Construindo a nossa identidade

· agosto 23, 2016

Construir a essência da nossa identidade é cada vez mais complexo em um mundo sobrecarregado de informações, onde os estímulos e as mensagens contraditórias são constantes.

Para não ficarmos sobrecarregados de informações dispomos de um mecanismo de defesa que é a introjeção. É a incorporação automática de todas as informações que recebemos do meio ambiente, sem nenhum julgamento pessoal.

Cada pessoa vai se construindo pouco a pouco todos os dias. A nossa identidade pessoal é como um castelo que vamos construindo através dos sentimentos, percepções e representações que temos de nós mesmos e do ambiente em que vivemos.

Configurando a nossa identidade: a introjeção

A introjeção é algo que todos nós estamos sujeitos a experimentar. Em certa medida ela é necessária, o problema acontece quando esse mecanismo toma conta de nós.

Em nosso dia a dia estamos constantemente expostos à necessidade de respeitar regras, leis, comportamentos, ideias, crenças e padrões de comportamento. Desde crianças somos ensinados a acatar as normas para nos integrarmos à sociedade.

No ambiente familiar recebemos mensagens de todos os tipos, que até hoje ressoam em nossa mente. Quanto não acatamos essas mensagens e agimos de outra forma, nos sentimos culpados.

Integramos todas essas informações sem digerir as mensagens, sem ter assimilado e sem o julgamento do nosso critério pessoal.

Mensagens como: “Você precisa trabalhar em algo importante para ser alguém na vida”, “Os homens não choram”, etc.

Estes comandos nos indicam o que é certo ou errado, condicionando assim o nosso comportamento e moldando a nossa identidade.

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A introjeção é um meio de satisfazer as pessoas ao nosso redor, e tem inicialmente uma função de adaptação para sermos aceitos pela sociedade.

Quando o mecanismo de projeção guia a nossa vida, pode ser muito perigoso para a nossa identidade: perdemos a nossa essência e a nossa própria maneira original de ser.

Quando nos perdemos na complacência, adotando o papel de “bonzinhos”, fazendo tudo o que os outros esperam de nós, perdemos a capacidade de discernir entre o nosso mundo real (o que queremos) e o que é imposto pelos outros.

Quando agimos através do mecanismo da introjeção, incorporamos tudo o que é bom para os outros, as suas expectativas e o que esperam de nós. As mensagens que recebemos fazem parte das suas necessidades, sem levar em conta o que realmente necessitamos.

Assim, aceitamos o pensamento das outras pessoas sem questionar, permitindo que façam parte da nossa vida e construam o nosso destino.

Dessa forma, não desenvolvemos a nossa essência e maneira de ser, perdemos a nós mesmos através desse mecanismo de introjeção e vivemos para agradar aos outros.

No entanto, a introjeção também tem um aspecto criativo, que nos impulsiona a aplicar esse aprendizado em nossa vida, recolhendo seus valores positivos e os integrando à nossa identidade.

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Como transformar a introjeção em um recurso útil

A função adaptativa da introjeção serve para levar em conta as ideias e as crenças de outras pessoas, aprendendo com as tradições e a sabedoria popular.

Para não deixar que esse mecanismo governe a nossa vida e construa o nosso futuro baseado no que as outras pessoas desejam e acreditam, é preciso tomar consciência disso.

É muito importante perceber em que circunstâncias, em que momentos e com que tipo de pessoas atuamos de um modo automático, sem o filtro que nos ajuda a distinguir o que faz parte dos nossos valores e identidade.

Quais são as mensagens que recebemos do nosso ambiente sem questionar e sem analisar? É preciso estar alerta para transformar essas mensagens em algo útil, refletir sobre elas e transformar em aprendizado o que nos convém.

Quando analisamos e questionamos tudo que vem de fora, estamos nos dando a oportunidade de fazer escolhas mais profundas e coerentes com a nossa maneira de pensar, sentir e entender a vida.

Estaremos conscientes de que tipo de identidade queremos criar quando nos responsabilizarmos pela decisão de aceitar ou não as mensagens do outro.

Seremos os arquitetos da nossa própria vida, construindo o nosso futuro baseados nas nossas escolhas e no que aprendemos com tudo o que vivemos.

Portanto, é essencial assimilar e passar pelo nosso filtro pessoal tudo o que aprendemos na vida, facilitando assim o desenvolvimento e a expressão de si mesmo.