Evolução cultural: você sabe do que se trata? - A Mente é Maravilhosa

Você sabe o que é a evolução cultural?

fevereiro 6, 2018 em Psicologia 0 Compartilhados
Você sabe o que é a evolução cultural?

Todos já ouvimos falar alguma vez da teoria da evolução. Ela com certeza remete nosso pensamento para Charles Darwin. Isso se deve ao fato de que foi Darwin que propôs a revolucionária teoria no seu livro “A Origem das Espécies”. Sua proposta era que existia uma evolução biológica através da seleção natural. Aqueles mais adaptados para sobreviver chegavam até a idade da reprodução e passavam seus genes adiante, fazendo com que a espécie como um todo evoluísse. Este não é, no entanto, o único tipo de evolução existente. Os humanos também mudam devido a outra evolução, a evolução cultural.

Os humanos são a única espécie que conta com uma cultura complexa. Isso faz de nós seres bastante especiais. Nós criamos e transmitimos cultura. Mas, o que é cultura? A cultura pode ser definida como o desenvolvimento dos usos, costumes, religiões, valores, organização social, tecnologia, leis, linguagem, artefatos, ferramentas, transportes, etc, que se desenvolveram a partir de um acúmulo de conhecimento e da transmissão desse. Tudo isso ocorreu no intuito de se adaptar ao meio ambiente. A evolução cultural, por sua vez, é a transformação ao longo do tempo dos elementos culturais de uma sociedade, os quais também afetam e mudam as pessoas.

Crianças asiáticas brincando em rio

Adaptação cultural

A cultura se converteu em uma estratégia de sobrevivência. Com ela, a capacidade para transmitir conhecimentos e habilidades foi desenvolvida. Isso foi, inclusive, o que permitiu o surgimento de uma tecnologia mais refinada. Graças à evolução cultural, o processo evolutivo se acelerou. Mas a evolução cultural precisa de duas habilidades humanas pra que possa se desenvolver. São elas: a aprendizagem social e a teoria da mente.

Ainda que alguns animais pareçam ter tradições culturais, estas não melhoram nem evoluem com o tempo. Isso não acontece porque esses animais não têm as capacidades da teoria da mente e da aprendizagem social. Pelo contrário, as sociedades humanas, por meio da adaptação cultural acumulativa, evoluíram e se desenvolveram gradualmente. À medida que as pessoas imitam umas às outras, elegem e modificam as tecnologias existentes enquanto armazenam conhecimentos e habilidades. O resultado de todos esses processos é uma cultura variada e complexa.

Homem indiano

Teoria da mente e aprendizagem social

A teoria da mente é capacidade de atribuir pensamentos e intenções a outra pessoa. Essa capacidade é adquirida geralmente aos 6 anos é uma característica comum e exclusiva dos humanos. A teoria da mente nos permite saber que as outras pessoas também pensam e, portanto, têm intenções. Isso permite que os homens tenham crenças em comum e permite o desenvolvimento da cultura.

Além disso, os humanos transmitem cultura. Quando falamos com alguém sobre nossa religião e lhe mostramos os rituais sagrados desta, estamos transmitindo cultura. Por meio da aprendizagem social imitamos e aprendemos o que vemos. Por exemplo, Carl Sagan contava que no Japão uma espécie de caranguejo tinha a forma de uma máscara de samurai. Isso se devia ao fato de que durante gerações os caranguejos que apresentavam essa forma não eram pescados. Uma cultura que adorava os samurais contribuiu para que, mediante a aprendizagem social, as pessoas deixassem livres esses caranguejos e pescassem outras espécies.

Teorias de evolução cultural

As teorias que tentam prever a evolução cultural introduzem uma classificação que vem dos pensamentos de Karl Marx. Essa classificação divide os diferentes aspectos da cultura em três partes: infraestrutura, estrutura e superestrutura. Todos os aspectos da cultura podem ser classificados em um desses três níveis.

A infraestrutura engloba os aspectos mais materiais ou relacionados à tecnologia, os meios de produção e os recursos naturais ou humanos que a sociedade usa em sua atividade econômica e social. As mudanças na infraestrutura são difíceis de serem previstas. Isso depende dos avanços tecnológicos, do desenvolvimento econômico e das mudanças na economia. As mudanças em outros níveis também afetam a infraestrutura.

Monges budistas em rio

Na estrutura se encontram a organização de tarefas e as funções sociais. Nesse nível também temos o sistema hierárquico e de poder, além das regras que regulam as relações entre os indivíduos. As mudanças nesse nível têm uma grande influência na infraestrutura e vice-versa. Por exemplo, ocorreu uma incorporação massiva de mulheres ocidentais no mercado de trabalho ao aparecer um número elevado de postos de trabalho no setor de serviço. Essa mudança na infraestrutura fez com que as relações sociais se modificassem.

A superestrutura engloba os aspectos imateriais e ideais. Alguns desses são as crenças religiosas, os valores morais e a arte, como a pintura, a arquitetura, a música, a literatura e o cinema. As mudanças nesse nível costumam ocorrer mais localizadas nos valores e crenças. Esses, quando mudam, costumam ter como objetivo justificar uma ordem social que impera. Por exemplo, a incorporação de mulheres no mercado de trabalho foi associada a um aumento do prestígio da mulher assalariada que trabalha fora de casa e traz ganhos financeiros para o lar.

Jovem asiático andando em búfalo

Exemplo de evolução cultural

De acordo com essa teoria, as culturas são adaptativas. As culturas tratam de se adaptar ao contexto em que estão inseridas. De acordo com o materialismo cultural, conceito teórico criado por Marvin Harris, as mudanças na infraestrutura, mais concretamente no modo de produção ou na tecnologia, são os que fazem com que apareçam novos fatores culturais que mudam a estrutura e a superestrutura. Apesar disso, os três níveis estão inter relacionados e as mudanças em qualquer um deles pode afetar outro nível, ainda que de forma mais sutil.

Uma das mudanças culturais interpretadas por meio da evolução cultural é referente ao abandono do canibalismo. O canibalismo, prática cultural, surgiu em algumas sociedades como subproduto da prática da guerra. Mas com o desenvolvimento dos estados e impérios, o objetivo da guerra deixou de ser a destruição do inimigo. Os prisioneiros de guerra puderam contribuir para a expansão estatal, e então o canibalismo desapareceu. As mudanças na infraestrutura, a mudança de tribo para Estado, fizeram com que a estrutura mudasse e o canibalismo fosse abandonado.

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