As 5 fases do sono

· dezembro 13, 2017

Por que dormimos? Por que passamos pelo menos um terço da nossa vida fazendo uma atividade que passa tão rápido? Muitos estudos sobre as fases do sono foram realizados para esclarecer essas duas perguntas. O sono é um comportamento muito importante na nossa vida. Falamos da necessidade imperiosa de dormir que nos obriga a procurar um lugar tranquilo, aconchegante e confortável para ficar ali por algumas horas.

A função do sono parece ser importante. Se evitarmos dormir, o corpo começa a insistir para fazermos isso. Os estudos mostram que se realizarmos muito exercício físico, o sono não vai ser alterado. Em contrapartida, após uma atividade mental intensa, o corpo precisa dormir mais.

Isso se deve ao fato de que a principal função de dormir é permitir que o cérebro descanse e se recupere da atividade mental realizada durante o dia. O descanso do cérebro é tão importante que se esse processo não acontecer, com base em estudos com animais, sabemos que morreríamos.

Sabemos que o sono está estruturado em uma série de fases as quais explicaremos a seguir. Vamos, portanto, nos aprofundar nas cinco fases do sono.

As fases do sono

O sono se divide em cinco fases denominadas de I a IV mais o sono REM (Rapid Eye Movement – “Movimento rápido dos olhos”, tradução livre). Desde o começo do sono, essas fases vão surgindo de maneira ordenada até chegar à fase REM. Depois, ao longo da noite, vão sendo alterados períodos de sono não-REM com períodos de sono REM. Cada um desses ciclos tem uma duração aproximada de 90 minutos. Portanto, em um período de sono de oito horas vão ocorrer quatro ou cinco ciclos.

As fases do sono foram descobertas através dos vários estudos em laboratórios do sono. Elas se diferenciam pela atividade mental registrada em um EEG (eletroencefalograma) e por várias ações fisiológicas. A seguir, vamos detalhar o que acontece em cada uma das fases do sono.

Mulher dormindo

Fase I do sono

Essa é a primeira fase do sono. Quando a pessoa fecha os olhos e percebe a sensação de sonolência, ela está nessa fase.  Aqui temos um indivíduo consciente e capaz de reagir aos estímulos do ambiente. Na verdade, é uma fase de transição entre a vigília e o sono.

A nível fisiológico, estamos perante ondas cerebrais theta. Isso quer dizer que a atividade do EEG começa a ser sincronizada. Embora continue sendo irregular, não é tanto quanto a atividade cerebral da vigília. Se observarmos os olhos de um indivíduo nessa fase, vamos perceber como eles abrem e fecham de vez em quando e como se movimentam de cima para baixo.

Fase II do sono

Após 10 minutos na fase I, o indivíduo que está dormindo entra na fase II. Agora ele está dormindo profundamente. Mas se o indivíduo acordar nessa fase, não vai se lembrar de ter dormido. Ele vai insistir que estava acordado o tempo todo. É uma fase preparatória para o verdadeiro sono conciliador das fases III e IV.

A nível fisiológico, apresentamos um EEG irregular com episódios de ondas theta. Se ocorrer um estímulo auditivo nessa fase, surge uma onda cerebral chamada complexo K. Essa onda parece representar um processo de inibição auditiva que impede que o indivíduo acorde.

Sonos de ondas lentas (fases III e IV)

Depois de 15 minutos na fase II, o indivíduo começa a fase III. Esse é o estágio no qual realmente ocorre o descanso reparador. A fase III e IV são bastante parecidas, há apenas uma mudança de profundidade e eficácia do sono.

Nessa fase, apresentamos um EEG de ondas lentas. Isso quer dizer que a atividade cerebral está altamente sincronizada e relaxada. Estamos com uma grande atividade neuronal inibitória, para evitar que o indivíduo acorde. Essa fase também é muito importante para os processos de consolidação da memória e da aprendizagem.

Homem dormindo para estudar fases do sono

Fase REM (Rapid Eye Movement)

A fase REM chega após 45 minutos de sono de ondas lentas. Ela é oposta às outras fases. Nesta nos encontramos em um estado parecido ao da vigília. A atividade cerebral está dessincronizada e acelerada. Apesar de ser difícil de acordar uma pessoa nessa fase, um estímulo significativo (como dizer o nome da pessoa) vai acordá-la. É bem menos profunda que o sono de ondas lentas.

Nessa fase, os olhos do indivíduo se movimentam rapidamente em todas as direções (por isso o nome da fase). E existe uma forte perda do tônus muscular, o indivíduo está paralisado. Essa paralisia se deve ao fato de que durante a fase REM ocorrem os sonhos. E para evitar que o indivíduo imite o que está fazendo nos sonhos, ocorre uma desconexão com os músculos.

Outro dado curioso da fase REM é que ocorre uma atividade genital que se materializa em lubrificação vaginal nas mulheres e ereção do pênis nos homens, sem que haja excitação sexual. Essa característica do sono REM foi utilizada no campo clínico para distinguir se as causas de uma impotência sexual são psicológicas ou fisiológicas.

A função da fase REM ainda não está de todo clara. Trata-se de uma fase importante, pois quando o indivíduo por alguma razão não passa por essa fase no sono, o corpo tenta compensar essa falta em sonos futuros. Os estudos apontam para uma função relacionada com a consolidação da memória e do aprendizado. Mas mesmo assim, ainda falta muito para conhecer tudo sobre essa fase paradoxal do sono.