Toda mulher tem uma loba dentro de si - A Mente é Maravilhosa

Toda mulher tem uma loba dentro de si

setembro 24, 2017 em Psicologia 3037 Compartilhados
Toda mulher tem uma loba dentro de si

Toda mulher tem uma loba dentro de si. No que você pensa quando lê esta frase?

A publicação do livro “Mulheres que correm com os lobos”, de Clarissa Pinkola, parece ter inaugurado um novo arquétipo para as mulheres: o da loba. O livro tem sido um verdadeiro sucesso, até o ponto em que já tem traduções para 18 idiomas e várias edições e reimpressões. O interessante sobre este texto é que ele apresenta uma maneira mágica e exultante de entender o feminismo.

A premissa básica deste trabalho é a de que toda mulher tem uma loba dentro de si, um espírito selvagem. Ele abriga uma energia vital e poderosa, o que torna a espontaneidade sua forma natural de ser. Essa fêmea também é feroz, sabe como se proteger dos predadores e supera a falta de experiência ou ingenuidade. A loba tem a força e pode fazê-lo, apesar de parecer estar dormindo por um tempo.

A loba tem sido um animal estigmatizado e muitas vezes menosprezado. Seu lado selvagem não é simplesmente pura ferocidade. Ela sabe como ser uma matriarca de sua matilha, sabe como guiar os seus. Ela é capaz de se tornar líder dos outros, sem medo e sem complexos. Ela aprende com as experiências e sabe como cuidar de si mesma.

A loba e as mulheres modernas

Embora a mulher moderna tenha alcançado realizações imensas e tenha se posicionado em muitos lugares de poder, ela está longe de sua essência de loba selvagem. Esta última não se curva diante dos mandatos dos outros, como acontece com a mulher moderna diante da publicidade. Também não permite que outros lhe digam qual o caminho a seguir. A loba é criativa, apaixonada, instintiva e sábia.

Toda mulher tem uma loba dentro de si

Ser mulher é um privilégio. No entanto, a cultura machista dominante transformou este em um fato menor, muitas vezes julgado assim pelas próprias mulheres. A própria civilização se originou em torno das mulheres. A princípio, o único vínculo de sangue que estava totalmente estabelecido era esse. Os coletivos humanos se reuniram em torno das mães, porque pouco se sabia sobre a paternidade. As sociedades humanas começaram tendo as mulheres como centro.

No início da humanidade, “a loba” realmente manteve seu lugar. Hoje, no entanto, o feminino está desvalorizado. Muitas mulheres tentam encontrar sua autonomia no caminho da imitação dos homens. Uma loba selvagem não é um macho: é uma mulher selvagem e determinada, e que aprecia o feminino que a constitui.

Em particular, uma loba não aceita o domínio dos outros sobre seu corpo. Dança sozinha ou acompanhada. Ela é alegre e está conectada com seus instintos e desejos. Não permite que alguém lhe diga o quanto deve pesar, quando deve ter filhos ou como deve agir para que outros a possam aplaudir.

Toda mulher tem uma loba dentro de si, mas encontrá-la é um desafio

A cultura impõe protótipos como o da “boa mulher” e o da “mulher ruim”. O primeiro é respeitável, um verdadeiro paradigma de virtudes no julgamento de muitos. A mulher ruim, por outro lado, coloca em risco a estabilidade porque propõe avanços. É por isso que, em muitas sociedades desse tipo, as mulheres são chamadas de “cadelas”, ou “raposas” e também lobas. Elas são as que dão “o que falar”. Eles escandalizam. Curiosamente, a palavra “prostituta” vem de “buzda”, o que significa “sabedoria”.

Toda mulher tem uma loba dentro de si

Roma, que era a capital do mundo, havia sido fundada por Rômulo e Remo, dois crianças abandonadas que sobreviveram porque uma loba os amamentou. Na Roma clássica, as prostitutas não eram mulheres que ofereciam seus favores sexuais por 15 minutos para a melhor proposta.

Elas geralmente eram educadas em política, astrologia, matemática e muito mais. Elas não ofereciam apenas sexo, mas companhia integral. Eram boas conversadoras. O conceito se assemelhava ao das “gueixas“. Isso pode até parecer uma loba, uma prostituta, mas não é.

A loba não exige, mas oferece. Ela não pergunta, mas dá. Mesmo assim, ela não é domesticada. Se você age desse jeito, é porque você se sente empoderada, não porque você é dependente. Ela sabe que pode sair a qualquer dia sem ter decidido seu destino antes mesmo de sair. Ela sabe que se pertence, e a quem pode se dar. Ela não tem medo de se entregar a outro porque é livre. Ela não tem medo do sofrimento porque sabe que é forte.

A loba é uma grande amiga, leal e protetora. Ela também é muito espiritual: dirige sua vida a partir de valores universais e não através de metas de fim de mês. Ela ama a arte, porque este é o melhor caminho para a livre expressão. Ela se ama sem cair no narcisismo ou no egoísmo. O melhor de tudo é que essa loba selvagem está em todas as mulheres. O que se precisa apenas é criar coragem e despertá-la.

Imagens cortesia de Lucy Campbell

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