Você é emocionalmente dependente? - A Mente é Maravilhosa

Você é emocionalmente dependente?

25, julho 2016 em Psicologia 814 Compartilhados
Você é emocionalmente dependente?

A dependência emocional é algo extremamente prejudicial e que costuma se acentuar com o passar dos anos. É importante saber que a dependência emocional não só não é amor, mas na maioria dos casos, a pessoa emocionalmente dependente revela a pior falta de amor possível: a de amor próprio.

Podemos ser dependentes de muitas coisas, não só de pessoas. A dependência emocional também pode se dar a uma ideia ou a uma substância. O reforço desta dependência emocional se baseia em dois canais: fugir da responsabilidade e evitar o suposto desconforto da solidão.

As consequências de ser emocionalmente dependente são desastrosas a longo prazo: nos vemos diante de relacionamentos, comportamentos e hábitos que realmente não nos completam. Fazemos isso por uma questão de nos sentirmos aceitos e acabamos por não aceitarmos a nós mesmos nem a realidade que nos rodeia.

Sou emocionalmente dependente por medo, não por gosto

Quando você descobre que é dependente de algo ou de alguém, certamente não experimenta uma sensação agradável. Muito pelo contrário, você se dá conta do grande número de decisões que tomou seguindo a direção que apontava o dedo dos outros. A verdade é que a maior parte dessas pessoas não fez isso com más intenções, e em grande parte não teriam feito se você não tivesse pedido a opinião delas.

Ser emocionalmente dependente implica decidir com base no que a outra parte espera de mim, e considerar que a última opção válida é o meu próprio ponto de vista.
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Prego com correntes

A maior parte das pessoas só se atreve a opinar sobre as escolhas pessoais dos outros quando sente que têm alguma possibilidade de influência. Poucas vezes você será questionado sobre o que faz ou pensa se não tiver aberto uma porta para permitir que os outros façam isso.

Abrimos a porta para que os outros deem suas opiniões porque duvidamos da nossa: dependemos dos outros porque duvidamos de nós mesmos.

Como se chega a ser dependente: o final de uma aprendizagem familiar e social

Muitas vezes nos tornamos dependentes com um único fim: o de evitar o sofrimento. Outra razão comum e muito mais profunda é não conhecer o verdadeiro significado de amar, que não é sinônimo de depender. Não devemos nos sentir ainda mais culpados por perceber isso, mesmo que possa ser muito doloroso olhar para trás e perceber de onde vem tudo isso.

É comum encontrarmos no ambiente familiar as origens de muitos dos nossos pontos fortes, mas também dos nossos medos mais profundos. Cada um de nós tem uma história única e irrepetível, porém só alguns aprendem com ela.

Outros se envolvem de forma cada vez mais forte em suas prisões, pois têm medo da liberdade, aquela que é determinada pela nossa capacidade de entender a origem dos comportamentos que nunca nos trazem bem-estar.

A armadilha do reforço negativo na família

Muitos pais e mães se sentem felizes por seus filhos chorarem inconsolavelmente pela sua ausência, desejarem sua presença em todo momento mesmo sem ser necessária, ou justificam seu direito de limitar o tempo e espaço que os seus filhos devem passar com outras pessoas. Escutamos frases como “Você não pode viver sem mim, me ama muito” ou “É normal que você não queira estar com outra pessoa, sou a sua mãe“.

“O homem foi forçado a aceitar o masoquismo como seu ideal, sob a ameaça de que o sadismo era sua única alternativa. Essa foi a maior fraude jamais perpetrada contra a humanidade. Esse foi o estratagema que fez com que a dependência e o sofrimento se perpetuassem como princípios essenciais da vida. A escolha não é sacrifício pessoal ou domínio sobre os outros. Ela é independência ou dependência. O código do criador ou o código do parasita que vive à custa dos outros. Essa é a questão básica. E ela procede da alternativa entre a vida e a morte.”
-Ayn Rand-

Boneca com cordas

É a armadilha do reforço negativo na família que não só dá lugar a pessoas dependentes, como também a personalidades que apresentam certos comportamentos antissociais: não colocam limites às demandas dos seus filhos, seja de afeto ou materiais.

Eles conseguem evitar o desconforto a curto prazo, mas a longo prazo contribuem para que seus filhos sejam cada vez mais mimados e dependentes. Estas crianças não estão tendo um apego seguro ou sendo amadas mais e melhor que as outras, estão simplesmente sendo moldadas para buscar sempre o seu bem-estar e não vão suportar a frustração no futuro.

Ser dependente e dependerem de você

Não há nada mais revelador para percebermos o quanto uma relação de dependência pode ser cansativa e desgastante do que quando não somos nós os que dependemos e nos mostramos inseguros ou ambivalentes, e sim quando a outra pessoa mostra essa atitude em relação a nós.

“A necessidade psicológica de saber que os outros te levam tão a sério como você leva a si mesmo. Não há nada particularmente errado nisso, as necessidades psicológicas são assim, mas é claro que devemos lembrar que uma necessidade profunda de qualquer coisa dos outros nos converte em presas fáceis.”
-David Foster Wallace-

Mulher segurando um balão olhando a paisagem

As pessoas que nos consultam continuamente sobre suas decisões, que nos revelam seus medos mais irracionais, em outras ocasiões também se mostram extremamente suspeitas e atentas com todas as atividades que fazemos. Nós sentimos um foco de atenção e pressão constante e desgastante porque cai sobre nós a responsabilidade implícita de não fazer a outra pessoa se sentir mal.

Neste momento tomamos consciência de como a nossa energia para amar desaparece, pois estamos muito esgotados com uma relação de dependência, na qual uma das partes assume parte da responsabilidade da outra porque esta não sabe tomar decisões por si mesma.

Superar a dependência

Tomar decisões sem se sentir culpado é tomar as rédeas da nossa vida. Fazer o que gostamos e queremos fazer sem consultar continuamente as outras pessoas é o primeiro passo de muitos outros. Saber que podemos tomar decisões que podem ser nossas, que não precisam ser explicadas nem muito menos justificadas.

Só nós mesmos nos conhecemos e sabemos por que agimos como agimos. Seguir os padrões de comportamento dos outros esperando que possa correr bem para nós é agir como uma marionete com cordas nas costas cada vez mais emaranhadas, longas e numerosas. Siga em frente cortando pouco a pouco essas cordas e transforme-se no protagonista da sua vida sem que ninguém tenha que movê-lo ou dublá-lo.

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