A mentira do medo de machucar alguém

A mentira do medo de machucar alguém

fevereiro 29, 2016 em Psicologia 0 Compartilhados

O medo de machucar alguém se manifesta através de uma frase muito comum: “Não queria fazer ou falar tal coisa por medo de machucá-lo”. Provavelmente todas as pessoas já utilizaram essa frase de um jeito ou de outro, mas o que ela realmente esconde? Esconde uma grande mentira associada a um sentimento de culpa.

Quantas coisas já deixamos de falar e de fazer por causa do medo de machucar outra pessoa, ou melhor, por achar que isso funciona dessa maneira. Na realidade, não sabemos o que pode machucar uma pessoa, e não estamos sendo honestos nem com nós mesmos. De forma secreta, enganamos a nós mesmos pela necessidade de nos protegermos.

Deixamos de dizer a verdade, deixamos de manter uma comunicação efetiva e autêntica, escondemos e ocultamos muitas informações que a outra pessoa mereceria e queria saber. E tudo isso acaba tendo algumas consequências que muitas vezes nós não queríamos considerar.

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A única pessoa responsável por como você se sente é você mesmo

Não temos a capacidade de fazer uma pessoa se sentir de uma determinada maneira. Isto não depende de nós; nem nossos atos, nem nossas palavras têm esse poder e, portanto, não podemos saber como alguém vai se sentir com alguma coisa.

Nós mesmos somos os responsáveis por aquilo que sentimos, nós geramos tudo através das interpretações que damos a algo que aconteceu, que nos foi feito ou dito. Existem muitas frases que nos fazem acreditar que somos responsáveis pelo que outras pessoas possam sentir:

  • Você fez com que eu me sentisse culpado(a) por esta situação.
  • Você me machucou.
  • Você me machucou com suas palavras.
  • Estou magoado(a) pelo seu comportamento.
  • Você faz com que eu me sinta triste.

Com estas frases, e tudo o que tenha a ver com se fazer responsável pela forma como fazemos outra pessoa se sentir, estamos deixando de assumir nossa responsabilidade e a realidade de que essas sensações, esses sentimentos e emoções, são gerados por nós, através de nossa interação com outras pessoas.

O medo de machucar esconde outros medos

Nós nos configuramos assim, e utilizamos o “eu sou assim” para justificar que nós acreditamos que somos verdadeiramente os responsáveis pela forma como a outra pessoa pode se sentir.

Nós acreditamos que o que realmente acontece é que temos medo de machucar outra pessoa, e nos amparamos nesse pensamento. Ao acreditarmos nisso, podemos nos enganar indiscriminadamente. E, em nossa fantasia, somos os salvadores que preferem enganar ao invés de machucar.

O que estamos realmente justificando com essa atitude? Estamos justificando nossos medos, e, sobretudo, nossa culpabilidade. Ao nos sentirmos culpados, imediatamente disparam-se os alarmes que evitam que a verdade seja conhecida. Nos protegemos de algumas consequências que não queremos assumir.

No entanto, nos sentimos culpados porque nós inferimos automaticamente que a outra pessoa vai nos responsabilizar por como se sente. Podemos nos livrar dessa culpa se formos capazes de assumir que não somos responsáveis pela forma como você acaba fazendo a outra pessoa se sentir.

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Livre-se da sua culpa

O sentimento de culpa gerado por nossas inseguranças e pensamentos próprios é o que determina condutas que nos distanciam de outras pessoas. Nos protegemos evitando a autenticidade e a clareza, por não enfrentarmos nossos medos.

Você deve compreender, aceitar e integrar que você não é responsável pela forma como outra pessoa pode se sentir, já que você não tem o poder de machucá-la, nem de evitar sua dor. Você entrará em contato profundo com você mesmo, não desviará a atenção do que realmente acontece: seus medos não permitem entender claramente que você está evitando uma situação que lhe causa desconforto e angústia.

Enfrentar essa situação nos permite não apenas conhecer melhor a nós mesmos e nossos medos, mas também a recuperar o valor de ser honesto e enfrentar as consequências de nossas ações. E isso contribui para manter relações mais autênticas e estáveis; baseadas na confiança.

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