Síndrome de Cotard: sintomas e causas

· julho 26, 2018

Popularmente, utilizamos a expressão “estar morto” para descrever uma tendência que muitas pessoas praticam diante da perda de esperança e da incapacidade de encontrar horizontes e razões para existir. Trata-se de uma maneira de falar que, naturalmente, não reflete uma situação na qual a pessoa está realmente morta.

No entanto, existe uma terrível doença mental que leva o significado dessa frase à sua expressão máxima. Estamos falando da síndrome de Cotard, também conhecida como delírio niilista ou negação. A maioria das pessoas que sofrem com ela acredita que está morta ou em estado de decomposição. Vamos explicar melhor.

A síndrome de Cotard

Quando falamos da síndrome de Cotard, nos referimos a um transtorno mental em que a pessoa se percebe como algo inexistente, separada da realidade ou mesmo morta.

Quando uma pessoa que sofre da síndrome de Cotard vê a si mesma, ela se percebe como algo estranho, afastado, até mesmo morto ou em estado de decomposição.
Homem com síndrome de Cotard

Uma pessoa que sofre com a síndrome de Cotard pensa que sua mente e seu corpo estão em planos de existência totalmente diferentes. Enquanto, para ela, seu corpo pode estar em decomposição em uma realidade que lhe é estranha, seu cérebro vive em uma vida diferente, então seu comportamento é estranho e errático. Além disso, a pessoa é capaz de perceber seu corpo a nível sensorial e se ver em um espelho sem alterações, mas notando seu reflexo como algo estranho.

A que se deve a síndrome de Cotard?

A síndrome de Cotard foi descrita pela primeira vez no fim do século XIX pelo neurologista francês Jules Cotard, ao tratar uma mulher que achava que estava a meio caminho entre o céu e o inferno, de modo que necessidades como comer e dormir, assim como todos os eventos na Terra, não tinham o menor significado para ela.

A síndrome de Cotard é muito complexa, tanto a nível de sintomas quanto de causas. Atualmente não se sabe o que a origina, mas sabe-se que está relacionada com o funcionamento do cérebro, em particular com o processamento de informações e com uma possível desconexão entre as áreas do cérebro destinadas ao reconhecimento facial (giro fusiforme) e as áreas relacionadas ao processamento de emoções (amígdala e sistema límbico).

Desta forma, a pessoa que sofre desta síndrome é capaz de processar os dados que recebe do ambiente de forma correta, mas a resposta emocional que gera não tem sentido ou significado para ela.

Em relação aos sintomas mais característicos, destaca-se a negação da existência, mas também podem aparecer alucinações, ansiedade, depressão, delírios e incapacidade de se relacionar com os outros. Os delírios mais comuns são a crença de ser imortal, ficar sem sangue ou sentir vermes sob a pele ao acreditar que seu corpo está em estado de putrefação.

Mulher com síndrome de Cotard

Indivíduos alheios à realidade

A pessoa que tem a síndrome de Cotard vive totalmente alheia à realidade. Segundo os especialistas, uma forma de experimentar uma sensação semelhante seria estar em um quarto com pouca luz e colocar uma de nossas mãos na frente dos olhos. Assim, perceberemos a silhueta e reconheceremos que é uma parte do nosso corpo, mas a escuridão pode fazer com que, apesar de tudo indicar que essa mão seja nossa, tenhamos a sensação de que não é.

Outra das principais características dessa síndrome é que a mente da pessoa distorce quase tudo que recebe, tanto informações sobre si mesma quanto sobre o ambiente. Por essa razão, às vezes ela toma a decisão de parar de comer ou beber. A síndrome lhe permite viver num limbo no qual a sua consciência se desenvolve num elevado plano existencial, enquanto seu corpo é uma concha vazia que não tem nada a ver com ela. No entanto, existem diferentes graus de envolvimento deste transtorno.

Como vemos, as consequências dessa síndrome podem ser muito graves para a pessoa, já que ela deixará de se preocupar com o seu bem-estar. Portanto, o mais recomendável é procurar um especialista para determinar qual é o tratamento mais apropriado.