Algofobia: saiba tudo sobre o medo da dor

O medo da dor, ou algofobia, que se distingue por ser um medo extremo e irracional da dor que implica elevada ansiedade e antecipações, ocorre principalmente entre a população idosa e pode ser abordado a partir de diferentes estratégias de intervenção.
Algofobia: saiba tudo sobre o medo da dor

Última atualização: 24 Julho, 2021

O medo da dor, conhecido como algofobia, é um medo tão comum quanto normal. Afinal, quem não tem medo do sofrimento físico? Sentir dor é um dos estados menos desejáveis ​​em que uma pessoa pode se encontrar. De fato, nossa tendência natural costuma ser fazer todo o possível para evitá-lo.

A fuga da dor constitui um mecanismo reflexo a favor da nossa integridade e sobrevivência pessoal e, portanto, obedece a um propósito adaptativo. No entanto, existem pessoas nas quais esse medo – que os manuais diagnósticos chamam tecnicamente de algofobia – atinge níveis claramente superiores ao que seria considerado normal.

Nesses níveis não se destaca apenas a intensidade do medo, mas também a sua frequência, persistência e influência na vida diária. Portanto, para as pessoas que sofrem de algofobia, essa ansiosa aversão à dor constitui um problema real com implicações socioafetivas significativas.

O medo da dor ou algofobia

Características do medo da dor

Do ponto de vista psicopatológico, o medo da dor pode ser definido como um tipo de transtorno de ansiedade, em virtude do qual uma pessoa pode experimentar um medo irracional e extremo de uma pessoa, objeto ou situação específica.

Essa concepção tem uma aplicabilidade enormemente ampla, visto que existem muitos medos patologizados que podem ocorrer em algumas pessoas.

No caso em questão, a situação temida corresponderia ao transe de sentir dor, e o objeto temido seria a própria dor com todas as características negativas, tanto psicológicas quanto estritamente físico-perceptuais, que normalmente acarreta.

Um fato curioso em relação à algofobia é que, em termos populacionais, ela apresenta maior incidência e prevalência entre as pessoas idosas. Esse fato não deixa de ter um certo sentido, uma vez que as pessoas idosas – quando comparadas às populações mais jovens – estão mais expostas:

  • Às reclamações de pessoas da mesma idade e do entorno sobre doenças e enfermidades.
  • À percepção do sofrimento de tais condições por parte dos demais.
  • À vivência em primeira pessoa das patologias associadas à idade.

Por esse motivo, geralmente é típico de uma pessoa com medo da dor antecipar o surgimento de condições que podem dar origem à experiência da dor. Além disso, essa antecipação costuma ser acompanhada por uma certa ansiedade cognitiva e fisiológica e, por fim, leva a pessoa a vivenciar os resultados da dor de uma forma antecipada e fictícia.

O grau de impacto desse medo na vida cotidiana do indivíduo parece ser significativo o suficiente para implicar algum tipo de prejuízo no seu bem-estar geral.

Algofobia e hiperalgesia

O fenômeno da hiperalgesia, entendido como uma sensibilidade exacerbada à dor que geralmente se origina a partir de danos físicos nos nervos ou nas terminações nervosas e receptores de dor, foi relacionado em alguns estudos ao fenômeno psicológico da algofobia. Ambos os estados alterados, no entanto, não necessariamente surgem acompanhados um do outro.

“A verdadeira dor, aquela que nos faz sofrer profundamente, às vezes torna sério e constante até um homem que não reflete; até os pobres de espírito ficam mais inteligentes depois de uma grande dor.”
-Fiódor Dostoievski-

Uma pessoa que sofre de hiperalgesia pode desenvolver medo da dor por estar ciente, graças às suas experiências anteriores, da dor potencial que diversos estímulos podem causar. Inversamente, um indivíduo com altos níveis de algofobia pode estar mais predisposto psicologicamente a sentir dor física e, portanto, no momento de realmente percebê-la, essa dor pode ser subjetivamente desproporcional.

O medo da dor em idosos

Avaliação e tratamento do medo da dor

Em um ambiente clínico, há mais de uma ferramenta diagnóstica para determinar a presença ou não dessa fobia e para quantificar a sua intensidade. Enquanto a avaliação da hiperalgesia corresponderia essencialmente à área médica, a da algofobia diz respeito mais ao psicológico, visto que muitas vezes corresponde a hábitos adquiridos e comportamentos aprendidos.

Um dos testes psicométricos mais assimilados e amplamente utilizados é o Questionário de Medo da Dor (FPQ-III), que em função do valor obtido para um sujeito, pode levar ao diagnóstico diferencial adequado.

A abordagem psicoterapêutica do medo da dor não difere excessivamente daquela aplicada a outros tipos de fobia e, em geral, atinge maior efetividade quando inclui a combinação de duas frentes de ação:

  • Intervenção psicoafetiva: terapia psicológica, na qual se destacam a terapia cognitivo-comportamental e diversas técnicas de relaxamento.
  • Intervenção farmacoterapêutica: principalmente por meio do uso de medicação ansiolítica, que pode ser acompanhada de antidepressivos para o tratamento de alterações reativas do humor.

A dor é um elemento a se evitar e do qual a maioria das pessoas tende a fugir. Se for uma dor evitável, a lógica parece impor que não existe uma razão real para senti-la e, então, seria interessante usar estratégias para evitar e/ou paliar essa dor.

O mesmo pensamento poderia ser aplicável àquela outra dor – secundária – que a antecipação da própria dor – primária – gera nas pessoas que sofrem de algofobia. Nesses casos, também pode ser importante confiar em profissionais de saúde mental e médicos para evitar que esse medo da dor prejudique o merecido bem-estar.

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