A agonizante e inofensiva paralisia do sono

· janeiro 28, 2017

A paralisia do sono é uma experiência que costuma vir acompanhada de uma boa dose de angústia. Ela acontece principalmente quando estamos dormindo e nos despertamos, e se caracteriza pela incapacidade de se mexer ou falar, apensar de estarmos conscientes do nosso entorno. Além disso, frequentemente é acompanhada por alucinações acústicas, como escutar passos que se aproximam de nós e ter uma intensa sensação de presença.

Apesar do caráter desagradável e ameaçador do episódio, ele é totalmente inofensivo e pode acontecer com qualquer um sem ser um sinal de alguma patologia ou doença. Está associado a estados de ansiedade ou estresse. A hipótese para a aparição da paralisia do sono é a de permanecer no estado REM quando estamos retornando para a vigília, de maneira que se misturam algumas das características de ambos os estados.

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Ela dura entre um e três minutos, e embora não possamos mover voluntariamente nenhum músculo, os músculos respiratórios seguem funcionando automaticamente. A paralisia do sono se engloba dentro do grupo das parassonias, e está associada à narcolepsia.

Formas da paralisia do sono

Existem três tipos de paralisia do sono:

  • Forma isolada. Esta pode aparecer em indivíduos saudáveis que estejam sofrendo de muito estresse, que tenham passado por mudanças de fuso horário, que sintam ansiedade ou tenham falta de sono. É provável que a pessoa a experimente de forma isolada não volte a experimentar nunca mais. Essa forma não requer a visita a um profissional em busca de ajuda,
  • Forma familiar. Em alguns casos, esses episódios se repetem ao longo do tempo, ainda que não estejam acompanhados de nenhum sintoma adicional e, além disso, acontece com vários membros da família. Existem poucos casos familiares.
  • Associada a outra patologia. Doenças como a narcolepsia podem vir acompanhadas por episódios de paralisia do sono.

Características do sono REM e a paralisia do sono

Durante o sono existem diferentes fases entre as quais se encontra o estado REM, que vem da sua sigla em inglês: Rapid Eye Movement. Essa fase do sono começa aproximadamente 70-100 minutos depois de dormir e se caracteriza por ser a fase na qual aparecem os sonhos. Ela se repete entre 4 e 5 vezes ao longo da noite.

No momento em que sonhamos, o corpo toma algumas medidas para que não seja perigoso. Os músculos do nosso corpo são paralisados para que não corramos perigo. Enquanto sonhamos podemos estar fugindo de algo ou realizando movimentos que, se reproduzíssemos dormindo, poderiam nos colocar em perigo. Além disso, é observada uma grande atividade cerebral.

Quando acordamos paralisados isso significa que nosso cérebro continua no estado REM e, apesar de sermos capazes de abrir os olhos, seguimos sem poder nos mexer. Além disso, os sonhos se misturam com a realidade, dando lugar a alucinações que embora no momento pareçam totalmente reais, não são mais que material onírico se fundindo com a realidade.

Alucinações hipnagógicas e hipnopômpicas

Se não fosse suficientemente aterrorizante a impossibilidade de se mover por um centímetro, a experiência se torna mais desagradável quando vem acompanhada pelas alucinações. São comuns as alucinações auditivas e visuais. Estas costumam ter um caráter ameaçador. É comum escutar passos que se aproximam ou ver uma silhueta dentro do quarto.

Também ocorre uma forte sensação de presença, como se alguém estivesse por perto. Às vezes também se sente que alguém lhe toca ou pressiona seu peito, dificultando a respiração. Existem dois tipos de alucinações que podem ocorrer durante a paralisia do sono, dependendo de ocorrerem enquanto dormimos (hipnagógicas) ou quando acordamos (hipnopômpicas).

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É importante ter bem claro que estas alucinações não são indicadoras de nenhum tipo de transtorno que deveria nos preocupar, já que não se trata de nada além de uma prolongação do sonho durante a vigília, e pode acontecer com qualquer pessoa. A não ser que esteja acompanhada de uma sonolência excessiva durante o dia, cataplexia ou outro tipo de sintomas, não há motivos para se preocupar.

Conselhos para evitar sua aparição

Não é um episódio perigoso nem há qualquer risco de que nos ocorra algo ruim, por isso o mais recomendável é tentar relaxar, ficar consciente de que não vai acontecer nada e de que tudo irá durar apenas alguns poucos minutos, pois há pouco que se possa fazer para sair desse estado. O que se pode fazer é ter em mente algumas dicas que tornam mais improvável a sua aparição.

Já que uma das principais causas é o estresse, um dos objetivos é reduzi-lo antes de irmos para a cama. Fazer atividade física, exercícios de relaxamento, tentar dormir um número de horas suficiente, e manter uma boa higiene do sono são hábitos fundamentais.

Compreender os mecanismos do nosso cérebro pode nos ajudar a desmitificar episódios como esses. Se não entendemos a maneira como nosso cérebro trabalha, podemos atribuir esta situação a doenças mentais ou até mesmo a experiências “paranormais” que não têm nada a ver com a realidade.