O alto preço de agradar a todo mundo: não encontrar o que procura
O alto preço de agradar a todo mundo: não encontrar o que procura

O alto preço de agradar a todo mundo: não encontrar o que procura

A necessidade de aceitação social, o desejo de que os outros vejam a melhor versão de nós mesmos, é muito comum e saudável. Por esta razão, nós “aprimoramos” o nosso comportamento nos relacionamentos com os outros, sem que isso tenha que ser algo patológico. Querer mostrar o melhor de nós para agradar aos outros não é incompatível com a naturalidade.

Por tudo isto, se percebermos que a nossa presença deixou de agradar a alguém, que alguma opinião nossa não foi bem aceita, principalmente quando é causada pela dedução de uma terceira pessoa, podemos nos sentir extremamente desconfortáveis. Ninguém está imune ao dano emocional causado pela rejeição implícita ou explícita dos demais.

Mas, se você parar para pensar sobre isso, responda a uma pergunta: Você está disposto a se transformar em alguém que não é, por causa de qualquer olhar de desaprovação, pela sensação de estar fora do lugar ou pela atitude defensiva das pessoas? Pense se você prefere ter muitas relações cordiais, ou poucas que sejam significativas.

As relações agradáveis precisam de autenticidade

Se você estiver disposto a se tornar um híbrido entre o que você realmente é e o que os outros esperam de você, em toda a sua extensão e variabilidade, então não espere muito das relações sociais.

O preço de ser radical em sua maneira de agir é passar por maus momentos. O preço de agradar a todos, de não se mostrar como realmente é, fará com que você não encontre o que deseja e perca alguns dos relacionamentos que realmente lhe fazem bem.

Escolher colocar uma máscara toda vez que encontrar alguém que pode ter opiniões diferentes das suas é uma faca de dois gumes. Talvez consiga evitar uma sensação de desconforto, mas ao mesmo tempo, também estará evitando parte da riqueza que este relacionamento pode lhe trazer.

“Para criar inimigos não é necessário declarar guerra, basta dizer o que pensa”.
 – Martin Luther King –

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Muitas pessoas pecam por levar tudo para o lado pessoal. Nem sempre uma pessoa que não concorda com as suas opiniões é seu inimigo. A verdade é que ninguém deve se sentir ofendido por um julgamento diferente do seu. Se isso fosse realmente assim, muitas pessoas não teriam a necessidade de maquiar ou disfarçar as suas opiniões para evitar uma discussão. Em outras palavras, as pessoas poderiam estar abertas para uma conversa franca, e não uma troca artificial de palavras.

Os problemas no relacionamento com as pessoas não surgem porque adotamos uma opinião e um modo de vida: os problemas são decorrentes das hipocrisias, das falsidades, e de tentar impor o nosso ponto de vista para o outro. Quando tentamos mostrar o que não somos, sentimos um vazio emocional muito grande e as pessoas não nos valorizam como merecemos.

Sempre perdemos algo quando os nossos relacionamentos não são sinceros

Exceto em situações extremas, quando mudar a nossa opinião ou ocultá-la pode salvar a nossa vida, mentir para os outros não parece ser um bom investimento. Por exemplo, se para conseguir um emprego tivermos que renunciar ao nosso verdadeiro potencial, temos um problema: garantimos o sustento de hoje e a insatisfação de amanhã.

Se para agradar a um determinado grupo renunciarmos à nossa visão minoritária (nem por isso inválida), impediremos que os membros desse grupo que fazem parte dessa “minoria” nos conheçam e gostem ou não de nós. Se por ter um relacionamento com alguém mostramos uma identidade falsa, estaremos renunciando ao luxo e à liberdade de sermos nós mesmos e de que a outra pessoa nos valorize pelo que realmente somos.

Para agradar, perdemos alguns valores pelo caminho

Imagine que o seu desejo é casar e ter filhos, mas você está cercado por pessoas que aparentemente consideram esses desejos antiquados ou “fora de moda”. Diante dessa pressão, você evita falar sobre o assunto para que o seu plano de vida não seja julgado ou questionado.

Em cada renúncia ao enfrentamento, você perde a autenticidade em suas emoções e comportamentos. Muitas vezes, quando nos sentimos julgados, não nos mostramos como somos e não expressamos o que realmente pensamos; deixamos de ser autênticos e nos transformamos em pessoas contraditórias e pouco confiáveis.

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Não importa se as pessoas consideram as suas ideias transgressoras, conservadoras ou originais. Pode ser que no início causem alguma confusão, mas será interessante e construtivo trocar ideias com alguém que tenha pontos de vista muito diferentes dos seus.

O mais importante é assumir e não se envergonhar das suas opiniões. Há muitas pessoas que vão achá-lo maravilhoso e estão esperando para conhecê-lo. Mas isso não acontecerá se você viver se escondendo para evitar qualquer desprezo do mundo.

Esconder o que pensa para não discutir com ninguém, para agradar ao outro ou não manchar a sua imagem pode ser uma decisão inteligente a curto prazo ou em uma situação particular. No entanto, se agirmos assim no nosso dia a dia, criaremos ao nosso redor um mundo artificial no qual não nos sentiremos bem.