Amor e responsabilidade: a importância de cuidar do que se ama

Se você ama, cuida, atende e se preocupa. Se você ama alguém, assume a responsabilidade por suas ações, palavras e comportamentos para garantir o bem-estar de quem você valoriza. Se você negligenciar esse aspecto, pode perder tudo.
Amor e responsabilidade: a importância de cuidar do que se ama

Última atualização: 20 Dezembro, 2020

Amor e responsabilidade são dois lados da mesma moeda. Parceiro, filhos, família, amigos e até você mesmo. O carinho por quem faz parte da nossa vida e também por nós mesmos significa agir com responsabilidade, prestando atenção às nossas ações e cuidando do bem-estar de quem amamos. Algo tão básico é, no entanto, um detalhe que muitas vezes negligenciamos.

Fazemos isso, por exemplo, quando culpamos o outro por certos problemas ou situações. Frequentemente, colocamos todas as circunstâncias nos ombros dos outros, sem sermos capazes de ver que às vezes também somos participantes de muitas dinâmicas. Um relacionamento, seja qual for o vínculo (como amoroso, de amizade, etc.), é uma interação entre duas pessoas que se retroalimentam.

Nesse pequeno planeta tudo conta: as palavras, as ações, o que é dito e também o que não é dito. Para que esse mundo precioso continue girando com a mesma luminosidade, devemos aprender a ser responsáveis. Somos capazes de exercitar esse músculo psicológico com inteligência e sensibilidade.

“As responsabilidades começam nos sonhos.”
-W. B. Yeats-

Casal apaixonado

Amor e responsabilidade: pilares que sustentam essa relação

Uma coisa que o psicoterapeuta Albert Ellis costumava ressaltar é que muitas pessoas preferem se esquivar das suas responsabilidades. É sempre mais fácil escapar ou deixar que os outros assumam cada circunstância em sua própria pele. Por isso, se desejamos realmente ter um papel ativo no teatro da vida, do amor e da felicidade, cabe a nós a obrigação de sermos responsáveis.

Nos últimos anos, essa tem sido uma nova área de estudo que reúne cada vez mais trabalhos de pesquisa. Trabalhos como o realizado pela Universidade de Missouri nos lembram que, sendo livres para tomar nossas decisões, para sermos autônomos, para criar relações de amizade, casal ou família, somos obrigados a desenvolver essa competência. Além do mais, responsabilidade e felicidade são duas dimensões que sempre andam juntas.

Agora vamos ver quais pilares sustentam esse relacionamento.

O que você diz e faz é importante para o outro: seja responsável pelas suas ações

Nada do que fazemos (ou deixamos de fazer) passa despercebido por quem nos ama. E às vezes nós ignoramos isso. Negligenciamos a perspectiva do outro ao nos concentrarmos exclusivamente em nós mesmos. Não medimos o efeito dos nossos comportamentos ou palavras pensando que quem nos ama não levará isso ou aquilo em consideração. No entanto, tudo é processado e filtrado no plano das emoções.

O amor e a responsabilidade andam juntos porque isso nos obriga a medir muito mais nossos próprios comportamentos para promover o bem-estar daqueles que são importantes para nós.

A responsabilidade de assumir os próprios erros

A pessoa madura e que têm uma competência emocional adequada é aquela capaz de assumir os próprios erros e corrigi-los. Raramente vai passar pela cabeça dela a ideia de responsabilizar o outro pelo que aconteceu. Em nenhum momento ela vai procurar projetar sentimentos de culpa nos outros.

Se algo aconteceu e você é direta ou indiretamente responsável por esse sofrimento, você deve dar um passo à frente e buscar uma maneira de lidar com essa situação.

Ter consciência, saber o que é certo e o que é errado

Responsabilidade e consciência são duas engrenagens básicas em relacionamentos felizes. Essa capacidade de vislumbrar a realidade de cada situação, reconhecer o que está acontecendo, saber o que é certo, o que é errado e agir de acordo é um ato de saúde afetiva.

Muitas vezes reclamamos daquelas pessoas que “não têm consciência de certas coisas”, que agem sem pensar nas consequências e nos oprimem com o seu egoísmo e comportamentos infantis. Poucas coisas são mais necessárias do que desenvolver uma boa conscientização para saber como agir em cada situação.

Você é minha responsabilidade (e eu sou sua)

Amor e responsabilidade são um fio que se entrelaça com a cumplicidade cotidiana, com o desejo autêntico de cuidar e proteger quem se ama. Entender que o outro é nossa responsabilidade (e vice-versa) significa, antes de tudo, que cada um deve se esforçar para promover o bem-estar alheio, para ser uma ajuda e não um obstáculo, para ser aquele impulso que dá asas e não aquele que impõe resistências ou ata correntes.

Casal sob a luz de lâmpadas

Saber do que você precisa, dizer a você do que eu preciso

Outro princípio de responsabilidade nos vínculos afetivos é oferecer ao outro o que ele necessita. Na maioria das vezes, sabemos como essa dimensão se articula: todos precisamos nos sentir amados, respeitados, valorizados e apoiados em cada circunstância.

Da mesma forma, também é importante saber expressar ao outro o que queremos, o que não queremos e o que nos falta. Temos a responsabilidade de saber expressar e reivindicar sem esperar que os outros adivinhem o que está acontecendo conosco.

Amor e responsabilidade

Uma relação, seja de amizade, de casal ou o vínculo que estabelecemos com um irmão, uma mãe ou um filho, nos dá sentido e também propósito. Isso é algo que devemos considerar e manter em mente o tempo todo. Uma coisa dessas nos obriga a assumir a responsabilidade por muitos aspectos, e não apenas por aqueles que focam exclusivamente no outro.

Ser responsável também significa investir no amor, porque nada é mais enriquecedor do que isso. Ao agir assim, alguma coisa sempre volta para nós, sempre nos nutre, nos dá um significado vital e transcendência. Cuidar do que se ama é cuidar do que nos dá sentido e felicidade.

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  • Sheldon, K. M., Gordeeva, T., Leontiev, D., Lynch, M., Osin, E., Rasskazova, E., & Dementiy, L. (2018). Freedom and responsibility go together: Personality, experimental, and cultural demonstrations. Journal of Research in Personality73, 63–74. https://doi.org/10.1016/j.jrp.2017.11.007