Pais helicóptero e mães agenda, progenitores que dirigem a vida dos filhos

Pais helicóptero e mães agenda, progenitores que dirigem a vida dos filhos

outubro 6, 2016 em Psicologia 4 Compartilhados
Pais helicóptero e mães agenda, progenitores que dirigem a vida dos filhos

Chamamos de pais helicóptero e mães agenda aqueles progenitores que pretendem controlar e organizar a vida dos filhos por completo. Eles agem com as melhores das intenções, mas sem dúvida menosprezam a liberdade das crianças.

Um pai helicóptero ou uma mãe agenda verificam constantemente as tarefas, os deveres, as provas e as atividades das crianças, não se esquecendo de nada nem deixando de programar cada minuto da vida do filho.

São os vigilantes de cada informação e de cada obrigação acadêmica (e extra-acadêmica) do filho, gerando neles uma dinâmica de autêntica dependência. Como consequência disto, é mais difícil para as crianças aprender a se responsabilizar pelas suas atividades, obrigações e interesses.

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Pais helicóptero e mães agenda que deixam os seus filhos vazios

Com esta atitude de superproteção e com a vontade de criar uma bolha com as características descritas, acabamos por afetar o “crescimento” das crianças que não conhecem a si próprias, não são capazes de gerir as suas emoções e ignoram as suas necessidade e ambições.

Esta relação entre pais e filhos torna-se tóxica, pois coloca as crianças numa bolha superprotetora que tenta ser a mais resistente das armaduras, quando na realidade é a melhor semente de insegurança que podemos plantar neles. Para além disso, estas crianças ficam muito mimadas, não toleram a frustração e o tédio, e só sabem representar o papel passivo ao qual foram habituadas.

Estes pais, na sua vontade de proteger os filhos de qualquer mal-estar e de ajudá-los a serem brilhantes, planejam cada pequeno movimento dos seus “filhos bolha”.
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A origem do termo remonta ao ano de 1969, quando Haim Ginnott escreveu no seu livro “Between Parent & Tennager“: “a minha mãe sobrevoava sobre mim como se fosse um helicóptero”. Este fenômeno acabou por se estender socialmente e chegamos até ao ponto em que muitos pais colocam a culpa (injustamente) das más notas dos seus filhos nos professores.

Os pais helicóptero e as mães agenda:

  • Tomam decisões pelos filhos em todos os âmbitos da sua vida.
  • Vigiam cada movimento e tentam agradar os seus filhos em tudo e de forma imediata.
  • Resolvem os conflitos dos seus filhos e tentam sempre lhes dar soluções.
  • Falam no plural: “Temos que estudar muito este tema!”, “Tantas tarefas que nos passaram!”, etc.

Essa necessidade obsessiva de ter tudo sobre controle acaba sendo devastadora para os pais, que acabam por ficar exaustos. Eles tentam oferecer aos seus filhos uma vida de perfeição, amor e carinho, dando-lhes todos os recursos e evitando que as crianças cometam erros que deveriam cometer nesta idade.

O que acontece é que a realidade acaba por se impor e os castelos no ar se desmoronam. Este tipo de relação acaba por asfixiar. Ambas as partes terminam frustradas e extenuadas, provocando grandes complexos e problemas emocionais.

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A hiperpaternidade que acaba refletindo a depressão e a ansiedade

Segundo vários estudos, a implementação deste estilo parental superprotetor tem consequências desastrosas a curto, médio e longo prazo: depressão, estresse e ansiedadeUm preço que será pago não só pelas crianças, mas também pelos pais.

Esta deterioração advém do menosprezo de três necessidades emocionais básicas: o sentimento ou a percepção de autonomia, o sentimento ou a percepção de competência, e o sentimento ou a percepção de se sentir conectado com alguém, especialmente na adolescência e com iguais. Deste modo, tudo aquilo que limita o desenvolvimento e o crescimento emocional trás consigo consequências devastadoras a nível pessoal e relacional.

As crianças devem ser educadas com carinho e atenção, baseando as quantidades de cada um no senso comum. Não podemos nos intrometer nas diversas áreas que compõem a sua vida nem nos responsabilizarmos pelas suas obrigações, pois elas irão crescer se sentindo inúteis, incompetentes e dependentes, e isso é precisamente o oposto do que queremos.

Ilustração de Karin Taloyr e Claudia Tremblay

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