5 conselhos para oferecer apoio emocional

janeiro 25, 2019

Todos já estivemos ao lado de uma pessoa próxima quando esta estava em um estado emocional desagradável. Nessa situação, queríamos oferecer apoio emocional e atuar como suporte, mas não sabíamos exatamente como fazer isso.

Na literatura, o apoio emocional pode ser entendido como “o estabelecimento de uma relação pessoal entre a pessoa afetada e pessoa que procura prestar assistência, a fim de proporcionar tranquilidade e apoio, criar um clima de confiança, reduzir os seus medos e ansiedades, encorajar sua expressão emocional e ajudar-lhes em sua adaptação ao problema (Elsass, Duedahl et Cols., 1987).

Ao oferecer apoio emocional de maneira efetiva, o que fazemos é gerar e proteger um espaço de escuta, segurança e conforto em que o outro pode expressar-se livremente, sem se sentir julgado. Em consulta, o que fazemos, após a avaliação do caso, é fornecer uma série de ferramentas que a pessoa pode usar para sair dessa situação.

No entanto, se não somos profissionais, o que podemos fazer? Bom, aqui vai uma espécie de kit de primeiros socorros que podemos aplicar nessas situações.

“Se você precisar de uma mão, lembre-se de que eu tenho duas”.
-Santo Agostinho-

5 chaves para oferecer apoio emocional

Dicas para oferecer apoio emocional

1. Encontre um lugar apropriado

Trata-se de buscar um lugar confortável, longe de distrações (televisão, rádio, telefones celulares, outras pessoas que podem aparecer) onde a pessoa se sinta segura para o diálogo. Uma vez iniciado, ele deve ser interrompido pela menor quantidade de elementos externos possíveis.

2. Escuta ativa, sem julgar

Escutar com cuidado e atenção é uma das melhores formas de oferecer apoio emocional. Muitas vezes a pessoa precisa de alguém que a ajude a construir um relato do que aconteceu: um relato que possa integrar em sua história de vida e com o qual possa viver.

Por outro lado, ouvir não é dar soluções. Talvez você saiba exatamente o que faria em seu lugar, mas pense que aquele lugar é apenas daquela pessoa, configurado por uma enorme quantidade de particularidades.

Além disso, tente incluir na memória que está fazendo de seus relatos os menores elementos possíveis que puder recolher. Você pode pensar que a pessoa não fez algo por vergonha, mas a menos que ela lhe diga, esse sentimento não necessariamente faz parte do que aconteceu.

“O propósito da vida humana é servir, mostrar compaixão e estar disposto a ajudar os outros.”
-Albert Schweitzer-

3. Pratique a empatia

Já apontamos antes que a empatia não deixa de ser uma espécie de utopia: não é possível nos colocarmos no lugar do outro. Com isso, não queremos descartar a ideia de tentar entender o que acontece a partir de seu ponto de vista (sempre será melhor do que fazê-lo a partir do nosso).

Neste sentido, não devemos esquecer de colocar um ponto de prudência, porque este exercício, por definição, é imperfeito.

No caso de a pessoa começar a chorar, deixe-a expressar a emoção. Chorar é uma das melhores maneiras de mostrar as emoções e curar a alma. É uma das melhores maneiras de dizer: “Sou humano e preciso da sua companhia”. Não tente interromper o choro, pois isso pode fazer com que se sintam incompreendidos ou envergonhados.

Empatia para dar apoio emocional

4. Mostre afeto

Carinho raramente é demais. Pode ser um feedback para o outro, aquele sinal confirmando que ouvimos, a mensagem de que continuamos acompanhando. Esse afeto pode se materializar através de um abraço, mas também com um gesto ou simplesmente com palavras.

“O que significa ajudar? A ajuda é uma arte. Como toda arte, requer uma habilidade que pode ser aprendida e exercitada. Também requer empatia com a pessoa que procura ajuda. Ou seja, é necessário entender o que lhe pertence e, ao mesmo tempo, transcende-o e o direciona para um contexto mais global”.
-Bert Hellinger-

5. Busca de informações ou profissionais

O suporte profissional oferecido por profissionais qualificados sempre ajudará. Haverá situações que o exigem e outras que não, mas ele sempre virá para somar.

Felizmente, boa parte da sociedade começou a questionar a ideia de que só pessoas loucas se consultam com psicólogos. Pelo contrário, vão pessoas que se amam e que amam cuidar de sua saúde mental.

Elsass, P., Duedahl, H., Friis, B., Møller, I. W., & Sørensen, M. B. (1987). The psychological effects of having a contact‐person from the anesthetic staff. Acta anaesthesiologica scandinavica31(7), 584-586.