As 5 liberdades de Virginia Satir para fortalecer a autoestima

· dezembro 6, 2018

Gostar de nós mesmos é uma das tarefas pendentes para a maioria de nós. Dar valor a si mesmo, apreciar a si mesmo e principalmente tratar a si mesmo com carinho não deveriam ser aspectos secundários da nossa rotina, e sim algo a ser feito sem falta em nosso dia a dia. Priorizar-se é fundamental se quereremos alcançar o bem-estar emocional e social e fortalecer a autoestima.

Só quando nos tratamos com respeito e dignidade somos capazes de utilizar todo o nosso potencial e, com base nisso, construir vínculos saudáveis e fortes com os demais. O autoconhecimento é a chave para se conectar profundamente e de forma sã com os outros. Agora… o que podemos fazer para chegar lá? O que podemos fazer se queremos começar a trabalhar o nosso amor próprio?

As 5 liberdades de Virginia Satir nos ajudarão a alcançar esse objetivo. São frases, um conjunto de poderosas afirmações elaboradas para iniciar um processo de desenvolvimento pessoal que tem como objetivo principal fortalecer a autoestima. Vamos vê-las a seguir.

5 liberdades para fortalecer a autoestima

“Considere todas as dificuldades como uma oportunidade para criar algo novo, aprendendo e crescendo a partir da forma criativa como você responder.”
-Virginia Satir-

A liberdade de ser

“A liberdade de ser e escutar o que está aqui, ao invés do que deveria ser, foi ou será”.

Essa é a primeira das liberdades de Virginia Satir, e está conectada com a importância de ser autêntico e de viver o presente em vez de ficar navegando pelas profundezas do passado, com a mente nas probabilidades do futuro, ou até mesmo pelos corredores de idealização e de projeções externas.

Mulher feliz com autoestima forte

Nossa mente pode nos levar para muitos caminhos, alguns deles, porém, nos escravizam através da culpa e nos fazem perder muito tempo ao criar realidades imaginárias que nos aprisionam, porque nos mostram um mundo utópico e não aquilo que realmente somos. Temos uma escolha, no entanto. Depende só de nós decidir para onde vamos dirigir nosso olhar e como vamos realizar nossa caminhada.

A chave está em estabelecer uma conexão profunda com nós mesmos e aceitar o presente. Podemos fazer planos, definir metas realistas a partir do que existe hoje, assim como pensar no passado para integrá-lo no presente, mas não temer o que vem nem se culpar pelo que passou. Se fizermos isso, os fantasmas do passado desaparecerão, assim como os temores do futuro e os ideais. Só assim seremos capazes de focar nossa atenção no presente para fluir e sermos apenas nós mesmos, sem filtros, livres de máscaras e de distrações.

A liberdade de dizer o que estamos sentindo e pensando

“A liberdade de dizer o que estamos sentindo ou o que estamos pensando, ao invés de o que deveríamos sentir ou deveríamos pensar”.

Na maioria dos casos, temos medo de que nossas palavras e pensamentos não sejam adequados, de que não tenhamos com eles a aprovação dos outros ou de que simplesmente machuquemos alguém. Por essa razão, acabamos muitas vezes expressando menos da metade do que estamos sentindo e pensando.

Dessa forma, acabamos nos disfarçando por trás de ideais em vez de criar relações realmente autênticas, construímos vínculos instáveis, com uma falsa base. É uma traição dupla, primeiro com nós mesmos por rejeitar a legitimidade do que há dentro de nós, e segundo com os outros por ocultar deles quem verdadeiramente somos. Claro, não esqueçamos que também podemos optar por não dizer nada. Se essa decisão é pessoal e não imposta do exterior, partindo de nós e não do que achamos que o outros espera escutar, é algo ótimo e saudável.

Não há nada de ruim em expressar nossos sentimentos e crenças se o fizermos levando em consideração o respeito e a responsabilidade emocional. Na verdade, esse é o mais recomendável se queremos que os outros nos conheçam e nos aceitem como somos, e se desejamos criar vínculos nobres com eles.

A liberdade de sentir

“A liberdade de sentir o que realmente estamos sentindo, ao invés do que deveríamos sentir”.

Essa é uma das liberdades de Virginia Satir que talvez seja a mais difícil, já que ninguém nos ensina ao longo da vida a identificar o que estamos sentindo. Em primeiro lugar temos que ter em mente que todas e cada uma das emoções são válidas, não temos que reprimir nem bloquear nenhuma emoção. Ao fazer isso não nos aprofundaremos na maravilhosa arte de conhecer a nós mesmos.

Uma vez que já sabemos que somos livres para viver e experimentar cada uma das emoções que estão dentro de nós, é importante treinar para identificar também a linguagem emocional. Isso porque em muitos momentos as emoções se maquiam, a tristeza se esconde atrás do medo, ou este se expressa por meio da raiva. O mais importante é escutá-las, concentrar-se em como você está se sentindo e no porquê para conhecer cada uma delas e depois poder lidar com os sentimentos e situações.

O mundo emocional que cada um de nós tem em nosso interior é um mapa que não nos ajuda só pessoalmente a descobrir quem somos, mas ajuda também os demais. Porque se não sabemos como os outros se sentem, dificilmente poderemos responder e agir de forma adequada em relação ao que foi estabelecido como relação, e vice-versa.

Coração desenhado na janela

A liberdade de pedir

“A liberdade de pedir o que você quer, no lugar de esperar uma permissão para fazê-lo”.

Não podemos ficar esperando que as oportunidades e as pessoas batam na nossa porta, nem podemos nos conformar com tudo que acontece conosco. Temos liberdade para escolher e para pedir.

Muitas vezes as pessoas que têm baixa autoestima costumam agir só quando alguém lhes deu permissão para isso. Isso acontece por uma insegurança crônica. É como se não pudessem decidir por si mesmas, porque alguém tirou esse direito delas. Só que quem tirou esse direito foram elas mesmas. E ainda que provavelmente isso tenha base no modo como foi sua infância, nunca é tarde para despertar e levantar a voz por si mesmo, para se fazer visível.

Uma vez que já sabemos quem somos, o que estamos sentindo e como expressar nossos sentimentos, o próximo grande passo é expressar o que queremos no agora, ir em sua busca e correr riscos.

A liberdade de correr riscos

“A liberdade de correr riscos por conta própria, no lugar de escolher só o que é seguro e não se arriscar nunca”.

A última das liberdades de Virginia Satir tem relação com correr riscos, com sair da zona de conforto que muitas vezes acaba sendo um refúgio mesmo que gere incômodos para nós.

Se queremos crescer, se queremos avançar, a única opção possível é agir e, é claro, assumir a responsabilidade sobre as consequências que derivam de nossos atos. Só assim poderemos aceitar os acontecimentos e aprender com eles. Enquanto não abandonarmos essa sensação de segurança e não enfrentarmos cara a cara a incerteza, é impossível seguir no caminho do autoconhecimento.

Como vemos, as 5 liberdades de Virginia Satir são um canto pelo amor próprio. Um conjunto de afirmações que nos convidam a refletir sobre que valor damos a nós, e quão autênticos somos com os demais.