A síndrome de salomão - os filhos diante da separação

A síndrome de salomão – os filhos diante da separação dos pais

Fevereiro 25, 2015 em Psicologia 4 Compartilhados

Contam as histórias bíblicas que duas mães brigavam por uma criança, alegando cada uma que era seu filho. Foram ver o sábio rei Salomão que decidiu, ao ver o problema, cortar a criança em duas para dividir em partes iguais. A história termina com o pranto da verdadeira mãe à qual foi devolvido seu filho, logicamente, inteiro.

Esta historia vemos repetida em muitas ocasiões na atualidade: os pais se separam e a criança, dividida entre dois afetos, sofre a síndrome de Salomão (Barbero e Bilbao, 2008).

O que entendemos por Síndrome de Salomão

Independentemente de a separação paternal ser mais ou menos traumática, o período de adaptação desde que se produz a separação até que se adquira uma nova rotina, arrasta um conjunto de alterações emocionais e sentimentos contrapostos para as crianças que veem como sua estrutura familiar muda drasticamente.

Prestar atenção nesse sintomas é a peça chave para evitar transtornos psicológicos de maior profundidade.

Emoções e vivências sobre a separação dos pais

Logicamente de acordo com a idade, a síndrome de Salomão toma uma forma ou outra.

A comunicação vai ser sempre a chave para melhorar a situação. Especialmente há algo que nunca pode ser esquecido: os sentimentos de tristeza, abandono ou culpa que possam sentir as crianças devem ser expressados e escutados.

Regressões, ansiedade, confusão emocional e luta de lealdades são sentimentos comuns que devem ser expressados.

Para uma criança pequena a separação dos pais é vivida somente como separação física e eles costumam senti-la como se fosse algo temporário. Com seu pensamento egocêntrico se sentem tremendamente culpados ao pensar que eles causaram o rompimento.

A medida que a criança entra na adolescência, seu maior desenvolvimento intelectual e emocional lhe permite considerar as situações produzidas e compreender os motivos; os adolescentes continuam de qualquer forma procurando a culpa, desta vez nos próprios pais ou em situações externas.

De qualquer forma, não é somente a idade que marca a vivência da separação. Fatores como as mudanças que a separação provoque na sua vida, a forma como os pais e o entorno próximo vivenciam o problema e a própria personalidade da criança compõem um quebra-cabeça para o qual não há receitas.

Comunicar aos filhos a separação

A síndrome de Salomão se produz inevitavelmente, mas nas mãos dos adultos sua superação é mais ou menos rápida. E um dos fatores que marca o princípio do fim é a forma como os pais se comunicam com seus filhos.

Não há um momento adequado para contá-lo. É verdade o que sempre se diz: os filhos têm uma receptividade emocional enorme e provavelmente levem tempo captando o desconforto entre os pais e as discussões. Mas isso não quer dizer que entendam que o rompimento definitivo será produzido, assim que é necessário falar expressamente sobre o tema.

O primeiro passo é que a criança entenda a separação. Não se trata de fazê-la compartilhar da culpa, queixas e brigas, mas sim que elas entendam que os pais já não se dão bem, e decidiram terminar o relacionamento, promovendo a ideia de que ninguém é culpado e de que será para sempre.

O segundo passo é observar os sentimentos e comportamentos das crianças, pedindo ajuda psicológica cedo se culpa excessiva ou confusão for observada.

O terceiro passo é encontrar um equilíbrio entre a necessidade de manter normas comuns em ambas as casas, para que a criança saiba o que sempre deverá ser cumprido e a necessidade de criar rotinas diferentes das que havia antes, visto que a situação mudou.

Em suma, uma separação é sempre um momento de dor, mas qualquer situação traumática envolve uma adaptação necessária. É no caminho de volta à normalidade onde se deve ajudar a criança, para que sejam sanados o máximo possível os sintomas da síndrome de Salomão.

Ilustração cedida por For Timbras

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