A técnica dos seis chapéus para pensar, de Edward de Bono

· junho 20, 2018

Talvez essa técnica seja conhecida por muitos, e é provável que a maioria das pessoas tenham sido ajudadas por ela na hora de resolver problemas de uma forma mais original. A técnica dos seis chapéus para pensar, desenvolvida por Edward de Bono, é uma ferramenta de comunicação e raciocínio muito eficaz. Graças a ela, vemos nossas realidades pessoais a partir de diversos ângulos e perspectivas, aplicando por sua vez o pensamento lateral.

Edward de Bono já tem 84 anos, mas continua na ativa. Este psicólogo maltês e professor da Universidade de Oxford já deixou um legado mais do que apreciável no campo da criatividade, ressaltando o potencial do pensamento e enriquecendo o mundo do management, os processos que caracterizam o mundo das organizações.

“Geralmente, os únicos que estão satisfeitos com sua capacidade de pensamento são aqueles pobres pensadores que acreditam que o objetivo de pensar é provar que eles têm razão, para a sua própria satisfação.”
– Edward de Bono –

Assim, é muito possível que alguém já tenha testado em alguma ocasião a técnica dos seis chapéus para pensar. Esta dinâmica é muito clássica para favorecer a comunicação nas empresas, ainda que também costume ser usada como exercício nas universidades e nas escolas com crianças, para que aprendam a pensar melhor e chegar a acordos em grupo.

Algo que de Bono nos transmite, tanto com esta conhecida técnica dos 6 chapéus quanto em outros de seus enfoques, é que todos deveríamos aprender a pensar melhor. Dentro desse “deveríamos” está incluído o fato de que podemos fazê-lo.

Abrir perspectivas a outros enfoques, aprender a ser mais flexível, reflexivo e original em nossos esquemas de raciocínio nos permitiria não só tomar decisões melhores, mas também melhorar a qualidade de nossas relações e a nossa produtividade.

Técnica dos seis chapéus para pensar

Técnica dos seis chapéus

A técnica dos seis chapéus para pensar, de Edward de Bono, segue sempre a mesma pauta, a mesma estratégia. Porém, por mais simples que essa dinâmica possa parecer, ela não deixa de ter um impacto muito positivo em nosso cérebro, visto que o que estamos fazendo é um “treinamento” para aprendermos a pensar melhor.

Um aspecto que Bono sugere em seu livro dos “6 chapéus” é que algo tão simples como pôr um chapéu na cabeça constitui, muitas vezes, um ato deliberado. O pensamento também deveria seguir esta regra, “ser deliberado e muito avaliado”. Pensar bem para viver melhor é uma regra a seguir e, por isso, nada melhor do que fazer uso de “vários chapéus” para conseguir um estilo de pensamento variado, ágil e criativo.

Assim, o que esta técnica procura é representar seis direções de pensamento contidas em seis chapéus imaginários. Quando surge um problema ou tentamos tomar uma decisão, cada chapéu nos oferece uma premissa, uma visão, um enquadramento. Uma vez que tenhamos usado todos de forma proativa, nos sentiremos mais capacitados para tomar uma decisão.

Vejamos agora o que cada chapéu nos ensina.

O chapéu branco

Técnica dos seis chapéus - Chapéu branco

Este chapéu nos ensinará a ver as coisas a partir de um ponto de vista objetivo, neutro e livre de preconceitos. O estilo de pensamento que aplicaremos se baseará na análise dos dados, no contraste da informação proporcionada sem emitir juízos de valor.

  • O chapéu branco busca fatos concretos.
  • Não interpreta e nem dá opiniões.

Chapéu preto

  • O chapéu preto representa o lógico-negativo e nos ensina a compreender por que certas coisas podem dar errado, não funcionar ou não acontecer da forma como nós pensamos.
  • Ele também nos ajuda a ser críticos e ver a parte negativa das coisas para sermos mais realistas.
  • Às vezes, é necessário ser conscientes dos fatos adversos ou complexos, dos muros sem saída que é preciso aceitar para encontrar alternativas mais válidas.
  • Este tipo de pensamento se nutre também de nossa experiência passada, aquela que nos lembra dos erros de ontem, que nos diz que é melhor tentar coisas novas antes de cair de novo nas mesmas armadilhas.

Chapéu verde

  • O chapéu verde exige originalidade, criatividade, cruzar fronteiras, fazer o possível e o impossível.
  • Neste chapéu está o pensamento lateral, que nos convida a ser provocativos e não tão conservadores, a usar o movimento do novo ao invés do julgamento restritivo.
  • Este tipo de pensamento nos lembra, por sua vez, que não é bom se sentir satisfeito rapidamente, que é preciso encontrar mais rotas, mais alternativas, criar mais propostas…

Chapéu vermelho

Técnica dos seis chapéus - Chapéu vermelho

  • O chapéu vermelho é passional, é emotivo, e sente a vida a partir do coração e do universo emocional.
  • Enquanto o chapéu branco nos permitirá fazer uso da lógica mais neutra, cuidadosa e objetiva, o vermelho nos lançará ao vazio para abraçarmos esse mundo habitado pelas subjetividades mais palpitantes e, ao mesmo tempo, livres.
  • Nesse caso, e ao colocarmos este chapéu, teremos a oportunidade de dizer em voz alta o que nos apaixona, o que nos inquieta ou o que nossa intuição diz a respeito da informação que temos. Também nos permitirá entender as emoções dos outros, as necessidades alheias.

Chapéu amarelo

Enquanto o chapéu preto nos oferecia um enfoque lógico-negativo útil para sermos mais realistas em nosso dia a dia, o chapéu amarelo nos ensina a aplicar um enfoque de pensamento lógico-positivo.

  • Poderemos ver possibilidades onde os outros enxergam portas fechadas.
  • Desenvolveremos um enfoque construtivo e otimista.
  • Essa positividade, essa abertura, estará caracterizada a todo momento pela lógica. No caso de não manter esta linha e de nos deixarmos levar pela fantasia ou pela paixão às vezes irracional, estaremos usando o chapéu vermelho, e não o amarelo.

Chapéu azul

Técnica dos seis chapéus - Chapéu azul

A cor azul engloba tudo, sempre está presente e domina cada lugar. Por sua vez, transmite tranquilidade, equilíbrio e também autocontrole. Assim, dentro da técnica dos 6 chapéus, este é o que tem o controle sobre todo o processo, e por isso é usado duas vezes nesta dinâmica: no início e no fim.

  • No início para dizer quais chapéus vamos usar, qual ordem devemos seguir, e no fim, para tomarmos uma decisão.
  • O chapéu azul representa, portanto, o pensamento estruturado, o que se centra e nos guia em cada passo, assinalando alternativas, propondo novas estratégias e mantendo o controle em cada sequência para que não fiquemos estagnados.

Para concluir, a técnica dos seis chapéus para pensar continua sendo uma boa estratégia para melhorar a qualidade de nossa tomada de decisões. Graças a ela aplicamos os estilos de pensamento necessários para avaliar os problemas ou os fatos que nos rodeiam a partir de todas as perspectivas e enfoques possíveis. As respostas que emitirmos depois não só serão mais acertadas, mas também serão muito mais criativas e originais.

O importante de uma bicicleta – ou do pensamento criativo – é se mover; o freio – ou o pensamento negativo – e só um mecanismo de segurança.