Tratamento da obesidade: como um psicólogo pode ajudar?

Como um psicólogo pode ajudar no tratamento da obesidade?

novembro 10, 2017 em Psicologia 56 Compartilhados
Tratamento da obesidade

Embora muitos não se deem conta, o tratamento da obesidade também tem um componente psicológico muito relevante, no qual a terapia pode ser de grande ajuda.

A obesidade é um problema de saúde provocado por diferentes fatores que podem ser físicos, genéticos, psicológicos e ambientais. Além dos problemas estéticos, de acordo com a OMS, a obesidade tem consequências perigosas para a saúde. Entre os mais frequentes estão os problemas cardiovasculares, os distúrbios do movimento e alguns tipos de câncer (fígado, vesícula biliar, rins e intestino).

Nos últimos anos a psicologia se tornou muito importante no tratamento da obesidade. Os psicólogos trabalham com pessoas obesas e com excesso de peso para que aprendam uma série de ferramentas que lhes permitem perder peso ou manter as mudanças obtidas através de intervenções cirúrgicas para obesidade.

Neste artigo, analisaremos os diferentes fatores associados ao excesso de peso, enfatizando aqueles de natureza psicológica. Também dedicaremos um espaço para destacar a importância e as características da terapia psicológica no tratamento da obesidade.

Quais fatores estão envolvidos na obesidade e no sobrepeso?

A obesidade é uma doença multifatorial: a sua origem e sobrevivência são decorrentes de diferentes causas ou variáveis. A seguir, faremos uma rápida revisão das principais variáveis ​​e fatores associados à obesidade e ao excesso de peso.

Os fatores genéticos e físicos

O debate sobre a influência da genética sobre a obesidade é bastante controverso; na verdade, é muito baixo o número de casos de obesidade devidos a razões genéticas. Embora seja verdade que existem síndromes genéticas que apresentam obesidade ou excesso de peso dentro das suas características, aproximadamente 90% dos casos de obesidade são detectados em pessoas sem estas síndromes.

Os problemas de tireoide ou outros problemas hormonais também são muitas vezes, uma “crença” sobre a causa da obesidade. A maioria das pessoas que começa a engordar busca causas endócrinas ou metabólicas que expliquem esse ganho de peso. No entanto, fracassam nessas tentativas.

Médico tratando paciente com obesidade

Embora tenham sido identificados certos genes e causas físicas relacionadas à obesidade, esses genes são responsáveis ​​por poucos casos. Uma origem genética é atribuída a muitos casos de obesidade, porque geralmente os pais e familiares também são obesos. Mas isso ocorre, em um grande número de casos, por causa do ambiente compartilhado, dos hábitos alimentares aprendidos e da atitude em relação à alimentação e ao corpo, não por causas genéticas.

“Um corpo saudável é um abrigo para a alma. Um corpo doente, uma prisão”.
– Francis Bacon –

Variáveis ​​psicológicas associadas à obesidade e ao excesso de peso

As emoções são os elementos psicológicos mais associados à obesidade e ao excesso de peso. O estado emocional de uma pessoa está diretamente e indiretamente ligado ao apetite, ao comportamento na hora das refeições e também às preferências no momento de escolher os alimentos.

As emoções influenciam diretamente o nosso apetite. Dependendo da pessoa, uma determinada emoção, como tristeza ou alegria, pode aumentar ou diminuir o apetite. O efeito é individual e depende de cada um. Há pessoas que, quando estão ansiosas, tendem a comer mais, e há outras em que o estômago “fecha”. Estes são efeitos diretos da ativação emocional e suas manifestações físicas.

Indiretamente, as emoções estão associadas a uma predisposição à ingestão de certos tipos de alimentos. Por exemplo, o estresse no trabalho faz com que a pessoa ingira uma quantidade menor de alimentos. O problema é que esses “poucos alimentos” são processados ​​e com alto valor calórico. Um estado de humor positivo e relaxado nos encoraja a comer mais devagar e em maior quantidade.

Por outro lado, existe uma grande quantidade de pessoas com sobrepeso e obesidade que utilizam a alimentação como estratégia de regulação emocional. Nesses casos, diante da frustração, do tédio ou da ansiedade, a pessoa come e nesse momento se sente melhor, mais aliviada. E assim se cria um forte condicionamento entre comer e diminuir o desconforto. Na maioria as vezes, depois aparecem a culpa e o arrependimento.

Da mesma forma, nos últimos anos, popularizou-se a ideia de que existe um “vício em comida”. É um assunto muito controverso e para o qual a comunidade psicológica e científica ainda não possui uma opinião comum. Ou seja, as investigações apresentam diferentes conclusões e dados que as apoiam, tanto a favor como contra a existência desse vício.

Seguindo esta linha, o alimento e o ato de comer ativam os mesmos caminhos de reforço cerebral que as substâncias psicoativas, como o álcool e outras drogas, além dos jogos de azar. Tendo isso em mente, pode-se dizer que há um vício em alimentos, uma vez que certos alimentos são reforçadores primários positivos muito poderosos.

Uma das variáveis ​​psicológicas mais importantes é o que comumente chamamos de “hábitos pessoais” e que os psicólogos chamam de “hábitos comportamentais”. Todos os hábitos ligados à rotina diária, alimentação e comportamento alimentar, são variáveis ​​que predispõem ou condicionam a obesidade e o excesso de peso. Os hábitos também são a principal causa da recuperação do peso após uma cirurgia bariátrica ou após uma dieta bem-sucedida.

Os hábitos mais comuns que causam obesidade e sobrepeso são a falta de exercícios físicos e a ingestão automática de alimentos (sem ter a mente equilibrada no momento da refeição). Dentro deste grupo de hábitos também está escolher alimentos de acordo com o momento e o estado mental, realizar outras atividades enquanto comem, passar muitas horas sem comer, entre outros. Por todas estas razões, é essencial educar os nossos filhos desde pequenos, de modo que adquiram hábitos alimentares saudáveis ​​que os protejam contra a obesidade.

Mulher decidindo o que comer

Fatores ambientais relacionados à obesidade e ao excesso de peso

As variáveis ambientais são as mais importantes, uma vez que a influência do ambiente é um elemento-chave na obesidade e sobrepeso. O ambiente em que nos encontramos influencia muito a quantidade de comida que ingerimos. Por exemplo, comer acompanhado está associado a comer mais.

O tipo e o horário de trabalho que temos também estão relacionados com comer mais ou menos. As pessoas com turnos noturnos ou rotativos são mais propensas a experimentar problemas alimentares (anorexia, bulimia, obesidade). Tanto as mudanças no horário de trabalho como trabalhar à noite estão relacionados aos distúrbios do sono, mudanças no ritmo circadiano (ou relógio interno). Isto faz com que a pessoa não descanse adequadamente, o estado emocional tende a ficar negativo, e recorre-se ao ajuste do comportamento alimentar (comer muito ou pouco) como forma de regular a situação emocional.

Como é a terapia psicológica no tratamento da obesidade e sobrepeso?

A terapia psicológica no tratamento da obesidade e do excesso de peso é fundamental para o sucesso de qualquer dieta, intervenção cirúrgica, e para que os seus resultados sejam mantidos ao longo do tempo. Uma vez que o psicólogo avalia em profundidade o comportamento alimentar, o seu contexto e os fatores que o influenciam, a intervenção psicológica é importante.

O tratamento psicológico depende sempre das necessidades específicas de cada paciente. Em geral, todos os hábitos relacionados à alimentação são abordados. Em primeiro lugar, é necessário realizar uma avaliação detalhada de todos os fatores psicológicos relacionados à alimentação. Os resultados da avaliação psicológica determinarão o que precisa ser feito na terapia.

Como um psicólogo pode ajudá-lo se você é obeso ou está com excesso de peso?

O psicólogo é o profissional da saúde especializado em comportamentos, emoções e pensamentos. Portanto, é a pessoa melhor preparada para ajudá-lo a modificar hábitos pouco saudáveis e aprender a gerenciar as suas emoções de forma positiva e benéfica para sua autoestima.

Um tratamento para a obesidade não estará completo se não houver uma terapia psicológica dentro do programa. Quando atacamos somente o excesso de peso, a pessoa perde quilos e isso é muito motivador, dá ao indivíduo muita força pessoal e melhora a autoestima. Mas a raiz do problema continua lá: o papel emocional da comida e os maus hábitos alimentares.

“A saúde e a alegria nascem juntas e naturalmente”.
– Joseph Addison –

Psicóloga atendendo paciente obesa

Se você não reeducar os seus hábitos alimentares e não aprender a lidar com o estresse e as emoções, voltará para os hábitos antigos com o passar do tempo. O seu relacionamento com a comida não mudou, você só perdeu peso. Quando você perde peso e não muda o seu sistema de vida, o relacionamento que tem com os alimentos e o seu comportamento alimentar, provavelmente ganhará muito peso em pouco tempo.

Nesse sentido, é fundamental compreender a obesidade como um problema de saúde em que as variáveis psicológicas desempenham um papel muito importante. Compreender a obesidade como algo mais do que excesso de peso abre as portas para melhorar a qualidade de vida daqueles que têm este problema de saúde. As pessoas com este problema precisam ser motivadas a realizar uma terapia psicológica específica para a obesidade, suavizando o estigma que pode estar associado à consulta de um psicólogo.

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