Quando a dor nos ajuda a crescer - A Mente é Maravilhosa

Quando a dor nos ajuda a crescer

novembro 25, 2016 em Emoções 61 Compartilhados
Quando a dor nos ajuda a crescer

Quando a vida é doce, agradeça e celebre. Quando ela é amarga, agradeça e cresça. É assim que Shauna Niequist intitulou seu livro Agridoce. O agradecimento por todas as coisas que acontecem conosco, sejam boas ou ruins, está na base da busca pela plenitude, pela verdadeira felicidade. Até mesmo situações que nos causam dor merecem um certo agradecimento, visto que elas constituem a base do nosso crescimento intelectual, emocional e espiritual.

Na verdade, a dor e as experiências amargas são reforços poderosos para construir seu crescimento pessoal profundo. Um sofrimento a partir do qual você pode iniciar mudanças transcendentais para criar uma melhor versão de si mesmo. Isto tem um nome, chama-se crescimento pós-traumático.

O que é o crescimento pós-traumático

Foram os psicólogos Richard G. Tedeschi e Lawrence G. Calhoun que, em meados da década de 90, pesquisaram originalmente o crescimento pós-traumático (ou PTGI, sua sigla em inglês, que significa Posttraumatic Growth Inventory). Os pesquisadores descobriram que 90% das pessoas que experimentaram um evento traumático – e a dor que o acompanhou – estão expostas a pelo menos um fator identificado como crescimento pós-traumático.

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Tedeschi e  Calhoun definiram o crescimento pós-traumático como a mudança psicológica positiva experimentada como consequência da adversidade e de outros desafios, com o objetivo de alcançar um nível mais alto de funcionamento.
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Este conjunto de circunstâncias representa grandes desafios para os recursos de adaptação da pessoa e levantam questões importantes sobre a forma de entender o mundo e enfrentar a dor. Estas circunstâncias contribuem para um processo pessoal de mudança profundamente significativo.

Os cinco pilares do PTGI são:

  • Desejo de estar aberto a novas oportunidades que não estavam presentes ou não pareciam possíveis antes.
  • Maior sentido de conexão com os outros, geralmente refletido em um aumento de empatia em relação aos sofrimentos dos outros.
  • Maior sentido de autossuficiência: se você superou isso, então pode superar qualquer coisa.
  • Aumento da gratidão pela vida em geral e apreço pelas coisas que antes eram consideradas garantidas.
  • Aprofundamento em uma conexão espiritual ou propósito, o que pode incluir a mudança de crenças ou a redefinição das mesmas.

Causas do crescimento pós-traumático a partir da dor

O crescimento pós-traumático ocorre com as tentativas de se adaptar a conjuntos altamente negativos de circunstâncias que podem gerar altos níveis de estresse psicológico. Realidades, como grandes crises pessoais, que em primeira instância normalmente geram reações psicológicas desagradáveis.

O crescimento não se produz como consequência direta do trauma, mas da luta que o indivíduo mantém com a nova realidade, marcada pelas sequelas do trauma. Sequelas que são cruciais para determinar o grau em que ocorre o crescimento pós-traumático.

Existem alguns fatores que podem ser indícios de crescimento pós-traumático e que estão associados com o crescimento de adaptação após a exposição a um trauma. Neste sentido, foi demonstrado que a espiritualidade se correlaciona altamente com o crescimento pós-traumático. Na verdade, muitas das crenças mais profundamente espirituais são resultado da exposição ao trauma.

O apoio social foi bem documentado como um amortecedor para a doença mental e a resposta ao estresse. No que diz respeito ao crescimento pós-traumático, não só ocorre um alto nível de apoio social antes da exposição associada ao crescimento, mas também há evidência neurobiológica de que reforça a ideia de que o apoio social vai moldar uma possível resposta patológica à tensão.

Também foi descoberto que, no crescimento pós-traumático, a capacidade de aceitar situações que não se pode mudar é crucial para a adaptação. Chegou-se à conclusão de que um acordo com a realidade é um indicador significativo de crescimento pós-traumático.

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Despertando o super-herói que há dentro de nós

Todos nós conhecemos histórias de pessoas que ficaram mais fortes e descobriram um sentido profundo para a sua existência depois de uma grande tragédia. Na verdade, é exatamente sobre este ponto que foram construídos alguns dos maiores heróis, tanto reais quanto na ficção.

Por exemplo, se fizéssemos uma lista de super-heróis da ficção, certamente quase todos nós iríamos incluir o Super-Homem, o Batman e o Homem-Aranha. Estes dois últimos, como tantos outros heróis fictícios, estabelecem uma cruzada contra o crime quando seu ente ou entes mais queridos são assassinados. O Super-Homem arrasta outro tipo de tragédia, mas temos muito mais a dizer sobre este personagem se falarmos da história do ator que o interpretou inicialmente.

Christopher Reeve, o ator que interpretou originalmente o Super-Homem no cinema, ficou tetraplégico devido a um acidente de cavalo, tragédia que o fez considerar até mesmo o suicídio. Ironias da vida. No entanto, foi aí que Reeve despertou seu verdadeiro Super-Homem, já que com a mesma determinação do seu personagem, ele se converteu em uma das pessoas que mais defendeu e lutou pelas pessoas com lesões da medula espinhal.

Este é só um exemplo de como uma limitação séria, uma doença grave ou uma perda profunda podem dar lugar a uma revolução interior. Este terremoto carregado de dor é somente a circunstância trágica que tira todos os “móveis” da nossa cabeça, para que com a nova experiência de vida possamos voltar a colocar tudo no lugar de um jeito muito melhor.

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