Será que você vive na prisão criada pelo perfeccionismo?

Você vive na prisão do perfeccionismo?

dezembro 15, 2016 em Psicologia 1129 Compartilhados
Será que você vive na prisão criada pelo perfeccionismo?

Algumas pessoas vivem na prisão do perfeccionismo, em uma cela autoimposta, e “jogam a chave fora”, fascinadas pela conquista de um mundo ideal. E aprisionadas nesse mundo, se flagelam por não serem capazes de terminar qualquer coisa que começam.

Mesmo assim, não são capazes de sair desse mundo cheio de planos mirabolantes que pensam e repensam do início ao fim, mas nunca conseguem realizá-los, porque nenhum deles atinge a perfeição desejada. Nesta cela mental elas se isolam e sofrem porque são incapazes de mudar sua maneira de obter recompensas. Apesar de conhecerem o sucesso, não conhecem a comemoração.

Além disso, a rigidez do seu mundo e a sua inflexibilidade também se manifestam em seus relacionamentos familiares e de casal. Elas preferem fugir e viver na solidão para evitar a intimidade com os outros, do que ceder ou mudar os seus hábitos. Por isso, se mostram frias e indiferentes aos outros.

Perfeccionismo: quando nada é suficiente

O seu senso de autopercepção, da sua identidade, resultam da sua profissão. Em seu trabalho também são rígidas e buscam a perfeição, sem tolerar erros. E esta exigência é imposta não só para seu próprio desempenho, mas também para o dos colegas, o que lhes causa muitos problemas de adaptação no ambiente profissional.

prisao-perfeccionismo

Definitivamente, são aqueles típicos colegas de trabalho que dirigem tudo e acreditam que a sua opinião é a única correta e válida sobre qualquer assunto em questão. Mas isso não é o pior: eles são incapazes de entregar qualquer projeto a tempo, porque são muito detalhistas. Tudo tem que estar da forma que eles querem, nos mínimos detalhes.

Além disso, muitas vezes cometem o erro de fazer as mesmas coisas repetidas vezes, são perseverantes em suas ideias, mesmo que o que estejam fazendo não lhes traga um bom resultado. Ou seja, eles não param de correr, mas não conseguem atingir a meta.

Para eles, é muito difícil mudar a sua maneira de pensar ou agir, porque falamos de “um padrão de conduta permanente e inflexível de experiência interna e de comportamento que se desvia acentuadamente das expectativas da cultura do indivíduo”.

Portanto, para essas pessoas, infelizmente, nada é suficiente, aconteça o que acontecer. A perfeição é o seu tirano particular, a sua prisão e, em casos mais graves, precisam de ajuda profissional para se adaptarem às circunstâncias que os cercam.

O Transtorno da Personalidade não é TOC

Devemos diferenciar este Transtorno de Personalidade Obsessivo Compulsiva que acabamos de descrever, do Transtorno Obsessivo Compulsivo, conhecido como TOC. Certamente você já ouviu falar deste segundo transtorno de ansiedade, o TOC, caracterizado especialmente pela presença de obsessões e comportamentos compulsivos.

toc-organizacao

As obsessões são pensamentos invasivos e recorrentes que causam grande desconforto. As compulsões, no entanto, são comportamentos ou atos mentais que o sujeito faz para evitar o desconforto que as obsessões causam. Um exemplo disso, seria pensar repetidamente que “se não acender três vezes a luz de um quarto, quando entrar nele, uma desgraça acontecerá com a sua família (obsessão), de modo a evitar que isto aconteça, liga três vezes o interruptor (compulsão)”.

Em vez disso, o transtorno de personalidade não tem sintomas ou comportamentos obsessivos compulsivos aparentes ou mentais. Mas, como já disse, é caracterizado pelo perfeccionismo e rigidez mental, características compartilhadas com TOC, mas em um grau muito menor, porque no TOC são mais aparentes as obsessões e compulsões.

Se depois de ler este artigo você perceber que vive trancado na prisão do perfeccionismo, não hesite em procurar ajuda profissional para ser livre e perceber que viver em um mundo imperfeito é possível e, além disso, é uma alternativa saudável para a rigidez que o rodeia.

Recomendados para você