A tristeza dos elefantes, uma história real

· maio 8, 2019
Os protagonistas da história da tristeza dos elefantes são Lawrence Anthony, um conservacionista africano, e um grupo de elefantes rebeldes com os quais ele conviveu e com quem falava como se fossem humanos.

A história da tristeza dos elefantes é um desses fatos reais que desafiam a ficção. Na verdade, há alguns aspectos do acontecido que ainda não têm explicação alguma. Simplesmente aconteceram e ainda não sabemos por quê.

Tudo começou com um homem chamado Lawrence Anthony, que nasceu na África do Sul em 1950. Era filho de um próspero mineiro escocês que tinha deixado seu país natal depois de se apaixonar pela África. Lawrence herdou tanto o negócio da mina quanto o amor pela natureza que tanto marcou seu pai.

Lawrence Anthony tornou-se biólogo e conservacionista. Tinha uma atração especial por elefantes, uma das espécies em maior risco de extinção em todo o mundo. Por isso, começou seus esforços para realizar todo tipo de ação para protegê-los. Assim começa a história da tristeza dos elefantes.

“Nossos companheiros perfeito nunca têm menos de quatro patas”.
-Colette-

Elefantes amigos

A tristeza dos elefantes

Antes de continuar com a história de Lawrence Anthony, falemos um pouco sobre os elefantes. Essa espécie é mais conhecida por seus espetáculos em circos, apesar de contar com extraordinárias capacidades. Seu lugar na evolução só é comparável com o dos chimpanzés e dos golfinhos.

Os elefantes têm um cérebro grande. De fato, nenhum outro animal terrestre possui um cérebro desse tamanho. Isso os torna animais muito inteligentes. Eles não só possuem uma memória impressionante, mas também é incrível a sua quantidade e complexidade de comportamentos sociais, que são realmente muito avançados.

Um dos aspectos mais chamativos dos elefantes é que são uma das poucas espécies que experimentam luto pelos mortos. A tristeza dos elefantes é expressada por meio de diversos rituais funerários quando um animal dessa espécie morre. Não precisa nem ser alguém da mesma manada. Quando encontram um cadáver ou ossos de um dos seus, sempre ficam parados ali, rodeando, em uma espécie de homenagem.

Os elefantes em perigo

Voltemos agora para história de Lawrence Anthony. Seu nome começou a se tornar famoso por um fato ocorrido em 1999. Em uma pequena aldeia chamada Zuzulanda, apareceu uma oferta incomum: quem quisesse poderia ser presenteado com uma manada de elefantes. O problema é que se tratava de um grupo bastante conflituoso, a ponto de serem considerados elefantes selvagens. Quebravam coisas, não obedeciam ninguém e fugiam sempre que podiam.

Lawrence Anthony decidiu aceitar o desafio. Adotou a manada de elefantes e partiu com eles para a reserva que ele mesmo havia construído: Thula Thula, que significa paz e tranquilidade.

Notou que Nana, a matriarca da manada, era uma das mais rebeldes. Tinha marcas de ter sido maltratada e fugia sempre que podia. Lawrence decidiu dormir todas as noites no meio da manada, com seu auxiliar David e seu cachorro. Uma cerca delimitava o terreno.

Todas as manhãs, Nana se juntava aos demais elefantes. Sua intenção era derrubar a cerca. Conta a história da tristeza dos elefantes, no entanto, que Lawrence falava com eles sobre o perigo que correriam se saíssem da reserva.

Nana começou a sentir curiosidade, que mais tarde deu lugar a carinho. Deixaram de ser uma manada de elefantes rebeldes e se tornaram grandes amigos de seu cuidador.

Casal de elefantes com filhote

Acontecimentos estranhos

Lawrence conseguiu enfim apaziguar esses elefantes supostamente selvagens. Mais tarde, conseguiu também outros feitos, como resgatar vários exemplares de elefantes do zoológico de Bagdad durante a guerra do Iraque. Também salvou outros elefantes no meio da guerra do Congo. Escreveu vários livros sobre suas experiências e se interessou de maneira especial pela forma de comunicação dos elefantes.

No dia 2 de março de 2012, Lawrence Anthony faleceu, vítima de um ataque cardíaco. E assim começou o episódio mais assombroso da história da tristeza dos elefantes. Acontece que dois dias depois da sua morte, todos os elefantes selvagens que ele havia resgatado chegaram a sua casa, com diferença de um dia. Ambas as manadas foram guiadas por uma matriarca. Caminharam mais de 20 quilômetros para chegar até ali, sendo um total de 31 elefantes.

Todos eles iam em fila indiana. Rodearam a casa e se mantiveram ali durante dois dias, sem aceitar nada para comer ou beber. Talvez essa fosse sua forma de expressar tristeza, sua maneira de dar um último adeus a seu grande amigo. No terceiro dia, partiram com a mesma solenidade com que tinham chegado. Ninguém sabe explicar como eles ficaram sabendo da morte de Lawrence.

  • Marina, J. A. (1994). Teoría de la inteligencia creadora. Barcelona: Anagrama.