Terapia interpessoal para o tratamento da depressão segundo Klerman

A terapia interpessoal para o tratamento da depressão segundo Klerman

Abril 24, 2018 em Psicologia 93 Compartilhados
Terapia interpessoal para o tratamento da depressão

A terapia interpessoal para o tratamento da depressão é um procedimento especificamente projetado para intervir em transtornos depressivos. Baseia-se em um antecedente do modo de pensar da psiquiatria que era conhecida nos Estados Unidos como psiquiatria interpessoal.

A psiquiatria interpessoal começa com o trabalho de Adolf Meyer e Harry Stack Sullivan. Incorpora algumas ideias da psiquiatria social e retoma as concepções sobre os papéis sociais da escola de Chicago. No entanto, não é uma aplicação dos princípios gerais da psiquiatria interpessoal nos transtornos depressivos. Essa intervenção foi construída baseada em várias evidências de cinco áreas de pesquisa. Essas áreas destacam a importância dos eventos interpessoais nos transtornos depressivos.

A terapia interpessoal da depressão é uma psicoterapia centrada nos problemas psicossociais e interpessoais da pessoa que precisa de tratamento. Esta terapia não deriva diretamente da psicanálise, do behaviorismo ou da terapia cognitiva. No entanto, utiliza alguns conceitos dessas correntes. Com isso, contribui para aumentar as habilidades interpessoais do paciente e seu domínio sobre o próprio contexto psicossocial.

Podemos afirmar que a terapia interpessoal da depressão é uma ferramenta terapêutica essencialmente eclética. A terapia interpessoal da depressão enfoca as conexões entre patologia e contexto psicossocial. Dá mais importância ao presente do que ao passado.

Mulher enfrentando dificuldades

Apesar do terapeuta interpessoal investigar os relacionamentos antigos em busca de estilo de apego e vulnerabilidades, o foco serão os relacionamentos atuais, particularmente as mudanças recentes que poderão estar relacionadas com o objetivo do tratamento. A terapia interpessoal da depressão trata as relações pessoais do paciente no presente e intervém na formação dos sintomas, na disfunção social associada ao episódio depressivo atual.

A terapia de depressão interpessoal não é uma forma de terapia cognitivo-comportamental. O seu objetivo não é confrontar padrões de pensamento negativos, distorções cognitivas ou falsas atribuições.

Ênfase no psicossocial

Na terapia interpessoal da depressão, ‘psicossocial’ se refere principalmente aos diferentes papéis desempenhados pelo paciente e suas interações ambientais. O papel é entendido como o ponto de encontro entre o modo individual de ser e o que é mostrado aos outros.

Os diferentes papéis e relacionamentos podem ser alterados por sobrecargas emocionais ou de trabalho, conflitos e perdas. A alteração devido à sobrecarga tende a reduzir as forças. Os conflitos provocam angústia, e as perdas, depressão.

Normalmente, as perdas que podem ser tratadas pela psicoterapia interpessoal são o luto, o divórcio ou o desemprego. A terapia interpessoal da depressão parte do princípio que o surgimento do transtorno já modifica o contexto psicossocial e interpessoal do paciente.

A terapia interpessoal na prática

Para a terapia interpessoal, a depressão apresenta três níveis de abordagem. Esses três níveis seriam os seguintes:

  • Os sintomas.
  • As relações sociais e interpessoais do paciente.
  • Os conflitos explícitos.

A terapia interpessoal da depressão não considera importantes os traços de personalidade ou fatores existenciais e antropológicos. O seu objetivo fundamental é aliviar os sintomas do paciente e ajudá-lo a desenvolver estratégias para enfrentar as suas dificuldades sociais e interpessoais.

A terapia interpessoal da depressão enfatiza a situação atual do paciente. O passado é importante, mas apenas para entender melhor o estilo interativo de cada paciente. O espaço terapêutico concedido ao passado não ultrapassa o espaço concedido ao presente.

Essa terapia funciona com as cognições do paciente, mas não de maneira estruturada. Não usa protocolos detalhados ou tarefas para serem feitas em casa. Algumas técnicas comportamentais como dessensibilização sistemática, terapia de exposição ou análise de distorções cognitivas podem ser consideradas, mas não são incluídas como regra geral.

Sessão de terapia

A terapia interpessoal da depressão é baseada no modelo médico

A terapia interpessoal da depressão tem seus fundamentos no modelo médico. Muitas vezes, pode ser acompanhada de medicação antidepressiva e outras drogas psicotrópicas. Esse tipo de terapia, na sua forma original, é uma forma de psicoterapia breve. É realizada uma sessão por semana durante 3 a 6 meses. Cada sessão dura entre 40 e 50 minutos.

As novas aplicações da terapia interpessoal envolveram mudanças no conteúdo e na duração, que tendem a ser prolongadas. Portanto, a sua duração pode ser superior a 6 meses. A terapia interpessoal da depressão se desenvolve em três fases:

  • Fase inicial ou diagnóstica: da primeira à terceira sessão.
  • Fase intermediária ou focada: da quarta à décima sessão.
  • Última fase ou fase conclusiva: da décima primeira à décima segunda sessão.

Esse número de sessões por fase é aproximado. A terapia interpessoal da depressão defende a flexibilidade como regra geral a ser seguida pelo psicólogo. O terapeuta avalia a necessidade de medicação de acordo com a gravidade dos sintomas, o histórico clínico, a resposta ao tratamento e as preferências do paciente. O paciente deve ser informado sobre o diagnóstico e tratamento.

Nesse quadro terapêutico, o mais importante são as estratégias e os objetivos, e não tanto as técnicas. Isso diferencia esse tratamento de outras terapias para tratar a depressão.

A terapia interpessoal da depressão tem um grande prestígio e aceitação no complexo campo do tratamento dos transtornos depressivos. As pesquisas mostram que é uma alternativa ou complemento válido para o tratamento agudo, de continuação ou da depressão maior.

O objetivo da terapia é reduzir o isolamento social e melhorar os relacionamentos atuais, melhorando as habilidades de comunicação e possibilitando o aumento da competência social e da confiança do paciente.

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