Autorrealização: da sobrevivência ao crescimento pessoal

Da sobrevivência ao crescimento pessoal: autorrealização

março 5, 2018 em Psicologia 0 Compartilhados
Autorrealização: da sobrevivência ao crescimento pessoal

Darwin nos ensinou que todos nós chegamos ao mundo trazendo uma bagagem de recursos que nos permitirão sobreviver de uma forma ou de outra. Como representa Abraham Maslow, a sobrevivência forma a base e a autorrealização está no topo da pirâmide hierárquica, na copa da árvore da classificação de nossas necessidades.

Nossas raízes são o que nos permite manter com vida, mas isso não significa que as folhas ou os frutos sejam menos importantes. Abraham Maslow estava muito interessado nas qualidades das pessoas que parecem funcionar de forma mais completa, saudável, ajustada e adaptada. Segundo ele, todas as pessoas têm o potencial para se autorrealizar, motivadas por desejos intrínsecos de abordar o tipo de pessoa que podem ser.

Eduardo Punset explica que, ao contrário de outros animais, nosso ciclo de vida nos permite estabelecer duas metas diferentes e relacionadas entre si: a manutenção e o cuidado do organismo e o alcance da felicidade (o último favorecido pelo aumento da expectativa de vida em nossa espécie).

Mulher feliz de braços abertos

Características da autorrealização

Em 1963, Abraham Maslow passou a acreditar que pessoas autorrealizadas compartilham algumas características:

  • São eficientes e precisas ao perceber a realidade.
  • Aceitam a si mesmas, aceitam os demais e a natureza.
  • São espontâneos em seus pensamentos e emoções. Naturais mais que artificiais.
  • Concentram-se nos problemas, preocupam-se com questões filosóficas.
  • São independentes e autônomos para alcançar a satisfação.
  • São boas em associar conhecimento e ideias.
  • Muitas vezes experimentam “sentimentos oceânicos”, sentimentos de ter uma relação com a natureza que transcende o tempo e o espaço.
  • Identificam-se com tudo que é humano: são democráticos e respeitosos com os outros.
  • Formam vínculos profundos, mas apenas com algumas pessoas.
  • Apreciam, por seu próprio valor, o processo de fazer as coisas.
  • Têm um senso de humor filosófico, atencioso e não hostil.
  • Recorrem à criatividade na busca por soluções e também possuem estratégias para despertá-la quando a sentem adormecida.
  • Mantêm um desapego interno da cultura em que vivem.
  • Eles são fortes o suficiente, independentes e têm tanta confiança em suas visões internas que às vezes podem parecer temperamentais e até insensíveis.

A intensa autorrealização: experiência de pico

Maslow usou o termo “experiência de pico” para se referir aos momentos de autorrealização intensa. Durante essas experiências, as pessoas têm a sensação de estarem conectadas aos elementos de seu ambiente. O psicólogo Mihalyi Csikszentmihalyi (1975, 1988) desenvolveu o conceito de Flow (fluir ou fluxo em português).

Este termo se refere às experiências ótimas, onde a percepção é mais aguda e há uma perda da noção de tempo. Os sentimentos experimentados são muitas vezes de admiração, maravilha e até mesmo êxtase. Pode acontecer passivamente, ouvindo uma música ou contemplando uma obra de arte, embora geralmente surjam quando a pessoa está totalmente imersa em uma atividade na qual ela produza.

Vale ressaltar que uma experiência de fluxo é composta de alguns componentes principais: objetivos claros e alcançáveis, alto grau de concentração e foco, retroalimentação direta e imediata, equilíbrio entre o nível de habilidade e o desafio, e uma motivação intrinsecamente gratificante.

“O objetivo principal é a autorrealização íntima do ser, que não deve ser negligenciada pelos objetivos secundários. O melhor serviço que pode ser feito aos outros é a libertação de si mesmo”.
-Buda Gautama-

Mulher feliz ouvindo música

Primeiro fluir, depois ser feliz

O certo é que é possível alcançar um estado de felicidade e autorrealização através de um processo consciente. Isso acontece quando nossa atenção se concentra em “algo” que nos provoca, posteriormente, uma sensação agradável.

É apropriado comentar que Csikszentmihalyi usou a palavra fluxo para descrever o estado mental que as pessoas sentem quando parecem manter um alto grau de concentração sem qualquer esforço, inclusive com alguma recreação. Este conceito alude ao sentimento e à emoção dessas ações ou movimentos raramente motivados por fatores externos no início, e nunca no final.

Mas essas experiências não precisam ser agradáveis. Como o autor expressa, quando fluímos não estamos felizes, mas não podemos ser felizes sem essas experiências de fluxo. Lembre-se de que a felicidade está intimamente relacionada com nossos estados internos. Fluir implica que nosso foco de atenção esteja totalmente focado na tarefa. Uma vez concluída, podemos nos concentrar no nosso estado, olhando para trás e considerando o que aconteceu.

“De certo modo, aqueles que estão ‘em fluxo’ não estão conscientes da experiência naquele momento; no entanto, quando refletem, sentem que estiveram totalmente vivos, plenamente realizados e envolvidos em uma experiência máxima”.
– Gardner, 1993 –

A sequência do conceito de flow seria assim:

  • Ação: realizamos algo e colocamos toda a nossa atenção em uma tarefa.
  • Visão: uma vez que completada a ação, consideramos o que aconteceu. Olhando para trás, avaliamos a experiência.
  • Emoção: para experimentar a felicidade, devemos concentrar nossa atenção em nossos estados internos, é então que podemos afirmar que somos felizes retrospectivamente.

A filosofia de Csikszentmihalyi concebe o verbo viver como uma fusão harmônica entre fazer, pensar e sentir. Definir metas e alcançá-las sem a sensação de que existe um sacrifício no meio nos permite não apenas alcançar o topo, a autorrealização, mas também fluir dentro e a partir de nosso interior para a busca da felicidade.

“Se você quer entender a palavra felicidade, tem que entendê-la como uma recompensa, e não como um fim.”
– Antoine de Saint-Exupery –

Referências:

Punset, E. (2005). A jornada para a felicidade. [ebook] Barcelona.

López Palenzuela, D. (s.f.) Psicologia da personalidade.

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