A flexibilidade cognitiva é mais determinante do que o QI

A flexibilidade cognitiva é uma habilidade que não só nos permite tomar melhores decisões, mas também tem impacto no bem-estar emocional. Ela pode ser desenvolvida, tornando-se mais significativa na previsão de nosso sucesso futuro do que o QI clássico.
A flexibilidade cognitiva é mais determinante do que o QI

Última atualização: 01 dezembro, 2021

O IQ é referência, um sinônimo de sucesso ou condição necessária para o êxito de muitos. No entanto, muitas das grandes obras e descobertas têm sido frutos de pessoas que a princípio não se destacaram por terem o que, de uma forma clássica, foi considerada inteligência.

Quando você fala sobre flexibilidade cognitiva, você está se referindo a características como imaginação,criatividade, empatia e curiosidade. Tudo isso implica na capacidade de aprender a aprender e se adaptar às mudanças dinâmicas. Essas virtudes, juntamente com a perseverança, estão no centro de muitos avanços humanos.

Atualmente, a Cambridge University e a Nanyang Technological University estão conduzindo um estudo sobre flexibilidade cognitiva. Não têm dúvidas de que essa qualidade é mais decisiva do que o quociente de inteligência e por isso se empenharam em encontrar os meios para ajudar a desenvolvê-la. Vamos ver do que se trata.

A flexibilidade cognitiva é essencial para que a sociedade prospere. Pode ajudar a maximizar o potencial das pessoas para criar ideias inovadoras e invenções criativas. Em última análise, são essas qualidades que precisamos para resolver os grandes desafios de hoje.

-Beth Daley-

Mulher concentrada no computador pensando

Flexibilidade cognitiva

A flexibilidade cognitiva pode ser definida como uma habilidade que favorece a mudança de ponto de vista e a adaptação de comportamentos para enfrentar um novo ambiente. O normal é que as pessoas procurem aplicar os esquemas ou conceitos aprendidos às novas realidades, embora isso não seja realmente útil.

Por exemplo, muitas pessoas têm que resolver conflitos internos reais para fazer mudanças que lhes permitam se adaptar a novas circunstâncias – o mesmo acontece com empresas, instituições e organizações. Em vez de trabalhar para se adaptar a uma nova realidade, grande parte da população ficou desempregada, ansiando por “voltar” ao estado anterior.

Um exemplo não tão extremo é o de uma pessoa que sempre segue o mesmo caminho para ir ao trabalho. Se um dia ela descobre que algumas obras estão sendo feitas em seu percurso normal, ela tem duas opções. Uma, é seguir o mesmo caminho e chegar tarde. A outra, encontrar uma rota alternativa. É precisamente aqui que entra a flexibilidade cognitiva.

Racionalidade e criatividade

Os pesquisadores indicaram que a flexibilidade cognitiva está associada às regiões cerebrais frontais e “estriadas”. A primeira tem a ver com processos cognitivos superiores e a última com recompensa e motivação. Está provado que, se duas pessoas têm o mesmo QI, alguém que também tem esse tipo de flexibilidade terá um desempenho melhor.

Aparentemente, essa habilidade resulta em algo conhecido como “cognição fria “. Isso viria a ser uma forma de racionalidade pragmática, na qual há pouca influência das emoções. Corresponde a um processamento direto dos dados, sem medo ou raiva, por exemplo. Esse seria o caso de quem vê um incêndio na cozinha e joga um pano úmido para apagá-lo. Uma “cognição quente” o convida a chamar os  bombeiros.

A flexibilidade cognitiva dá mais ênfase ao processamento de informações do que outros fatores. O resultado é uma resposta mais racional a novas situações. Da mesma forma, enquanto prevalece o processo e não a aprendizagem prévia, soluções criativas e inovadoras são mais facilmente alcançadas.

Menino pensando

Empatia e resiliência

Em geral, o QI está mais associado ao que é conhecido como ” inteligência cristalizada “. Ela destaca a capacidade de entender novos conteúdos, assimilá-los e aplicá-los. O mesmo acontece ao julgar uma situação e tirar conclusões dela.

Por outro lado, a inteligência fluida, que corresponde à flexibilidade cognitiva, implica sobretudo a capacidade de raciocinar e contrastar dados. Isso, por sua vez, repercute não apenas na cognição como tal, mas também nas habilidades emocionais e sociais. Essa capacidade básica de adaptação tem como efeito uma maior resiliência, ou seja, maior capacidade de assumir e superar situações difíceis.

Por outro lado, a flexibilidade cognitiva também faz com que as pessoas desenvolvam mais empatia. Gera uma mente muito mais aberta para julgar os outros, o que afasta preconceitos. Tanto a empatia quanto a resiliência fazem com que a pessoa tenha um maior bem-estar emocional.

O estudo de Cambridge e Nanyang mostrou que o treinamento da flexibilidade cognitiva gera um progresso significativo em crianças com autismo e em adultos mais velhos. Em geral, qualquer pessoa se beneficia quando se fortalece e desenvolve a capacidade de se adaptar e encontrar novas formas de sair de uma dificuldade.

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  • Introzzi, I., Canet-Juric, L., Montes, S., López, S., & Mascarello, G. (2015). Procesos Inhibitorios y flexibilidad cognitiva: evidencia a favor de la Teoría de la Inercia Atencional. International journal of psychological research, 8(2), 60-74.