O que é a síndrome da alienação parental?

· janeiro 9, 2018

O divórcio ou a separação dos pais costuma ser uma situação traumática para as crianças. A família, que consideram como núcleo fundamental da vida, se rompe sem que eles possam fazer nada. Um período de tristeza e incerteza as invade, tornando-as mais vulneráveis. Nesta situação, alguns pais aproveitam para machucar um ao outro, provocando a síndrome da alienação parental.

Parece inconcebível que um ato tão egoísta possa chegar a acontecer. Infelizmente, o ódio e rancor para com o ex-parceiro às vezes é mais forte que o bom senso. Muitos pais nem sequer são conscientes do dano que fazem aos seus filhos alimentando sua sensação de desamparo. Para eles é mais importante o sofrimento próprio do que de seus filhos, que quase sempre passam para um segundo plano.

Dizer a uma criança que seu pai não quer vê-la, contar mentiras sobre ele ou ela ou insultar o outro tentando fazer com que o filho perca o respeito por este são só alguns exemplos desse tipo de manipulação. As sequelas psicológicas que a criança sofrerá podem chegar a ser problemáticas, gerando um possível ódio patológico para com o pai ou mãe que é vítima da alienação parental.

O que é a síndrome da alienação parental?

A síndrome da alienação parental é um tipo de maus-tratos psicológico infantil. É conhecida como a influência que se exerce na mente das crianças para que elas modifiquem a percepção que têm de seu progenitor. 

Esta situação pode se dar de um pai para outro ou pode ser utilizado por ambos para se ferirem mutuamente. Os pais alienadores não hesitam na hora de ridicularizar a criança se esta manifesta sentimentos pela outra pessoa. Inclusive, muitos se valem do ambiente familiar para reforçar a ideia de desprezo para com o pai ou a mãe, sendo avós, tios e amigos cúmplices deste tipo de maus-tratos.

Filho no meio de briga dos pais

“É mais fácil criar crianças fortes do que consertar adultos quebrados.”
– Frederick Douglas –

Nestes casos, também é bastante recorrente contar ao filho aspectos do divórcioA intenção é vitimar a si mesmo para que a criança sinta pena de um e culpe o outro pelo que está vivendo. Tudo para causar uma vingança pessoal na qual o mais prejudicado é o filho. A criança é a verdadeira vítima e a que deve ser afastada deste comportamento tóxico.

O que pode levar um pai ou mãe a se comportar assim?

O correto diante de um divórcio é saber separar os conceitos. O fato de que o outro tenha sido um mau parceiro não significa que seja um pai ruim. Ainda que isso possa não ser levado em consideração, por exemplo, em casos nos quais tenha existido violência para com o cônjuge. É lógico que ter sofrido experiências de maus-tratos por parte de um ex-parceiro gere um medo horrível de que a história volte a se repetir nos menores.

Nas demais situações, afastar as crianças do outro pai pode ser um sinal de que a separação ou o divórcio não estão sendo administrados de maneira adequada. Denota um egoísmo e uma grande falta de autoestima, além de uma escassez de sensibilidade e empatia que repercutirá emocionalmente em seus filhos. 

Também pode ocorrer que o pai alienador sofra algum tipo de transtorno de personalidade. Os mais relacionados com estas situações são o narcisismo e o transtorno de personalidade limítrofe, mas costumam ser menos recorrentes.

Filha sofrendo com brigas dos pais

O que posso fazer se sou testemunha ou vítima deste comportamento?

É preciso levar em consideração que ser acusado deste tipo de maus-tratos infantil em um tribunal pode influenciar a custódia. Antes de ameaçar o executor dos atos com avisos à polícia ou aos serviços sociais, é importante conversar com ele. Fazê-lo entender que sua forma de agir não é a adequada e que a criança é quem mais sofre.

Se ainda assim a atitude manipuladora persistir, um juiz deverá determinar o que fazer. Muitas vezes os filhos se negam a viver com o outro progenitor pelo ódio infundado. A síndrome da alienação parental é um problema muito delicado que, na maioria das vezes, requer atenção psicológica. 

Ela causa efeitos devastadores nas crianças. A ansiedade e o medo diante do contato com o outro pai podem influenciar sua relação com este, além de prejudicar seu desenvolvimento emocional.

Sentir-se ridicularizado, não valorizado ou subestimado por expressar sentimentos positivos para com o outro pai influencia também a autoestima. Muitos arrastam estes traumas até a idade adulta, criando uma brecha irreconciliável entre eles e o pai afetado.

Como vemos, a síndrome da alienação parental merece especial atenção. Uma separação ou um divórcio não deve ser convertida em uma batalha psicológica entre quem em algum momento tomou a decisão de manter uma relação.

O mais adequado é focar a gestão da situação da melhor maneira possível, para evitar gerar mais dano, tanto em si mesmo como nos demais. Separar-se ou se divorciar não é agradável, principalmente quando os protagonistas da situação contribuem para piorar a situação.