Responsabilidade pessoal: quando você é a pedra no seu sapato

27 Julho, 2020
Todos nós conhecemos aquela sensação desconfortável de ter uma pedra no sapato. Não precisa ser muito grande para causar dor ao caminhar, basta que esteja no lugar certo. Mas, o que podemos fazer com as nossas pedras psicológicas?

Sem responsabilidade pessoal, não há progresso, conquistas ou vitórias. Essa dimensão psicológica tem um grande impacto no âmbito social. Se todos nós assumíssemos um pouco mais de responsabilidade pelos nossos comportamentos e ações, talvez formássemos outro tipo de realidade; uma mais avançada, respeitosa e, acima de tudo, humana.

Em uma de suas palestras, Viktor Frankl disse que os americanos deveriam ter dado outro nome à icônica Estátua da Liberdade. Segundo esse famoso psiquiatra, ela deveria ser chamada de “Estátua da Responsabilidade”.

Essa sugestão foi baseada em uma ideia que pode ser aplicada a qualquer circunstância: a liberdade é uma faculdade inerente ao ser humano que só pode ser exercida mediante a responsabilidade.

Ser responsável significa cuidar de si mesmo e entender que todo ato ou ação tem uma consequência. Da mesma forma, como apontou o psicoterapeuta Albert Ellis, muitas pessoas acham mais fácil evitar certas responsabilidades do que enfrentá-las.

Como exemplo, algo que psicólogos veem em sessões de terapia é a incapacidade das pessoas de assumir total responsabilidade pelo que lhes acontece. Isso é um mecanismo de defesa que facilita culpar seu parceiro, sua família, seus colegas de trabalho ou os políticos pela sua infelicidade. Assim, as pessoas projetam seu desconforto nas outras, sem saber que muitas vezes a chave da mudança está dentro delas.

Mulher de olhos fechados

Responsabilidade pessoal: a pedra que você deve remover do seu sapato

Às vezes, você dá alguns tropeços. Seus pés doem, o sapato incomoda, e você sente que há algo dentro dele que dói toda vez que você dá um passo. No entanto, você não pára para descobrir o que está acontecendo. Em vez de se sentar e remover a pedra, você culpa o caminho em que está caminhando ou os sapatos de “má qualidade” que está usando.

A vida às vezes é injusta, especialmente para aqueles que não assumem o controle de suas próprias vidas para tentar resolver seus próprios problemas.

Você é responsável pelo seu bem-estar

Confúcio disse que o que está dentro de nós nos ataca mais do que o que está fora. Em outras palavras, é verdade que o que o rodeia determina a sua felicidade. Inclusive, também é verdade que fatores sociais e econômicos ou uma infância traumática podem condicioná-lo. No entanto, o principal inimigo do seu bem-estar é você mesmo, não o contexto ou o seu próprio passado.

A responsabilidade pessoal consiste, portanto, em saber como se comprometer a criar mudanças que sejam benéficas. Como fazer isso? Tomando decisões corajosas, agindo, sabendo do que você precisa e trabalhando nisso. Em primeiro lugar, você precisa parar de culpar os outros e assumir um papel de liderança na realidade que você quer criar.

Também é importante lembrar que ninguém vem ao mundo com uma saúde mental perfeita e à prova de adversidades. Você tem que aprender a ficar bem, algo com o que a terapia psicológica pode ajudar. Ela oferece estratégias para gerar mudanças que o aproximam de uma vida equilibrada e de um maior bem-estar.

“Os pais só podem dar bons conselhos e indicar bons caminhos, mas a formação final do caráter de uma pessoa está em suas próprias mãos”.
– Anne Frank-

Outras pessoas fazem coisas, mas você decide como se sentir

Sua “pedra no sapato” pode assumir muitas formas. Às vezes, são as coisas que tiram a sua paz e deixam você de mau humor e até com raiva. Outras vezes, você carrega a dor de um rompimento de uma relação ou de decepções.

Essa situação pode parecer familiar para você. Nesses casos, a responsabilidade pessoal também envolve assumir o controle das suas próprias emoções.

Você não pode carregar esse sofrimento com você o tempo todo como se fosse aquela pedra no sapato incômoda e dolorosa; você precisa remover a pedra. Isso significa, antes de tudo, aceitar e entender o impacto emocional. Após isso, você precisa regulá-lo, agir e tomar novas decisões.

Como explica um estudo do Instituto de Neurociência Cognitiva da University College London (UCL), trabalhar sua responsabilidade emocional o aproxima da felicidade.

Mulher caminhando na rua

Responsabilidade pessoal para aceitar falhas e seguir em frente

Ao longo da sua vida, você não encontrará apenas pedras ao longo do caminho. Você também verá becos sem saída e precipícios. É verdade que ninguém o prepara para essas situações inesperadas. Inclusive, quando elas acontecem, você tem duas opções.

A primeira e mais fácil é recuar, desistir e voltar por onde você veio. No entanto, isso não é o certo a se fazer. Afinal, a responsabilidade pessoal também significa que você deve entender que imprevistos fazem parte da vida. As pessoas cometem erros, e adversidades podem acontecer de qualquer forma.

Então qual é a segunda opção? Ser responsável, corajoso e comprometido. Inicialmente, você terá que dar um passo para trás, sim, mas apenas para ganhar impulso.

Para concluir, você precisa entender que não pode continuar culpando os outros pelo seu desconforto. Você pode e merece ser feliz novamente! No entanto, você precisa tomar decisões e, acima de tudo, assumir a responsabilidade pela sua própria vida.

  •  McKay, Gary (2002) How You Feel Is Up To You: The Power of Emotional Choice (Mental Health). Impact