O overtraining leva a uma maior impulsividade

dezembro 16, 2019
Praticar esportes é um dos hábitos mais saudáveis que existem. No entanto, também faz com que muitas pessoas levem seu corpo ao limite, sem levar em conta que o excesso também tem efeitos negativos. Aqui, falamos sobre eles e sobre como esse excesso pode levar a uma maior impulsividade.

A atividade física traz muitos benefícios para o corpo e a mente. Graças a ela, melhoramos o condicionamento físico, a força e o tônus muscular, o sistema cardiovascular e até a nossa capacidade cognitiva. No entanto, o excesso de exercícios ou overtraining também pode nos levar a uma série de consequências negativas.

Entre os problemas que você pode ter com o treinamento em excesso e sem descansar pelo tempo necessário, podemos citar o vício em certos esportes, como a vigorexia ou runnorexia, lesões musculares, problemas cardíacos e respiratórios, enfraquecimento do sistema imunológico, envelhecimento das articulações e a chamada síndrome do overtraining.

Correr na rua

Síndrome do overtraining

Ocasionalmente, o treinamento excessivo passa para um nível superior, levando à síndrome do overtraining. Esta síndrome é semelhante ao burnout que ocorre nos trabalhadores.

Portanto, há uma queda acentuada no desempenho dos atletas, mesmo quando estão em repouso, acompanhada por uma série de sintomas físicos e psicológicos.

Entre os seus sintomas, é possível diferenciar entre overtraining físico e mental:

Overtraining físico

Os sintomas físicos e fisiológicos que podem aparecer nessa síndrome são:

  • Aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca.
  • Aumento da temperatura corporal.
  • Hipertensão.
  • Perda de peso e do apetite.
  • Problemas gastrointestinais.
  • Dores musculares.
  • Vulnerabilidade a infecções e redução da imunidade.
  • Cortisol elevado.
  • Aumento de ácidos graxos.
  • Diminuição de ferro, hemoglobina e/ou glicogênio.

Overtraining mental

Além dos sintomas acima, ocorrem os seguintes sintomas psicológicos:

  • Alterações de humor.
  • Fadiga e exaustão.
  • Ansiedade.
  • Irritabilidade.
  • Falta de concentração.
  • Baixa autoestima e confiança.
  • Perda da libido.
  • Transtornos do sono.

Além disso, um estudo recente verificou que o treinamento excessivo pode levar a um aumento da impulsividade. Esse fato não afeta essa característica de forma simples, mas pode ter consequências muito negativas no comportamento e na saúde.

A impulsividade é uma característica que leva o indivíduo a agir de forma rápida, inesperada e excessiva diante de estímulos internos ou externos. Portanto, a pessoa age sem refletir e sem levar em conta as consequências.

O estudo

Em setembro de 2019, um grupo de pesquisadores franceses publicou uma investigação sobre as consequências do treinamento excessivo sobre a impulsividade. Especificamente, como o overtraining afeta o controle cognitivo.

Para isso, recrutaram um total de 37 triatletas, que foram divididos em dois grupos: excesso de treinamento e grupo de controle. Ou seja, 19 deles aumentaram a duração do treinamento em 40% em cada sessão por três semanas. Os outros 19 foram supervisionados em um treinamento normal durante o mesmo período.

Assim, após as semanas experimentais de treinamento (de intensidade usual ou sobrecarregada), os participantes foram submetidos a uma sessão de avaliação. Esta sessão foi dividida da seguinte forma:

  • Durante 50 minutos, dentro de uma máquina de ressonância magnética funcional, eles executaram tarefas de controle cognitivo intercaladas por três tomadas de decisão, onde tiveram que escolher entre duas recompensas financeiras: uma mais imediata e outra a longo prazo.
  • Uma sessão de 45 minutos de bicicleta na velocidade máxima para acionar os efeitos do treinamento sobrecarregado, buscando a fadiga.
  • Mais 50 minutos na ressonância, realizando as mesmas tarefas cognitivas e tomada de decisões como no primeiro bloco.

Dessa forma, os pesquisadores observaram a excitabilidade do córtex cerebral, o desempenho em tarefas específicas e a preferência por recompensas imediatas ou demoradas.

O que eles descobriram?

Os pesquisadores estavam interessados ​​na atividade do córtex cerebral relacionada à impulsividade e aos resultados na tarefa de decisões temporárias. Além disso, as tarefas cognitivas foram incluídas, principalmente, para provocar a ativação da referida área cerebral.

Dessa forma, comparando a atividade cerebral após 45 minutos de exercício com a atividade na primeira parte da sessão, eles encontraram uma diminuição na atividade do córtex pré-frontal lateral durante a tomada de decisões, não nas de rendimento cognitivo.

Isso significaria que o overtraining tem um efeito negativo nas tarefas nas quais deve ser tomada uma decisão de forma subjetiva, consumindo recursos e dificultando a tarefa.

Nessa tarefa, eles observaram que os triatletas treinados em excesso mostravam uma preferência maior por recompensas de menor quantidade, mas de curto prazo, em comparação com o grupo de controle que manteve seu nível normal de esforço.

Homem treinado com personal trainer

Implicações

Estes resultados são relevantes em vários aspectos. Por um lado, o controle cognitivo, em oposição à impulsividade, nos ajuda a executar tarefas de maneira direcionada e consciente.

Na prática de exercícios, um controle cognitivo menor proporcionaria uma maior sensação de segurança, levando o corpo a limites maiores. Dessa forma, não parar, não descansar quando necessário ou valorizar uma recompensa mais imediata, pode levar o atleta a lesões e a comportamentos mais arriscados.

Por outro lado, essa preferência por obter o melhor no momento presente está relacionada ao doping. Uma adulteração do organismo que, além de comprometer os objetivos de longo prazo, tem consequências diretas para a saúde física e psicológica.

Em resumo, assim como na maioria das atividades, a fadiga acumulada devido ao treinamento excessivo pode ter consequências negativas a curto e a longo prazo. Por isso, é importante promover hábitos saudáveis, que devem incluir aprender a tomar decisões adequadas e saber como não levar o nosso corpo e a nossa mente ao limite.