Você se conhece tão bem quanto pensa?

Nem sempre nos conhecemos tão bem quanto pensamos. Às vezes, basta enfrentar uma situação nova para descobrir coisas sobre nós mesmos que desconhecíamos completamente...
Você se conhece tão bem quanto pensa?

Última atualização: 11 Julho, 2021

Você se conhece tão bem quanto pensa? Talvez não. Você pode dar por certo aspectos que na verdade não o definem. Existe até a possibilidade de você estar subestimando sua autoeficácia e o seu potencial. É até possível que você tenha mudado tanto nos últimos anos que não tenha consciência de como está evoluindo, de por que reage da maneira como reage diante de certas coisas.

O psiquiatra Thomas Szasz observou que as pessoas são obcecadas por “encontrar” a si mesmas quando, na realidade, estão sempre no processo de criação. Não somos entidades estáveis ​​que devemos decifrar como quem resolve um mistério. Os seres humanos são criaturas em constante mudança que preservam certas essências, certas qualidades mais ou menos estáveis.

Dessa forma, mesmo que tentemos fazer um inventário de nós mesmos para descobrir o que está dentro de nós, é muito provável que encontremos vários desafios. Às vezes, até a nossa mente pode nos trair. O cérebro gosta de nos dar explicações um tanto enganosas sobre a nossa personalidade. Ele pode nos dizer, por exemplo, que somos um tanto falíveis e até inseguros.

No entanto, quando a vida nos testa, descobrimos que reagimos de uma forma extraordinária…

Mulher no campo sozinha

5 sinais de que talvez você não se conheça tão bem quanto pensa

Todos nós temos pontos cegos, ou seja, existem mecanismos psicológicos que nos impedem de nos ver como somos. Às vezes nossa mente está repleta de mecanismos de defesa que nos protegem, mas que tornam difícil ver as coisas como elas são. Podemos, por exemplo, negar que somos pessoas inseguras, dizendo a nós mesmos que, na verdade, temos uma personalidade cautelosa e prudente.

Ou seja, às vezes camuflamos traços de caráter como um mecanismo de autoproteção, e o fazemos inconscientemente. Além disso, figuras como o Dr. David Dunning, autor da famosa teoria do efeito Dunning-Kruger, apontam que cada um de nós reforça certas narrativas sobre o eu que ninguém pode contradizer, porque isso colocaria em questão nosso próprio valor e autoestima.

Por outro lado, estudos como os de Costa e McCrae lembram que nossos traços de personalidade começam a se estabilizar por volta dos 30 anos. Todos nós nos definimos a partir de então por um padrão mais ou menos constante em nosso modo de ser. No entanto, como este trabalho explica, às vezes certas experiências e eventos podem variar alguns desses traços.

Então, como saber se você conhece a si mesmo tão bem quanto pensa que conhece? Para descobrir, podemos refletir sobre uma série de questões. Vamos analisá-las.

1. Você se sente perdido e até hoje não sabe o que quer

Todos nós já nos sentimos perdidos em algum momento de nossas vidas. Porém, mais cedo ou mais tarde esclarecemos nossos valores e propósitos, reformulamos nossos objetivos e encontramos uma nova direção.

Agora, se você passou boa parte da sua existência sem saber o que realmente quer, o que espera e o que procura… Talvez devesse fazer um exercício de introspecção muito necessário.

  • Para saber quem você é, pergunte a si mesmo o que quer e o que espera da sua vida.

2. Até hoje, você ainda não entende por que toma certas decisões

Para saber se você se conhece tão bem quanto pensa, avalie suas decisões tomadas até o momento presente. Se você não sabe muito bem como chegou onde está, se não entende por que certas coisas aconteceram com você, talvez seja hora de parar.

Quando uma pessoa não conhece suas necessidades e desejos, ela se limita a se deixar levar. Quando são os outros que decidem por você, é porque você ainda não tem certeza de quem é e do que quer.

3. Você não se conhece tão bem quanto pensa se aceita o que os outros dizem sobre você

Pense nisso por um momento. Quem se deixa influenciar e valida o que os outros dizem sobre si ainda não sabe quem realmente é. Porque quando você se conhece a fundo, não presta atenção no que os outros podem dizer ou comentar.

  • O autoconhecimento nos dá segurança em nós mesmos. Os rótulos que querem nos colocar não nos definem.

4. Você procura respostas no exterior e não em seu interior

Não estar em sintonia com as suas necessidades, não entender por que se sente assim, culpar os outros pelas suas frustrações… Todas essas situações delineiam uma pessoa que não se conhece como merece e precisa.

Às vezes colocamos nos ombros dos outros a obrigação de nos fazer felizes, de resolver nossos problemas quando tudo isso é nossa responsabilidade.

  • Tudo o que você é e precisa está dentro de você. Quando você realmente se conhece, assume a responsabilidade pela sua vida e, então, se força a cuidar de si mesmo, a entender suas emoções, a buscar o seu bem-estar sem depender dos outros.
Jovem sorrindo na rua

5. Você esquece suas prioridades e se concentra nas dos outros

Para saber se você se conhece tão bem quanto pensa, pense em quais são as suas prioridades. Depois de esclarecê-las, pergunte a si mesmo se está cuidando delas.

Às vezes, quando não temos muita clareza sobre quem realmente somos, colocamos o nosso coração, os nossos olhos e a nossa atenção nas outras pessoas, no nosso parceiro, na nossa família, nos nossos amigos… Deixamo-nos levar e nos tornamos, sem saber, personagens secundários no teatro da vida. Poucas coisas são tão perigosas.

  • Se queremos ser protagonistas de nossa própria história, devemos trabalhar o autoconhecimento. Saber quem somos nos permite lembrar quais são as nossas prioridades para chegar onde queremos.

Para concluir, o exercício de saber quem somos é uma prática com a qual nos comprometemos diariamente. É uma jornada que não acaba nunca porque crescer é amadurecer, às vezes mudar, desenvolver-se em liberdade para estar sempre em sintonia com a nossa voz interior.

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  • Oh, I.-S., Wang, G., & Mount, M. K. (2011). Validity of observer ratings of the five-factor model of personality traits: A meta-analysis. Journal of Applied Psychology, 96(4), 762–773. https://doi.org/10.1037/a0021832