Sobrecarga emocional durante a pandemia: sintomas e enfrentamento

maio 22, 2020
Nossas emoções também nos sobrecarregam no atual contexto, enchendo-nos de apatia, de uma névoa mental na qual a concentração falha e até de uma exaustão física que se torna evidente. As emoções falam e devemos escutá-las, agora mais do que nunca.

A sobrecarga emocional durante a pandemia é uma realidade psicológica que começa a ser vivida por muitas pessoas. Entendemos essa dimensão como uma saturação de sentimentos, pensamentos e sensações que levam ao esgotamento mental e físico. É uma experiência avassaladora que pode se intensificar ao longo dos dias se medidas de enfrentamento adequadas não forem tomadas.

Carl Jung disse que a mente humana não oscila entre certo e errado, mas entre sentido e absurdo. É assim especialmente em tempos de dificuldade, crise e incerteza, como a atual pandemia.

Nesses momentos, é completamente normal cair em pensamentos filtrados pelo medo, um medo compreensível, mas que, às vezes, envolve a realidade e ergue muros sem deixar espaço para a esperança.

Se a isso você somar o fluxo constante de informações, dados, números e as incertezas sobre o futuro próximo, tem-se, portanto, um contexto propício que nos faz mudar de uma abordagem relaxada para outra onde a ansiedade predomina.

Sentir essa névoa caótica de emoções tomando os nossos dias é quase algo esperado, mas você deve manter o controle o máximo possível.

Quais são os sintomas de uma sobrecarga emocional durante a pandemia?

Quais são os sintomas de uma sobrecarga emocional durante a pandemia?

A sobrecarga emocional durante a pandemia pode ter duas origens. A primeira, e mais grave, pode surgir de uma experiência traumática, como a perda de um membro da família devido ao coronavírus. A combinação de emoções, o sofrimento e a evidente dificuldade em ficar de luto, dadas as circunstâncias atuais, potencializam essa realidade psicológica.

Por outro lado, essa saturação de emoções é bastante comum entre os profissionais de saúde. Eles experimentam em primeira mão os efeitos dessa pandemia, além de uma clara sobrecarga, e geralmente sofrem de fadiga por compaixão.

Além disso, a sobrecarga emocional durante a pandemia pode surgir de um acúmulo constante de pequenas situações. O estresse diário, as preocupações que se acumulam e os dias muito parecidos entre si nos fazem cair nesse abismo tão comum. Veja quais são os sintomas.

Como saber se você sofre de uma sobrecarga emocional?

Você reage desproporcionalmente a situações comuns. Por exemplo, ao voltar para casa depois de fazer compras e não encontrar as chaves no bolso, você experimenta uma sensação de pânico.

  • Também é comum a dificuldade de se concentrar e executar tarefas simples.
  • É difícil manter uma conversa normal com a família e os amigos. É como se os outros estivessem em outra frequência, onde você se sente incompreendido e até zangado.
  • As emoções estão sempre à flor da pele. Você sente vontade de chorar por qualquer coisa, fica com raiva por qualquer coisa e a apatia é constante, não permitindo que você se distraia com nada.
  • Por sua vez, existe um efeito evidente da sobrecarga emocional: cansaço físico. A exaustão é tão intensa que às vezes você até se pergunta se não pegou a COVID-19.
Homem preocupado com a pandemia

Como administrar os efeitos da sobrecarga emocional no atual contexto?

A sobrecarga emocional durante a pandemia alerta para algo óbvio: suas emoções estão falando e precisam da sua atenção. O objetivo, portanto, não é extinguir essa névoa emocional através da negação ou de uma abordagem lógica em que você diz a si mesmo: “Tenho que me concentrar e me controlar, senão vou perder a cabeça”.

Não é hora de ser duro consigo mesmo. As emoções dão significado à experiência, são o patrimônio da biologia humana e devem ser integradas através da aceitação. Somente então você lidará melhor com esses dias difíceis.

Aceitação e espaço para cada emoção sentida

Não se penalize nem vire o rosto para essa névoa emocional. Visualize-a como um emaranhado de linhas coloridas. Você deve separá-las uma por uma e identificá-las, dar um nome à elas. O que você sente? Tristeza, angústia, medo, frustração, nostalgia…

Divida, dê espaço e lugar a cada sentimento e aceite-se sem criticar a forma como você se sente. Essas emoções exigem o seu tempo, a sua compaixão.

Torne-se consciente do seu raciocínio emocional

Um dos motivos pelos quais essa sobrecarga emocional surge durante a pandemia é o raciocínio emocional que você faz de tudo o que escuta, pensa ou vê.

  • Se com cada número a mais de contágios ou de mortes você diz a si mesmo que a situação está ficando cada vez pior, que não há saída e que está se tornando mais angustiante a cada dia, você está processando a realidade através das emoções mais adversas. Isso é algo que você deve controlar.
  • Se você repete a si mesmo coisas como “não consigo lidar com a minha ansiedade”, você está dando um poder excessivo ao cérebro emocional, que apenas antecipa riscos e fatalidades.
  • Você deve subtrair o poder desse filtro emocional, reduzi-lo e diminuí-lo. Fique diante da porta dos seus pensamentos e aja como um guardião: não permita a entrada de ideias e verbalizações que pioram sua visão das coisas e de si mesmo.
Homem com nuvem na cabeça

Momentos de desconexão, espaços de calma

Sabemos que a sobrecarga emocional durante a pandemia é algo que muitos podem experimentar. Portanto, nunca é demais ter em mente algumas dicas simples para a sobrevivência diária.

  • Regule sua exposição à informação.
  • Mantenha um diário de emoções e pensamentos. Um diário de bordo onde você possa entrar em contato com o seu universo interno.
  • Dê a si mesmo momentos de calma para mergulhar em atividades agradáveis nas quais o pensamento descansa e as emoções positivas fluem.
  • Converse com pessoas que saibam ouvi-lo. Pessoas que adicionem e não subtraiam.
  • Pense em sua mente como em uma sala; ela deve estar organizada e a luz deve entrar em cada canto, sem deixar nada escuro. Em outras palavras, nenhuma emoção deve ser ignorada.

Para concluir, em situações difíceis, você nunca deve antecipar o pior para tentar estar preparado. Essa fórmula não funciona e serve apenas para aumentar a ansiedade e a sobrecarga emocional.

Nessas circunstâncias, existe um fator que sempre deve predominar em seus dias: a esperança.