Quando acabar com a vida passa a ser uma opção

· dezembro 27, 2016

O que acontece quando acabar com a vida passa a ser uma opção, inclusive a melhor opção? O que é que passa pela mente dessa pessoa? É normal nos sentirmos tristes às vezes. É normal que, em muitas ocasiões, nada corra bem. As nossas emoções e sentimentos costumam assumir o controle e são muitas as vezes nas quais nos encontramos transbordados por elas.

Pensar em acabar com a vida é um verdadeiro problema. Um problema que envolve diferentes níveis: o psicológico, o social, o biológico, o cultural e o ambiental. Uma circunstância que tem sua origem em um problema depressivo profundo que pode ser consequência de diferentes fatores. Uma infância difícil, dificuldades para se conectar com os demais, problemas entre o casal, baixa autoestima, e muitos outros.

Acabar com a vida é uma consequência?

Poderíamos pensar que uma das consequências da depressão pode ser o suicídio. Mas isso nem sempre é assim. O doutor John Demartini foi quem deu uma das melhores explicações em relação à depressão e ao suicídio. Ele afirmou que todo mundo tem altos e baixos emocionais, mas que quando eles são extremos, podem nos levar à euforia menos contida e à sensação de tristeza mais intensa. Esta última será a que pode nos levar ao suicídio.

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De repente, nos sentimos extremamente eufóricos e isto deve ser compensado de alguma forma. O polo oposto é a depressão. Vamos pensar em quando nos sentimos felizes. Se esta felicidade é “normal” e se encontra dentro do equilíbrio, seu oposto será uma tristeza de magnitude semelhante.

Se a nossa felicidade expande a sua gama e se aproxima do extremo, seu oposto será uma tristeza ainda mais profunda. Quando esta tristeza se transforma em apatia e é sustentada ao longo do tempo, poderíamos estar diante de um sinal de depressão. Segundo Demartini, as nossas emoções funcionam compensando umas às outras. Por isso, quanto mais eufóricos e felizes estivermos, maiores serão os pensamentos depressivos suicidas.

A vida tem duas caras, a boa e a má. Negar uma delas só vai fazer com que ela nos atinja com mais força.

Não podemos nos esquecer de que a depressão tem um claro componente químico. Essa euforia que sentimos não deixa de ser um excesso de dopamina, oxitocina, endorfina e serotonina que afeta o nosso cérebro. Quando a situação se inverte e aparece o cortisol e a epinefrina, somos transportados para o polo da tristeza.

Então, o suicídio é uma consequência da depressão? Muitas vezes sim, pois as emoções e os sentimentos têm um impacto maior na pessoa depressiva. Ela não vê que na realidade existe uma esperança mínima de sair da situação em que se encontra, um apoio onde pode segurar. Seria o componente da desesperança mais absoluta o que finalmente faria com que a pessoa visse o suicídio como sua única saída.

Situações que estão fora do nosso controle

Nem sempre o desejo de acabar com a vida vem de um problema de desequilíbrio bioquímico no nosso cérebro. Às vezes, certas pessoas e situações nos fazem tomar a terrível decisão de escolher essa saída. Porque quando o mundo está à sua espera, é difícil não sentir a necessidade de escapar de tudo e todos. Até de nós mesmos.

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Vamos pensar naqueles adolescentes que sofrem bullying. Uma etapa complicada em que ninguém lhes estende uma mão. Eles se sentem sós, humilhados e maltratados. Isto pode mergulhá-los em um ciclo vicioso de autodestruição. É assim que Carla Herrero relata, uma jovem de 17 anos vítima de bullying que dizia que “quanto mais se humilha uma pessoa, mais mal ela deixa que façam a ela”.

Mas esta não é a única situação em que uma pessoa pode querer acabar com a vida. Uma jovem de 16 anos se sentia assim depois de uma violação em que várias pessoas participaram: “Senti culpa, várias vezes. O dia inteiro. Não sei de quê. Sinto que tem lixo saindo do meu corpo, da minha boca e dos meus olhos”.

Atualmente, devido ao auge das redes sociais, alerta-se sobre o perigo associado ao envio de “nudes” ou da gravação de vídeos que podem ser difundidos. Recentemente veio a público o caso de uma mulher que aparece mantendo relações sexuais com dois jogadores de futebol em um vídeo que foi divulgado nas redes sociais. Uma situação que muitos não suportariam. Uma circunstância na qual você se encontra exposta e na qual a sua intimidade se vê violada. “Obrigada por toda a dor”

São muitos mais os motivos pelos quais uma pessoa pode desejar acabar com a vida. Problemas financeiros, solidão, rejeição… Todas essas situações se desenvolvem em um estado depressivo prolongado em que a pessoa fica imersa devido às experiências vividas. Acabar com a vida não é algo que acontece de um dia para o outro.

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Apesar de para algumas pessoas acabar com a vida passar a ser uma opção, elas sempre poderão sair do fundo do poço se plantarem pensamentos positivos nas suas mentes. Você nunca vai merecer tudo o que já viveu, tudo o que já te fez sofrer, as pessoas, o mundo, tudo que te “obrigue” de alguma forma a tomar a terrível decisão de se matar.

A nossa capacidade de antecipar o futuro é a que nos condena, a de pensar que estamos diante de um “leão”, e vão aparecendo cada vez mais. Nesta situação, o melhor a fazer é tentar atacar os nossos problemas com pequenos passos que sirvam de reforço para a nossa moral, sem olhar para o topo para ver o quanto ainda resta. Por outro lado, uma luta prolongada durante muito tempo não significa que ela será para sempre, porque ‘sempre’ é muito tempo, e depois da tempestade sempre vem a bonança.