5 diferenças entre ansiedade patológica e ansiedade adaptativa

· abril 29, 2019
É saudável sentir ansiedade diante da presença de um risco, um perigo ou uma ameaça. Ficamos ansiosos porque é uma maneira de lidar com isso. O problema é ter episódios de ansiedade sem que haja uma ameaça real.

Atualmente, a palavra ansiedade tem uma conotação negativa. No entanto, em princípio, não se trata de um estado bom ou ruim, mas de um mecanismo de sobrevivência da condição humana. Se, diante do perigo real, não sentíssemos ansiedade, não poderíamos nos preparar para enfrentá-lo. Por isso, é importante entender a diferença entre ansiedade patológica e ansiedade adaptativa.

A ansiedade funciona como uma espécie de sinal de alarme. É ativada pela detecção da presença de algo potencialmente prejudicial para nós. A ativação, derivada da ansiedade, permite nos prepararmos para fugir ou lutar. Portanto, seu papel fundamental é de proteger e preservar nossa integridade e nossa vida. Isso é o que se chama de ansiedade adaptativa.

Outra coisa acontece quando não há uma ameaça real, mas a ansiedade é ativada de qualquer maneira, em função de perigos imaginários ou imprecisos. É quando os problemas começam. As pessoas acabam reagindo com fortes descargas de ansiedade diante de um estímulo insignificante e até mesmo inexistente. Nestes casos, o estado tende a se estender e atingir altos níveis de intensidade. Essa é a ansiedade patológica.

Para entender melhor o tópico, vamos ver quais são esses aspectos que fazem a diferença entre a ansiedade patológica e a adaptativa.

“A ansiedade não pode ser evitada, mas pode ser reduzida. A questão no manejo da ansiedade é reduzi-la a níveis normais e depois usar essa ansiedade normal como um estímulo para aumentar a própria percepção, a vigilância e a vontade de viver de uma pessoa”.
-Rollo May-

Mulher tendo crise de ansiedade

Aspectos para diferenciar ansiedade patológica e adaptativa

1. Intensidade

A intensidade é um dos fatores que faz uma grande diferença entre a ansiedade adaptativa e patológica. No primeiro caso, essa intensidade é proporcional à avaliação que fazemos do potencial de dano do estímulo.

Se estamos diante de um leão em uma clareira, é provável que o nosso nível de ativação seja acionado. Mas se enfrentarmos um exame de rotina ou ficarmos no meio de um engarrafamento, é provável que, aumentando a ativação, esta terá uma intensidade menor.

Por outro lado, na ansiedade patológica, a intensidade costuma ser muito alta: há uma distância muito grande entre o grau de ameaça real que o estímulo supõe e o que a pessoa estima. Desta forma, atravessar uma rua pode se tornar uma fonte de terror. Ou olhar pela janela de um prédio alto, apesar de estarmos protegidos por uma rede.

2. Frequência

Outro elemento que faz a diferença é a frequência. Na ansiedade adaptativa, os episódios ocorrem se houver um estímulo concreto que “a mereça”, algo que não acontece com muita frequência. Pode levar muitos dias sem que enfrentemos uma séria ameaça em potencial.

Na patológica, por outro lado, os episódios tendem a ser frequentes – dentro da definição de patológico: provoca um desequilíbrio de consequências negativas na vida da pessoa.

Em casos extremos você a sente diante de tudo, imagina perigos o tempo todo. Se a pessoa está em casa, teme que haja um terremoto a qualquer momento. Se estiver na rua, imagina que pode ser agredida ou atropelada por um carro.

3. Nível de reação

O nível de reação na ansiedade adaptativa é o que se espera de uma pessoa comum. Correr se tiver que se proteger de um objeto que está caindo, ou se esconder se houver um bandido ou um animal que esteja atacando. É o que qualquer pessoa racional faria.

Na ansiedade patológica existem reações desproporcionais. A pessoa perde o controle e age de forma irregular, mesmo que não haja nenhum perigo óbvio. É o caso daqueles que lavam as mãos 500 vezes ao dia por medo de pegar um vírus.

4. Duração

Outro elemento importante é a duração dos episódios. Na ansiedade adaptativa, os episódios têm uma duração limitada. Eles aparecem quando há risco ou perigo e são diluídos quando esse estímulo desaparece ou consegue ser controlado.

Na modalidade patológica, esses estados têm duração prolongada. O estado não desaparece completamente, mas tende a gerar uma espécie de eco emocional que permanece. Quando a pessoa perde o controle, não é fácil recuperá-lo.

Rapaz sofrendo de ansiedade

5. Profundidade

Na ansiedade adaptativa há sofrimento. No entanto, este é transitório e só atinge um certo ponto. Em geral, se difunde e praticamente não deixa vestígios na vida cotidiana. Depois do choque, a pessoa pode retornar às suas atividades sem problemas.

Na ansiedade patológica, o grau de sofrimento é muito maior. É vivenciada de maneira profunda e deixa um traço visível na vida da pessoa. De um modo ou de outro, a experiência começa a afetar o desenvolvimento de sua vida.

Derivado do anterior, há outro elemento que faz uma diferença importante. Na ansiedade patológica desenvolve-se o que é chamado “componente antecipatório”. Isso é, a pessoa permanece com a expectativa de que o estímulo que provoca angústia volte a aparecer. É por isso que não consegue ficar tranquila.

Assim, a ansiedade adaptativa é uma reação perfeitamente razoável a situações que põem em risco nossos mecanismos de sobrevivência. Por outro lado, a patológica é um estado em que existem fortes componentes irracionais, contra os quais é preciso receber tratamento profissional.

  • Orozco, W. N., & Baldares, M. J. V. (2012). Trastornos de ansiedad: revisión dirigida para atención primaria. Revista médica de costa rica y Centroamérica, 69(604), 497-507.