As 9 frases mais interessantes de Slavoj Žižek

· outubro 21, 2017

Slavoj Žižek é um filósofo esloveno, psicanalista e sociólogo que ganhou grande notoriedade em todo o mundo graças à sua perspectiva desenvolvida e profunda sobre a realidade contemporânea. Utiliza uma linguagem nova e engenhosa para explicar suas posições, algo que tem lhe dado reconhecimento e prestígio na “vitrine cultural”.

As abordagens de Žižek mesclam os princípios do materialismo dialético com a psicanálise lacaniana. Sua intenção é explicar a cultura popular atual. Denuncia as armadilhas ideológicas do poder e suas manifestações, buscando abrir a consciência para a compreensão de novas realidades. Além disso, o faz com simplicidade e sem perder o senso de humor.

“Não sou um ingênuo nem um utópico; eu sei que não haverá uma grande revolução. Apesar de tudo, podem ser feitas coisas úteis, como indicar os limites do sistema”.
– Slavoj Žižek-

Um dos aspectos mais interessantes de Slavoj Žižek é que ele usa o cinema e a literatura para explorar suas idéias. Em particular, recorre com frequência aos filmes de Alfred Hitchcock e David Lynch. Ele também cita Shakespeare, Kafka ou Lênin com grande naturalidade.

Žižek é um filósofo antissistema. Seu pensamento propõe e promove uma atitude de resistência frente ao consumismo e às privatizações do mercado. Ele também é um inimigo declarado dos fundamentalismos políticos e religiosos. Alguns o catalogam como anarquista, mas, na realidade, ele é acima de tudo um crítico ácido dos tempos atuais. Essas são algumas das suas afirmações mais interessantes.

Uma vida desprovida de substância

Pareceria que agora são promovidas algumas formas de existir que “não toquem” a vida, como ressalta essa extraordinária reflexão: “Parece como se em todos os níveis vivêssemos, cada vez mais, uma vida desprovida de substância. Se consome cerveja sem álcool, carne sem gordura, café sem cafeína e, eventualmente, sexo virtual… sem sexo”.

Nesse texto, Žižek descreve muito bem essa postura atual de rejeição a todos os “negativos”, como se cada realidade não implicasse benefícios e danos. Absolutamente tudo implica uma perda e um ganho, até essas posturas assépticas. Nesse sentido, querer se colocar à margem do “mal” não passa de uma paranoia infantil.

Casal sem rosto

Não mudar as pessoas, mas sim os sistemas

Para Žižek, o indivíduo é em grande parte determinado pelo seu entorno, por isso é difícil reconhecer se seu pensamento e ações nascem dele mesmo ou são o resultado da influência estrutural. A respeito, ele destaca: “Você não pode mudar as pessoas, mas pode mudar o sistema para que as pessoas não sejam pressionadas a fazer certas coisas”.

A afirmação pretende apontar que muitos dos comportamentos são induzidos pelo sistema de relacionamentos, de valores e de crenças nos quais um indivíduo se desenvolve. Deste modo, para induzir certas mudanças pessoais, também devemos transformar o contexto.

Não agir é deixá-los agir

O poder opera de diferentes formas sobre as pessoas. É o mesmo poder que induz uma atitude de passividade ou indiferença em alguns seres humanos. Isso se reflete na frase: “O fato de não fazer nada não é vazio, tem um significado: dizer sim às relações de dominação existentes”.

Slavoj Žižek, filósofo esloveno

Isso pode ser aplicado tanto para situações cotidianas como para grandes fatos sociais. O não agir, o não intervir ativamente, é uma forma de aceitar as condições dominantes. E tais condições são impostas desde o poder, em função da perpetuação.

O mesmo é verdade para a vida individual privada. Quem se mantém em estado de passividade está obedecendo a um mandato familiar ou do círculo interno. É a manifestação do totalitarismo na vida privada. Quem sente que não tem nada para fazer, mesmo que não perceba, está obedecendo a outro.

O amor, uma desgraça

Slavoj Žižek se distancia da visão romântica do amor. Pelo contrário, lhe dá um papel doloroso: “O amor é experimentado como uma grande desgraça, um parasita monstruoso, um estado de emergência permanente que arruina os pequenos prazeres”.

Esta afirmação não é uma rejeição do amor, nem um chamado para não experimentá-lo. Mas se trata de uma queixa. O amor, por um lado, dá plenitude. Mas por outro lado também quebra, rompe interiormente o indivíduo. Isso não é negativo, mas simplesmente natural para o ser humano.

Fracassar cada vez melhor

Žižek diz para não ter medo de falhar nas tentativas. Talvez o pior fracasso seja não tentar, como fica explicado nesta frase: “Após o fracasso, é possível seguir adiante e fracassar melhor; em vez disso, a indiferença nos afunda cada vez mais no pântano de ser estúpido”.

A tentativa, mesmo que seja falha, sempre permite melhorar. Se aprende, se cresce. Por outro lado, se você cai em uma posição passiva e indiferente, acontece o contrário. Aparece a decadência, o declínio, a estagnação total. A passividade equivale à morte da consciência.

Homem se equilibrando em corda bamba

Sistemas globais de pensamento

A história tem sido dominada pelos grandes sistemas do pensamento, que viram a si mesmos como universais. Agora estamos em um momento diferente, como se expressa aqui: “Nem no campo da política devemos aspirar a sistemas que explicam tudo e a projetos de emancipação global; a imposição violenta de grandes soluções deve dar lugar a formas específicas de intervenção e resistência”.

Os sistemas de pensamento com pretensões de universalidade têm passado por cima de muitas particularidades. Na verdade, muitas vezes foram impostos de maneira violenta. Agora é o momento de procurar o que nos diferencia, não o que nos torna uniformes.

A competição e a comparação

Este maravilhoso texto de Žižek denuncia uma realidade palpável atualidade: “Estamos presos em uma competição doentia, uma rede absurda de comparações com os demais. Não prestamos atenção suficiente no que nos faz sentir bem porque estamos obcecados medindo se temos mais ou menos prazer do que o restante”.

Estamos em uma época em que mais do que nunca temos nos submetido à aprovação ou a sanção social. Muitos definem suas ações e avaliações com base na comparação com os outros.

Nesse caso, o ponto não é encontrar o que os gratifica pessoalmente, mas medir se essa gratificação é superior ou inferior à dos demais. O que produz felicidade é superar os outros, mais do que experimentar um sentimento de realização próprio e pessoal.

Pessoas em escadas acima das nuvens

O papel da filosofia para Slavoj Žižek

Atualmente a filosofia não é um conhecimento orientado para revelar grandes verdades. Aos olhos de Žižek, seu papel é mais o de questionar e abrir as “verdades absolutas”. Isso se reflete nesta frase: “A filosofia não encontra soluções, mas levanta questões. Sua principal tarefa é corrigir as perguntas.”

Numa época em que a incerteza predomina, a filosofia contribui mais perguntando do que respondendo. As perguntas profundas e precisas nos aproximam de respostas mais exatas. Nesse sentido, talvez não tenhamos encontrado as perguntas certas. Este é o objetivo para o qual a filosofia deve apontar.

Não aos profetas, sim aos líderes

Os agentes de “verdades reveladas” fazem muito mais mal do que bem. Induzem a manter ideias absolutistas ou totalitárias que apenas conduzem a novas formas de escravidão. Por isso que Žižek aponta: “Não precisamos de profetas, mas de líderes que nos incentivem a usar a liberdade”.

O filósofo esloveno Slavoj Žižek

O papel do líder contemporâneo é ajudar os outros para que possam definir livremente o seu caminho, não para que sigam cegamente as abordagens de um homem ou de um grupo. Um verdadeiro líder encoraja a autonomia daqueles a quem guia. Promove que cada um seja líder de si mesmo.

Slavoj Žižek é um dos grandes pensadores dos nossos tempos. Suas reflexões contribuem para entender um mundo que se tornou muito complexo e que às vezes parece errático. Sem dúvida, é uma fonte de consulta obrigatória para quem procura calibrar a sua bússola na época em que vivemos.