Como a presença dos outros influencia nosso comportamento?

Como a presença dos outros influencia nosso comportamento?

março 25, 2018 em Psicologia 0 Compartilhados
Como a presença dos outros influencia nosso comportamento?

Você acha que agimos da mesma forma quando alguém está nos observando? Você acha que alguém que julga ou critica gera o mesmo efeito em nós que um simples observador? Você acha que a presença dos outros pode melhorar ou prejudicar nosso rendimento no desenvolvimento de uma tarefa? Continue lendo para descobrir.

Um dos primeiros autores que se interessou por estas questões e quis fazer este tipo de experimentos foi Norman Triplett, que conseguiu constatar que a presença dos outros melhorava nosso rendimento. Ele realizou seus experimentos com ciclistas e comparou suas marcas em seus treinos sozinhos e, posteriormente, em treinos com outros ciclistas.

Outro experimento desenvolvido por este mesmo autor foi realizado com crianças, e ele também conseguiu constatar como variava a execução em função de se estavam acompanhadas de outras crianças ou não. Os tempos de trabalho diminuíam e todas faziam mais depressa e melhor quando realizavam as tarefas acompanhadas do que quando estavam sozinhas na situação de observação.

Estes estudos demonstraram que quando se trabalha com outros coautores, isto é, pessoas que realizam a mesma tarefa que os outros, o rendimento melhora. Mas, o que ocorre quando os que observam são meros espectadores?

Colegas de trabalho

Facilitação social e inibição social

A facilitação social faz referência a quando a presença dos outros nos ajuda a melhorar e realizar melhor a atividade. Quando isto acontece? Este efeito aparece quando a tarefa é fácil para quem a realiza ou quando se trata de um conhecimento que a pessoa domina e que não requer muita concentração e pode ser resolvido sem complicações.

Por outro lado, na inibição social acontece o contrário. Quando uma pessoa não está familiarizada com a tarefa ou quando esta requer muita concentração e envolvimento do sujeito, a presença dos outros vai influenciar de forma negativa o rendimento, isto é, ocorrerá a inibição social.

Estes dois efeitos podem ser compreendidos quando nos concentramos no tipo de tarefa. Quando julgam nosso trabalho ou são meros espectadores, a experiência e familiaridade com o tipo de atividade em questão são decisivas. Assim, poderei me beneficiar de que alguém esteja olhando para fazer o melhor possível ou preferirei estar sozinho para me centrar e desenvolver melhor meu trabalho. Tudo depende de como é a tarefa.

O número de pessoas que observam o trabalho influencia?

Em outros estudos realizados no âmbito dos esportes, foi estudado o efeito produzido pela presença dos outros, e encontraram efeitos de facilitação social quando os observadores eram dez ou menos pessoas. No momento em que estudaram a atuação com muitos espectadores (mais de onze), não se observaram efeitos nem de facilitação nem de inibição.

Partida de futebol

Pode ser que isso esteja relacionado com a conduta dos observadores. Quando sua conduta é positiva e temos um certo controle sobre eles, isto é, ouvimos seus comentários ou podemos analisar seus gestos, eles exercem um efeito que nos influencia na hora de agir. Por outro lado, quando é um público grande, perdemos o controle sobre eles e, portanto, deixamos de ser sensíveis à sua influência.

Conclusões sobre como a presença dos outros nos influencia

As conclusões que derivamos da presença dos outros têm relação com o tipo de tarefa que temos que realizar. Quando a tarefa é fácil, podemos melhorar nosso rendimento quando alguém nos observa; por outro lado, o rendimento diminui em relação ao desempenho que alcançaríamos sozinhos quando a tarefa é complicada e requer toda a atenção.

Pode ser que a superativação causada pela presença das outras pessoas seja positiva quando podemos realizar a tarefa sem necessidade de empregar todos os nossos recursos cognitivos. Por outro lado, quando a tarefa requer que empreguemos toda nossa atenção nela, os demais podem causar um apressamento que não nos beneficia (já que provavelmente já há um bom nível de aceleração pela complexidade do desafio) e acaba nos distraindo.

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