Reduzir as opções, melhorar as decisões

· janeiro 16, 2019
Ter mais opções às vezes só dificulta o poder de decisão. Você gostaria de conhecer alguns truques para facilitar a escolha entre várias alternativas?

Você acha que o número de opções que você tem afeta a forma como você decide? Você acha que o cérebro responde igualmente a todas as opções que lhe são apresentadas? Você acha que pode escolher melhor se tiver mais opções ou é o contrário? Neste artigo, vamos tentar responder a estas questões e entender a importância de reduzir as opções para melhorar a nossa forma de tomar decisões.

Imagine que você vai a um restaurante e no cardápio há uma centena de pratos para escolher, ou vai ao cinema e os filmes em cartaz passam de cinquenta. Quanto tempo você levaria para decidir? Você acha que ficaria satisfeito com a sua escolha? Na maioria dos casos, ter menos opções facilita a própria decisão, especialmente quando se trata de uma decisão que precisamos tomar com um alto grau de consciência. Isso ocorre porque menos opções significam também menos cenários plausíveis que precisamos analisar.

As novas tecnologias focam neste propósito, em reduzir a informação que nos chega, filtrando-a para que seja mais coerente com os nossos gostos. Elas deixam à vista opções mais simples para escolha, ou também permitem diminuir as opções agrupando-as em categorias. Tudo para que o cérebro não precise de muito tempo para escolher.

Além disso, um número menor de opções contribui para que, a partir dessas opções, escolhamos a que acreditamos ser melhor no momento. Em parte, isso ocorre porque se encaixa muito bem com os interesses de nossa sociedade de consumo, na qual não nos interessa permanecer presos em um processo de tomada de decisão. Vemos isso, por exemplo, nas ofertas “especiais” para os primeiros X pedidos.

Você conhece o fenômeno FOBO?

Você conhece o fenômeno FOBO?

O fenômeno FOBO recebe seu nome a partir da expressão Fear of better options (medo de ter melhores opções) e refere-se ao atraso na tomada de decisões com o desejo de escolher a melhor, de continuar a explorar novas possibilidades; em suma, buscar e encontrar a alternativa perfeita. Em muitos casos, a única coisa que esse fenômeno propicia é continuar deixando para amanhã as decisões que poderíamos tomar hoje.

Por outro lado, além do medo de perder a melhor opção, o que nos faz repetir esta estratégia é o fato de que ela é reforçada de maneira variável. Isto é, é uma estratégia em que raramente se encontra um prêmio. Por outro lado, muitas vezes ficamos dando voltas em uma decisão que já tomamos (continuamos pensando sobre carros ou máquinas de lavar roupa, embora já tenhamos decidido), e é quando aparece uma escolha melhor (a tecnologia avança) e ficamos arrependidos.

“A chave para administrar decisões no mundo da hiper-seleção é buscar o que seja suficientemente bom, e não o melhor. Por outro lado, se você esperar até encontrar o melhor, a busca nunca termina”.
-Schwartz-

Nos anos 50, Herbert Simon, Prêmio Nobel de Economia, distinguiu dois tipos de pessoas ao tomar decisões. Em um extremo estariam as pessoas maximizadoras, ou seja, as que buscam continuamente até encontrar a melhor opção e as que se fixam na satisfação momentânea.

As pessoas maximizadoras estariam mais próximas de tomar a melhor decisão, mas também de cair na armadilha do fenômeno FOBO. Portanto, a tomada de decisões pode ser um processo complexo, mas o erro será torná-lo um processo eterno. A decisão perfeita não existe, apenas a decisão que tomamos.

O efeito FOBO pode nos causar estresse, depressão, insatisfação e falta de bem-estar, porque não nos permite decidir, e ainda nos faz continuar escolhendo novas possibilidades, novas opções, e não permite que o cérebro descanse e desfrute da opção escolhida. Por isso, mais opções não garantem nem melhores decisões nem maior satisfação.

Em um estudo recente (2012) foi possível observar que as pessoas maximizadores eram as que se sentiam mais insatisfeitas após terem tomado uma decisão, já que questionavam constantemente o que tinham escolhido e continuavam se sentindo inseguras.

Como podemos tomar boas decisões?

Como podemos reduzir as opções e tomar boas decisões?

Quando se trata de tomar decisões, podemos tornar o processo mais simples com três etapas básicas que nos levam a reduzir as opções para tomar melhores decisões:

  • O primeiro passo será esclarecer a questão: o que eu quero conseguir? Com isso, podemos reduzir as opções apenas a aquelas que me aproximam do objetivo desejado.
  • Em segundo lugar, identificar passos a seguir de acordo com as opções que você tem. De quais ferramentas eu preciso? Quanto tempo eu tenho? Quão motivado estou para tomar essa decisão e escolher esse caminho? Qual é o primeiro passo que devo dar? Graças a este segundo ponto, esclarecemos qual será o plano de ação tomando uma decisão ou outra.
  • Por último, examinar os benefícios que obteremos a curto e a longo prazo. Aqui teremos que estabelecer os prós e contras das possibilidades que temos para evitar tomar decisões baseadas nas emoções do momento e nas necessidades imediatas. Como isso me afetará daqui a alguns meses? E em alguns anos?

Com estes passos simples, conseguiremos otimizar o processo de tomada de decisões, esclarecer a visão do cérebro para as opções reais que temos e nos ajudar a tomar a decisão que mais nos aproxima do que queremos. Ou seja, a decisão que nos faz sentir satisfeitos e realizados, porque sabendo o que sabíamos e estando onde estávamos, podemos dizer que aproveitamos a melhor das opções.

  • Larson, E. (2016, July 20). Por qué y cómo mejorar la toma de decisiones. Retrieved October 27, 2018, from https://hbr.es/toma-de-decisiones/95/por-qu-y-c-mo-mejorar-la-toma-de-decisiones.
  • Tiempo, C. E. E. (2018, September 15). El fenómeno “fobo”: más opciones, peores decisiones. Retrieved October 27, 2018, from https://www.eltiempo.com/vida/salud/por-que-las-personas-tienden-a-postergar-la-toma-de-decisiones-268932.