5 sinais de agressividade encoberta

5 sinais de agressividade encoberta

maio 3, 2016 em Psicologia 723 Compartilhados
A agressividade encoberta

Em matéria de agressões, destacam-se dois tipos: a aberta e a encoberta. No primeiro caso (agressividade aberta), o comportamento agressivo se dá de forma direta e palpável: é evidente a plena luz.

No segundo caso (agressividade encoberta), o comportamento agressivo se dá de uma forma mais sutil, oculta ou, em outras palavras, camuflada e enganosa; isto é, implica um alto grau de manipulação.

“Existem três venenos primordiais: a paixão, a agressão e a ignorância.”
–Pema Chödron-

A diferença essencial entre uma e outra está na forma como as verdadeiras intenções da pessoa que provoca o ato agressivo se manifestam. A seguir mostramos cinco sinais que permitem identificar a agressividade encoberta.

Pistas da agressividade encoberta

1. A mentira: quando a verdade “não veste bem”

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É talvez a modalidade mais evidente de agressão encoberta, a forma mais comum de violentar a outra pessoa, pelo fato de falsear, em maior ou menor grau, alguma verdade que lhe preocupa.

Se a pessoa oculta alguma coisa de alguém, seja falando ou se calando, é talvez pelo temor ou pelo desejo de não querer enfrentar uma realidade. Isto se dá sem a permissão ou o consentimento da outra pessoa, de modo que ela está sendo agredida, de forma grave ou leve, dependendo da dimensão da mentira.

Quando a verdade é conhecida, normalmente leva a um conflito, com o qual se descobre que efetivamente havia uma agressão. Se assim não fosse, não haveria lugar para mal-entendidos.

Há situações em que a verdade é maior que nós mesmos e termina por nos vencer. Este é um círculo vicioso que rege uma infinidade de relacionamentos sociais e, pouco a pouco, os deteriora, inclusive, até destruí-los.

2. A culpa: ser “vitima” de si mesmo

Ocorre quando nos colocamos no papel de “vítima” em qualquer situação de conflito. Sentimos ou queremos sentir que somos objeto de uma “injustiça”, a qual tem origem na outra pessoa ou no grupo de pessoas envolvidas na disputa.

É uma forma típica de fugir da nossa responsabilidade, já que ao nos colocarmos em um contexto de vulnerabilidade e desamparo o único caminho que enxergamos como possível para “ganhar” a disputa é introduzir o sentimento de culpa; uma culpa que termina sendo mais contundente que os próprios feitos.

O lema ou o script é: ao me mostrar, consciente ou inconscientemente, como um “sacrificado” pelas circunstâncias, as outras pessoas irão sentir compaixão por mim e me satisfarão até os desejos mais tolos.

Paradoxalmente, o mais fraco passa a ser o mais forte: se faz mais forte na sua fraqueza do que o forte na sua força. Fazer o outro sentir culpa evidentemente “funciona”, e é uma forma encoberta de agredir aos outros, já que estão sendo manipulados.

3. Envergonhar: usar o poder para minimizar os outros

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Ocorre quando minimizamos a esfera ou a condição humana de alguém, talvez com o fim de nos sentirmos mais que o outro ou de ridicularizar a outra pessoa, ocultando a possível rejeição ou rancor que se sente por ela. É um poder soberbo exercido sobre uma fraqueza, erro ou deficiência.

Sempre que envergonhamos a outra pessoa passamos por cima desse alguém, de forma agressiva e até massacrante. Isso ocorre por causa da necessidade de se sentir melhor que os outros, ou por rejeitar a outra pessoa. Inclusive, em várias situações, por ambos motivos.

Por exemplo, quando se ridiculariza alguém em público, tirando sarro dessa pessoa, pode até parecer uma simples piada, mas talvez o verdadeiro pano de fundo das coisas possa ser muito maior: a verdadeira intenção pode ser passar por cima desse alguém para agredi-lo substancialmente.

4. Seduzir: a falsidade de “brincar” com o próprio ego e o ego alheio

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É quando bajulamos ou impressionamos outras pessoas para conseguir os nossos objetivos: nos valemos de qualquer fraqueza, em geral relativa ao ego de um indivíduo, para conseguir qualquer tipo de propósito.

A agressão não está nos eventuais detalhes “bonitos” que possamos ter com alguém, e sim em “brincar” com os sentimentos de outra pessoa para disfarçar uma determinada situação, com o objetivo de conseguir um fim obscuro ou egoísta.

É entrar na “ambivalência” do ego próprio e do ego alheio, já que muito provavelmente parto de uma mentira na qual a outra pessoa acredita; ou inclusive, parto de uma suposta verdade que o outro superdimensiona.

Sem dúvida, um “jogo” absurdo que não prosperará e no qual todos os envolvidos perderão. Obviamente a agressão encoberta vem, novamente, pela intenção, a manipulação e, consequentemente, pelo fato de usar as pessoas como se fossem objetos ou meios para conseguir qualquer finalidade.

5. A ausência: quando estando, não estou

Neste último caso, embora a pessoa esteja presente física, mental, cognitiva ou emocionalmente, parece estar longe da situação de conflito, em um comportamento evidente de nada me importa, isto é, “você pode ir embora com suas opiniões ou reclamações para outro lugar”.

Esta conduta é refletida, entre outras atitudes, no silêncio, em olhar para outro lado e não para a pessoa diretamente, no desconforto de ouvir e prestar atenção ao que estão dizendo, ou simplesmente em tratar o assunto objeto de controvérsia com frases muito curtas, que pouco dizem e não contêm argumentos.

Finalmente, neste cenário das agressões encobertas vale dizer que a conduta de um “bom manipulador” jamais será óbvia. Quem manipula esconde alguma coisa, e provavelmente precisa de algo que não pode ou não quer conseguir por seus próprios meios.

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Imagens cortesia de Jennifer Healy.

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