O significado da catarse na psicologia

· janeiro 17, 2019
A catarse na psicologia se refere à estratégia terapêutica através da qual se liberam frustrações, emoções negativas que perturbam a vida e os conflitos que nos impedem de avançar.

A catarse na psicologia se refere ao processo pelo qual “purificamos” as emoções negativas. É como abrir uma janela para oxigenar os espaços onde a presença de conflitos residiu por muito tempo. É permitir que a chama da raiva e o peso da tristeza descolem do nosso interior para dar lugar a estados mais saudáveis, mais leves e relaxados.

Este termo tem suas raízes na abordagem psicanalítica de Sigmund Freud. No entanto, deve-se notar que a própria palavra teve o seu momento de ouro com Aristóteles. O filósofo grego usou essa palavra para definir o próprio propósito da tragédia nas artes performáticas. Ou seja, é o mecanismo pelo qual podemos nos purificar emocionalmente, mentalmente e espiritualmente.

Dessa forma, as pessoas, ao se envolverem no enredo dessas peças teatrais, também poderiam resgatar os seus próprios problemas. Seria então suficiente nos identificarmos com os personagens principais dessas histórias para reconsiderar, sentir, refletir e, em última instância, liberar até os nossos próprios conflitos.

Séculos depois, Sigmund Freud e Joseph Breuer resgataram essa ideia para definir o que eles chamaram de “método catártico”. Trata-se da estratégia terapêutica através da qual trazemos à luz emoções reprimidas com o auxílio da hipnose ou da própria terapia. Para isso, era necessário “desbloquear” memórias, abrir os alçapões psicológicos sob os quais escondemos muitos dos nossos problemas.

Agora, até hoje e deixando de lado a psicanálise, podemos dizer que continuamos a usar esse termo de maneira comum em muitos contextos psicológicos. Vejamos mais informações sobre isso.

“Você não pode desatar um nó sem saber como ele é feito”.
– Aristóteles –

Catarse emocional

A catarse na psicologia: a chave para o processo terapêutico

Todos nós nos esforçamos diariamente para parecermos fortes e invulneráveis. A sociedade, a nossa educação e a pressão dos nossos contextos nos empurram para agirmos assim. Além disso, às vezes sofremos para processar certas experiências, para entender acontecimentos, avaliar danos, resolver contradições, curar frustrações e decepções.

Dia após dia, ‘engolimos’ tudo sem monitorar o possível dano. E o fazemos não apenas porque não temos esse espaço de tempo disponível para curar certos impactos. Na verdade, não sabemos realmente o que fazer com muitas das coisas que nos acontecem. Ninguém nos ensinou como lidar com essas experiências e, por sua vez, caracterizamos algumas incompetências em termos de emoções.

A catarse na psicologia é fundamental em qualquer processo terapêutico. Deve haver sempre um momento para liberar esse acúmulo de tensões conflitantes. Dessa forma, as emoções surgirão de forma caótica. Talvez seja através das lágrimas ou também é possível que seja através de uma fúria indignada ou uma tristeza que, pouco a pouco, encontra as palavras certas para se expressar.

Assim, e depois de remover essa tampa da garrafa para permitir que qualquer conflito interno seja derramado, a análise começa. Essa purificação emocional deve transcender em busca de uma explicação para o esclarecimento do problema. Então, depois desse entendimento verdadeiro sobre o que nos acontece, os mecanismos de mudança são colocados em movimento.

Mulher chorando

Purificar as emoções, uma arte

Um estudo conduzido pelos médicos Brad Bushman, Roy Baumeister e Angela Stack, publicado no Journal of Personality and Social Psychology, revelou algo importante para refletirmos. A catarse na psicologia é a arte de sabe controlar e dirigir.

Este trabalho demonstrou o seguinte: quando permitimos que uma pessoa libere a sua raiva contida, em vez de facilitar um alívio e uma purificação, corremos o risco de intensificar ainda mais esse estado de frustração e raiva. Tudo isso nos convida a entender um aspecto muito importante: reconhecer os nossos conflitos e externá-los é imensamente doloroso.

É nessa parte do processo terapêutico que o profissional tem uma responsabilidade imensa, transcendente e essencial. Você deve ter essa habilidade pessoal para lidar com toda a energia emocional derramada. Deve receber, esmiuçar e redirecionar. Porque purificar não é apenas fazer desaparecer o que é prejudicial, é saber transformar, é curar e oxigenar.

A catarse na psicologia foi uma ferramenta determinante para Freud. Mais tarde, foi também para outras referências, como Jacob Levy Moreno com a sua técnica de psicodrama, onde a liberação de emoções ocorre individualmente ou em grupos através de exercícios teatrais.

Mãos segurando borboleta

Conclusão

Até hoje, podemos dizer que muitas produções televisivas e cinematográficas também atuam como canais catárticos através dos quais purificamos parte das nossas emoções conflitantes. Assim, e de acordo com a teoria moderna da catarse, os filmes de ação ou de terror seriam aqueles contextos em que também nos sintonizamos com os nossos medos ou impulsos agressivos.

Nem todo mundo concorda com essa ideia. No entanto, queiramos ou não, é sempre aconselhável abrir janelas internas para limpar os espaços onde essas emoções adversas e limitantes se acumulam. A vida precisa de impulso e força para encontrar o seu lugar no auge do bem-estar. A catarse psicológica, assim como os profissionais especializados, pode nos ajudar.

  • Freixas, G. y Miró. M. T. (1993): Aproximaciones a la psicoterapia. Barcelona: Paidós.
  • Freud, Sigmund (2011) Introducción al psicoanálisis. Alianza Editorial