo pela redução do nível de sódio no sangue e também pelos trombócitos, glóbulos vermelhos e leucócitos.

Além dessas consequências fisiológicas, com respeito ao nível psicológico, são pessoas que têm altos níveis de dopamina e baixos níveis de serotonina, mostrando uma ansiedade combinada com excesso de euforia.

Como detectar um problema com a comida?

Normalmente as pessoas ortoréxicas costumam dedicar horas e horas a planificar cuidadosamente suas refeições. Tudo o que elas ingerem é analisado, evitando comer qualquer alimento que não tenha passado pelos seus rígidos padrões de qualidade. Além do mais, se infringem sua dieta por qualquer motivo se sentem bastante culpadas.

Elas são propensas a se isolar socialmente. O desconhecimento da composição dos pratos de refeições dos restaurantes impede que elas comam fora de casa. Por isso, para não sentir essa ausência de controle, elas acabam cozinhando sua própria comida.

É difícil que estas pessoas consigam saborear a comida, porque elas se concentram mais nos atributos daquilo que ingerem do que no seu cheiro, sabor ou aparência. No entanto, é improvável que alguém que padece de ortorexia reconheça que tem esse problema. Isso ocorre devido à grande aceitação que existe na sociedade atual das pessoas que seguem um “estilo de vida saudável”.

O perfil psicológico das pessoas com ortorexia

As pessoas mais predispostas a desenvolver obsessões costumam apresentar um conjunto de traços de personalidade bem característicos. Neste caso, as pessoas que têm tendência a ficar obcecadas com quanto e como comem também costumam apresentar uma grande necessidade de controle em outros aspectos da sua vida.

Esta obsessão pelo controle com frequência se transforma em ansiedade. Uma ansiedade que pode ser enfrentada de formas bem diferentes: uma das mais comuns é a de “assaltar a geladeira”.
Além disso, elas mostram um perfeccionismo exagerado em todos os aspectos da vida (profissional, familiar, social, etc.), acompanhado de altos níveis de ansiedade. Seus amigos e conhecidos as definem como pessoas severas, detalhistas, inflexíveis e convencionais.

Relação com os transtornos alimentares mais comuns

Além dos riscos já mencionados, a verdade é que a ortorexia pode ser o começo de outros transtornos alimentares, como a anorexia. Apesar das semelhanças, as diferenças entre ambas doenças são claras. Os pacientes com anorexia têm medo de engordar e possuem o próprio conceito corporal alterado. Portanto, eles não têm obsessão pela origem orgânica do alimento, mas com a quantidade de calorias e gordura da comida.

Manter uma dieta saudável proporciona muitos benefícios. Entre eles, ajuda a que o nosso peso conserve uma relação sadia com a nossa altura, mantendo os níveis de colesterol e também ajuda a prevenir certas doenças cardiovasculares. No entanto, todas essas vantagens desaparecem quando o controle da comida se transforma em uma obsessão.

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