Como tratar o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT)

· novembro 25, 2017

Todos nós já ouvimos falar do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Sabemos que as pessoas que sofrem desse transtorno são as que foram expostas a situações em que sentiram que corriam um grande perigo. De forma inesperada, alguma coisa aconteceu que as afetou de forma considerável.

Os abusos sexuais, os assaltos, as guerras, os atentados terroristas são alguns dos exemplos de acontecimentos que podem desencadear o transtorno de estresse pós-traumático. Mas não se trata apenas de situações provocadas pelo homem. Desastres naturais, como furacões ou terremotos, também podem ser a causa do transtorno. A pergunta é: como podemos tratá-lo?

“Cada guerra é uma destruição do espírito humano.”
-Henry Miller-

Os primeiros passos no tratamento do transtorno de estresse pós-traumático: psicoeducação e respiração

Quando alguém sofre um transtorno psicológico, a primeira coisa a fazer é pedir a ajuda de um psicólogo adequado. Neste sentido, para o tratamento do transtorno de estresse pós-traumático, a intervenção cognitivo-comportamental é aquela que goza de maior aceitação e a mais apoiada pela evidência empírica. Portanto, se quisermos minimizar o risco de cometer erros, será melhor encontrar um profissional que trabalhe com intervenções típicas desta corrente.

Este terapeuta realizará uma avaliação inicial, essencial para compreender os problemas que o paciente apresenta. Depois, é importante iniciar a psicoeducação: ele explicará ao paciente o que está acontecendo com ele em termos que possa entender. Aqui deve-se enfatizar os sintomas que a pessoa sofre, indicando por que eles aparecem, o que os mantém e como eles serão tratados.

Mulher explorando o mundo

O objetivo é que a pessoa compreenda, na medida do possível, o que está acontecendo com ela. Além disso, é fundamental que ela entenda por que e como vamos resolver o problema, para que cumpra com o tratamento e para que consigamos fazer com que ela melhore. Depois de ter entendido tudo isso, vamos ensinar algo fundamental ao paciente: relaxar.

Se treinarmos o paciente na respiração abdominal, estaremos fornecendo a ele uma ferramenta simples e muito útil que pode por em prática quando aparecer a ansiedade, tão característica do transtorno. Por outro lado, uma vez que o paciente tiver adquirido alguma facilidade com o procedimento, é importante que ele pratique de forma contínua desde o princípio.

“Às vezes a coisa mais produtiva que você pode fazer é relaxar.”
-Mark Black-

Como continuar com o tratamento do transtorno de estresse pós-traumático?

Além de fornecer ferramentas para que a pessoa coloque em prática quando a ansiedade aumentar, é importante trabalhar outros aspectos que estão lá, embora nem sempre sejam vistos. Falo dos pensamentos e crenças associadas ao evento que desencadeou tudo. Se não abordarmos isso, o tratamento do transtorno de estresse pós-traumático estará incompleto: será como colocar um gesso em uma ferida aberta.

Por isso, é importante que o paciente aprenda a identificar as ideias que aparecem em sua mente e que giram em torno da mesma mensagem: o que aconteceu foi sua culpa. Ou que ele não vai conseguir superar. Ou que o mundo está cheio de perigos e isso vai acontecer de novo. Ou seja, ele tem que aprender a localizar os pensamentos automáticos e as crenças irracionais quando ocorrerem.

Com isso, realizaremos o primeiro passo da reestruturação cognitiva. Depois, através do diálogo socrático, tudo isso será questionado na consulta. Desta forma, ao longo das sessões, a pessoa aprenderá a derrubar aquelas ideias que afetam a manutenção do transtorno.

Menina observando cidade devastada pela guerra

Finalizando o tratamento do transtorno de estresse pós-traumático

Para que o tratamento do transtorno de estresse pós-traumático esteja completo, é preciso adicionar algo mais. Visto que essas pessoas costumam evitar tudo aquilo que esteja relacionado com a situação em que viveram o perigo, é importante trabalhar a exposição, tanto na imaginação quanto na vida real.

Com isso, conseguimos que elas reduzam seu nível de ansiedade ao se acostumar com a situação. Além disso, elas vão aprender que lembrar do episódio não significa que tenham que ter a mesma experiência, assim como não necessariamente vão perder o controle novamente. Isso fará com que as pessoas diferenciem entre o evento traumático e outros associados a ele, mas que não são perigosos.

“Não há nada tão característico do progresso do animal até o homem como a diminuição da frequência de ocasiões justificadas para sentir medo.”
-William James-

Na consulta também será reforçada a ideia que foi trabalhada em terapia: aquilo que aconteceu foi algo concreto e específico, não um evento geral provável ou frequente. Por fim, fará com que sua sensação de autocontrole aumente, além de se ver como mais capaz de lidar com a situação.

Por último, como em todos os problemas de ansiedade, é importante incluir no tratamento de transtorno de estresse pós-traumático a prevenção de recaídas. Este último passo é fundamental, já que ajudará a garantir que o progresso conseguido se mantenha e proporcionará ao paciente um sentimento de empoderamento. Desta forma e seguindo o método científico, teremos conseguido que a pessoa recupere as rédeas da sua vida.

Imagens cortesia de Ian Espinosa, Ander Burdain e Jordy Meow.