Toda máscara tem um buraco por onde a verdade escapa

Toda máscara tem um buraco por onde a verdade escapa

30, maio 2016 em Psicologia 103 Compartilhados
Toda máscara tem um buraco por onde a verdade escapa

Por norma geral, grande parte da população gosta de Carnaval, e todos nós gostamos de colocar uma máscara ou até mesmo duas durante os dias de celebração dessa festa. Gostamos de fingir ser algo que não somos durante um tempo concreto do ano, de escapar para a pele de outro personagem e nos encontrarmos em outras facetas da realidade e da fantasia.

No entanto, não nos damos conta de que fora do Carnaval costumamos usar uma máscara facial para nos cobrirmos dos outros ou até de nós mesmos. Os outros veem que nós somos uma imagem que é melhorada quando estamos em público. Por medo de estarmos sozinhos ou simplesmente por seguirmos certos padrões sociais, nós nos escondemos atrás de disfarces, podendo ser estes mais ou menos trabalhados.

A coisa terrível é que para estabelecer um contato, caso queira se comunicar com os outros, você tem que inventar uma espécie de personagem que se comunica, que não é o mesmo que está dentro de si mesmo, e assim você começa a acreditar mais no personagem, se esquece da pessoa e acredita no personagem.”
-Manuel Puig-

Uma máscara diz mais que um rosto

Certamente uma máscara é um disfarce: um objeto que oculta o nosso verdadeiro rosto e varia nossa aparência física. Por isso, metaforicamente, uma mascara é também uma forma de tapar a personalidade de cada um e fazer pensar que a identidade que temos é diferente da real.

Uma das causas inconscientes mais frequentes de nos apresentar aos outros como algo que não somos é o medo de não sermos respeitados, amados ou aceitos: é normal fingirmos levemente, assim como é normal que a honestidade não seja completa porque nos sentimos mais  protegidos quando vemos que somos o que esperam de nós.

Ocultar-se é uma reação humana inicial que surge por medo de ser julgadocomo comentamos anteriormente: podemos ser grosseiros para que não nos achem vulneráveis, podem considerar que estamos em um funeral por pura diplomacia, podemos nos comportar de forma gentil porque não queremos perder o nosso emprego, etc.

Homem com máscara cheia de flores

Fingimos o que somos, sejamos o que fingimos

A seguinte mensagem de Calderón de la Barca nos faz chegar à afirmação deste subtítulo: nos esforçamos para fingir e, no entanto, não nos preocupamos em tentar aceitar o que realmente somos e melhorar isso. Parece muito mais fácil mentir e não ser natural, mover-se na superficialidade.

Isso nos leva a gerar um ambiente no qual as aparências são mais importantes que os sentimentos reais: nos deixamos levar pelos preconceitos, por imagens e por suposições. É benéfico, portanto, aprendermos a tirar a máscara e a olhar para além dela quando encontrarmos uma de frente.

A melhor forma de tirar a máscara é se conhecer e dar uma oportunidade à nossa própria essência: desta forma poderemos nos apresentar às pessoas que nos rodeiam sem truques, com a nossa própria magia. Nós seremos mais felizes longe de exageros e de ilusões infundadas, pois daremos a cada coisa e a cada pessoa o lugar que elas merecem na nossa vida.

Em algumas pessoas a máscara não disfarça, revela

Contra todos os prognósticos iniciais, a máscara que acreditávamos estar segura mais cedo ou mais tarde cai ou começa a ter buracos, deixando à mostra toda a verdade da nossa essência. Isso é o que acontece com muitas pessoas: a máscara as revela, porque o tempo acaba mostrando seus verdadeiros rostos.

Mulher com máscara na mão

Em outras palavras, quanto mais trabalhado for o disfarce, mais se assemelha a nós mesmos, tal e qual José Saramago nos ensinou. O perigo desta nuance é que teremos não só enganado aos outros, mas também a nós mesmos: as relações são construídas graças à sinceridade e confiança, e fingir sermos o que não somos elimina automaticamente as duas virtudes.

Certamente já aconteceu mais de uma vez de acharmos que conhecíamos alguém e essa pessoa nos decepcionar e, por algum motivo, já não ser como achávamos que era. O que pode ter acontecido é que a verdade acabou se revelando, permitindo que enxergássemos algumas características comportamentais que ela havia tentado esconder.

“Quando nos olhava, parecia que buscava a verdade dentro de nós ou que sabia que por trás de qualquer coisa havia algo mais.”
-Clara Sánchez-
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