Terapia focada em soluções: como ela pode nos ajudar?

Como uma terapia focada em soluções pode nos ajudar?

Maio 22, 2018 em Psicologia 0 Compartilhados
Terapia focada em soluções: como ela pode nos ajudar?

A terapia focada em soluções é um tipo de intervenção cujo objetivo é focar nas soluções, muito além dos próprios problemas. Desse modo, ela se baseia em uma observação das soluções que já foram utilizadas até então para as situações problemáticas que se apresentam. Essa terapia pretende explorar alternativas ainda não consideradas e, por isso, obter resultados novos.

Podemos definir a terapia focada em soluções como a arte de gerar soluções para problemas irresolúveis mediante uma lógica ordinária, rotineira e acessível. Para isso são utilizados, em muito casos, princípios que podem ir contra o senso comum. Esses recursos oferecem possibilidades antes inacessíveis porque elas estavam ocultas na pessoa sob esquemas rígidos.

A terapia focada em soluções afirma que não precisamos saber muito sobre a natureza dos problemas para resolvê-los. Os clientes realmente querem mudar e possuem recursos próprios para fazer isso acontecer.

Quais são os objetivos da terapia focada em soluções?

O objetivo dessa terapia é buscar uma nova solução para problemas que já temos ou que se repetem. A ideia é utilizar o o pensamento racional, lógico e analítico para a resolução de problemas.

Como isso é feito? Isso é alcançado a partir da definição de metas terapêuticas explícitas, estudando tentativas de solução anteriores, buscando informações sobre exceções (aqueles momentos nos quais o problema deveria aparecer mas não o faz), buscando soluções alternativas e aplicando soluções novas.

“Como terapeutas, temos um dever muito claro. Primeiro, conseguir clareza em nós mesmos, e buscar qualquer sinal de clareza nos outros e apoiá-los e reforçá-los em tudo que for saudável para eles.”
-Gregory Bateson-

Pessoa fazendo terapia

As premissas da terapia focada em soluções

Todos os problemas têm solução: está é a primeira premissa dessa teoria. Muitas vezes insistimos em resolver um problema do mesmo jeito sempre, mesmo que não dê certo. Há inclusive um ditado que diz: o homem é o único animal que tropeça duas vezes na mesma pedra.

Cognitivamente, ir mais além e buscar soluções diferentes das primeiras que aparecem na nossa mente ou que implicam ações diferentes das que estamos acostumados ou procedimentos distintos do que desenvolvemos até então tem um custo bastante alto. É por isso que insistimos em aplicar determinadas estratégias de resolução, mesmo que não sejam satisfatórias.

Por outro lado, se perguntarmos a um grupo de pessoas quais são as soluções para um problema, é certo que teremos tantas soluções quanto pessoas. Isso mostra a variabilidade de respostas possíveis existentes.

Em muitos momentos podem surgir soluções nada ortodoxas, nada formais e até mesmo pode ser que surjam ideias que não tenham uma relação direta com o problema. Mas tudo bem, pessoas com um mesmo problema podem tentar diversas soluções diferentes. Como o que importa é a solução, e não o problema, podemos tentar quantas soluções quisermos, até acertar.

O importante é encontrar o que funciona

A ênfase está em identificar o que funciona, sempre com o objetivo de trabalhar para aplicar essas sequências de ações para a solução. A atenção do processo dessa terapia está, então, no que já foi tentado como solução e nas exceções – momentos em que o problema teoricamente apareceria, mas não aparece. Identificar o que acontece de diferente pode mostrar uma possível solução.

A terapia focada em soluções se concentra nos problemas atuais, do passado e do futuro. A análise é feita a partir dos problemas que estamos experimentando agora, mas analisar a origem desses problemas pode nos inspirar a criar formas de agir, sendo sempre as alternativas o foco de atenção.

Não podemos esquecer, no entanto, que cada pessoa tem os elementos e habilidade necessárias para solucionar seu problema individualmente. Não se pede a uma pessoa nada que ela não possa fazer. Qualquer solução que já foi tentada, mas não funcionou, não é considerada um erro, e sim uma possibilidade de aprendizado e de melhora.

“O foco de atenção não é o problema, e sim a solução”.
-Nardone-

Engrenagens

A pessoa é responsável pela mudança

As soluções são aplicadas pela pessoa que tem o problema e, por isso, é sua responsabilidade realizar as várias tentativas até chegar a uma solução ótima. O psicólogo nunca mudará a realidade da pessoa, só ela mesma poderá mudar sua vida, intervir no seu mundo e finalmente transformar sua própria situação.

Além disso, deve-se analisar a situação em um contexto determinado de interações. Desse modo, uma mudança em uma pessoa mobiliza o resto dos membros de um sistema. Por isso, é importante mapear e entender o contato entre os diferentes membros implicados na problemática.

A relação terapêutica será sempre de respeito e igualdade. Os terapeutas adotam uma postura de espectador, alguém que está observando de longe. O respeito é entendido no sentido de observar e analisar a solução do problema em pé de igualdade com o paciente, considerando a importância desse acompanhamento e o uso de uma linguagem comum e não científica para estabelecer uma relação baseada em um diálogo compreensivo.

É importante lembrar que o terapeuta não mantém uma posição de especialista que deve dar as soluções. O terapeuta exerce um papel de acompanhante do processo. Nesse contexto, a terapia se estabelece como um processo comunicativo, ou um jogo de linguagem. Isso significa que se baseia em um diálogo e que o cliente ou paciente e o terapeuta exploram as soluções de um problema. Também é baseada em um jogo de construções de significados, já que tanto um quanto o outro são participantes de um processo contínuo de significação dos acontecimentos do dia a dia.

A terapia focada em soluções já foi aplicada em diferentes contextos. É efetiva sobretudo quando falamos de pessoas que mantêm padrões repetitivos de comportamentos e que possuem problemas a serem resolvidos, sem esquecer aqueles que estão passando por problemas pontuais e específicos, e resistem a intervenções tradicionais ou protocolares.

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