O que acontece no nosso corpo quando pensamos?

10 Dezembro, 2020
Um pensamento pode atuar como aquela centelha capaz de acionar a motivação e as emoções positivas. Tudo que você cria na sua mente tem poder e pode transformar a sua realidade.

O que acontece com o corpo quando pensamos? Às vezes, negligenciamos o efeito que aquilo que passa pela mente tem sobre o corpo. Não podemos apenas ativar o motor das emoções, do bem-estar, da calma… O estresse também é uma dimensão orquestrada pelos nossos pensamentos.

O escritor e filósofo Henry David Thoreau disse que as pessoas criam o seu próprio destino com tudo que elas pensam. Isso é verdade. Sem dúvida, é incrível como essa máquina hiperativa que é o cérebro é capaz não apenas de mediar nosso futuro com cada decisão que tomamos, mas também de determinar o nosso equilíbrio físico.

Porque o corpo não é estranho ao que acontece na mente. Porque você pensa como sente e sente como pensa, e isso é algo que deveríamos ter em mente para mediar a nossa felicidade.

Vamos analisar.

Isso é o que acontece no nosso corpo quando pensamos

Isso é o que acontece com o corpo quando pensamos

Saber o que acontece no nosso corpo quando pensamos é um assunto que interessa os cientistas há décadas. O que acontece no corpo quando um pensamento vem até nós? De quanta energia precisamos para pensar? Pensamos melhor em repouso ou em movimento, durante a prática de esportes, por exemplo?

Estas e outras são questões nos deixam curiosos, e vale a pena pensar sobre o assunto.

O que é um pensamento e por que ele pode afetar o corpo?

Alguns definem um pensamento como uma onda elétrica, uma centelha mental capaz de gerar mudanças no cérebro para orquestrar algum tipo de resposta. Edward Chace Tolman, um psicólogo especialista em cognição humana, apontou, por exemplo, que um pensamento gera uma mudança, mesmo que ela nem sempre seja visível.

Em outras palavras, tudo que é fabricado na mente por cinco ou dez segundos nos influenciará de alguma forma, seja provocando uma preocupação maior ou fazendo um plano, evocando uma memória e uma emoção, etc. Em essência: todo fluxo mental nos molda e nos condiciona.

Se agora nos perguntarmos o que realmente é um pensamento, devemos pensar em uma sequência de várias partes e estruturas tecendo juntas este processo maravilhoso.

Essas estruturas e elementos que constituem a anatomia de um pensamento têm o poder inescapável de mudar o que acontece no corpo. De que maneira? Modulando emoções, liberando hormônios que modificam o comportamento e, às vezes, até afetando a nossa saúde.

Isso é o que acontece no corpo quando pensamos muito

Se nos perguntarmos o que acontece no nosso corpo quando pensamos, devemos levar em conta um aspecto. Cada vez que ativamos a “fábrica pensante”, consumimos muita energia. Pensar demais tem um sério impacto no corpo.

A psicóloga Catherine Pittman, professora da Universidade de Indiana, aponta algo muito interessante em seu livro Rewire Your Anxious Brain: quase 50% da população pensa excessivamente, e fazê-lo cronicamente aumenta o estresse e a ansiedade. A saúde, aos poucos, é afetada.

Além disso, a maioria de nós, quando pensa excessivamente, também sofre o que é conhecido como paralisia da análise. Em que consiste este termo?

Quanto mais você pensa, se preocupa e repensa as coisas, menos você age. O nível de cortisol aumenta e causa estresse, exaustão física e bloqueio mental. Longe de encontrar uma resposta para um problema, você ficará preso em um ciclo de preocupação e imobilidade constantes.

O que é um pensamento e por que ele pode afetar o corpo?

Pense devagar e você viverá melhor

O psicólogo Daniel Kahneman, ganhador do Nobel de Economia, nos presenteou com um livro excepcional há algum tempo: Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar. Neste trabalho, ele descreve como o ser humano atingiu um ponto da sua evolução em que se limita a agir por meio de um pensamento impulsivo, regido pela intuição, e é nesse automatismo que abundam os vieses, preconceitos e erros.

Nós fazemos isso porque o contexto que nos rodeia nos obriga a fazê-lo. Devemos reagir rapidamente, as demandas externas são múltiplas, os estímulos infinitos, e somos instigados a agir. No curto prazo, esse estilo de reação resulta não apenas em más decisões, mas também em estados de estresse e ansiedade, em um aumento do nível de cortisol no sangue, que se traduz em exaustão física e mental e em um maior risco de ataques cardíacos, etc.

O que acontece com o corpo quando pensamos rapidamente é altamente prejudicial, principalmente se fizermos desse foco mental nosso hábito de vida. É necessário fazer uso de uma abordagem cognitiva mais deliberada e cuidadosa.

Para concluir, embora assumir o controle de tudo o que a mente faz nem sempre seja fácil, devemos tentar. O que acontece dentro da mente influencia a nossa saúde e felicidade. Tomemos as rédeas, asseguremo-nos de que tudo que se passa naquele interior seja saudável, produtivo e reflexivo.

  • Kahneman, Daniel (2013) Pensar rápido, pensar despacio. Madrid: Debolsillo