Ansiedade de execução nas disfunções sexuais - A Mente é Maravilhosa

A ansiedade de execução nas disfunções sexuais

Março 14, 2018 em Psicologia 80 Compartilhados
Ansiedade de execução nas disfunções sexuais

Entre os fatores psicológicos que nos impedem de ter uma resposta sexual adequada, encontramos a ansiedade de execução. Assim, em termos coloquiais, podemos dizer que a ansiedade de execução surge quando nos preocupamos demais com o nosso desempenho pessoal no contexto de uma relação sexual.

A ansiedade de execução é um tipo de ansiedade que aparece e é mantida pelas expectativas em relação à uma situação particular. Por exemplo, imagine um aluno que vai fazer uma prova oral. Ele tem grandes expectativas de sucesso, quer surpreender os professores e obter o melhor resultado possível. Para isso, terá que ser perfeito. No entanto, a pressão sobre o seu desempenho é tanta que ele acaba fracassando. Sem essa pressão ele teria alcançado a nota que estava buscando.

No campo das relações sexuais, o medo ou a ansiedade de execução pode impedir a pessoa de desfrutar uma relação sexual. Por outro lado, as consequências secundárias podem ser variadas, desde a diminuição da autoestima até a ruptura dos canais de comunicação com o seu parceiro. Como consequência de tudo isso, a disfunção sexual aparecerá.

O que entendemos por ansiedade?

A ansiedade é uma experiência universal que faz parte da condição humana. Constitui um sistema de alarme diante de uma ameaça. É uma emoção acompanhada de mudanças psicossomáticas e comportamentais juntamente com um sentimento de desconforto. Em princípio, a ansiedade pode oferecer uma série de vantagens adaptativas:

  • O aumento da ativação permite focar a atenção para um possível perigo.
  • Prepara o organismo para esse confronto: luta ou fuga.
  • Permite a memorização de acontecimentos ou estímulos que causaram medo.
  • Permite a formação de respostas condicionadas ao medo.
  • Permite que certos esquemas cognitivos sejam modificados.

Homem com problemas de disfunção sexual

Os eventos da vida diária podem causar uma ansiedade que nem sempre é patológica. Por exemplo, uma certa ansiedade antes de uma prova pode ser até benéfica. No entanto, quando a intensidade ou a duração são excessivas, enfrentamos uma ansiedade patológica.

Uma forma de ansiedade patológica é a ansiedade de execução. É patológica porque a sua intensidade nos impede de desenvolver corretamente o que nos propomos. Assim, se a ansiedade nos impede de ter um relacionamento sexual satisfatório, estaremos falando sobre a ansiedade de execução nas relações sexuais.

A resposta sexual e as suas disfunções

Embora a resposta sexual tenha requisitos biológicos básicos, ela é vivida em um contexto interpessoal, intrapessoal e cultural. A função sexual envolve uma interação complexa entre fatores biológicos, socioculturais e psicológicos.

Em muitos contextos clínicos, a origem do problema sexual não é conhecida com precisão. No entanto, o diagnóstico de disfunção sexual requer a exclusão de problemas que podem ser explicados por um transtorno mental não sexual, pelos efeitos de uma substância, por uma condição médica ou por um conflito significativo no relacionamento, violência de casal ou outros fatores que causem estresse.

Disfunção sexual

As disfunções sexuais

As disfunções sexuais incluem a ejaculação retardada, a disfunção erétil, o transtorno orgásmico feminino, o transtorno de interesse/excitação sexual feminino, o vaginismo, o transtorno do desejo sexual hipoativo no homem e a ejaculação precoce.

As disfunções sexuais são um grupo de distúrbios heterogêneos. Eles são caracterizados por uma alteração clinicamente significativa da capacidade da pessoa para responder sexualmente ou experimentar prazer sexual.

A ansiedade de execução nas disfunções sexuais

O exemplo mais claro de ansiedade de desempenho é encontrado, certamente, na disfunção erétil. Essa ansiedade é desencadeada pelo que Abraham e Porto chamaram de fatores geradores de ansiedade. Esses fatores são os seguintes:

  • Medo do fracasso. Um sentimento de medo de não corresponder adequadamente ao que a parceira espera.
  • A obrigação de bons resultados. É a necessidade de uma resposta erétil muito consistente, duradoura e de recuperação rápida.
  • Altruísmo excessivo. Isso significa estar mais atento à satisfação do parceiro, perdendo a concentração no seu próprio erotismo.
  • Auto-observação. Consiste em se preocupar com o próprio pênis e ficar observando para ver como ele reage.

Quando um homem experimenta a disfunção erétil ou da ereção, as primeiras dificuldades para ter relações sexuais satisfatórias provavelmente aparecem de repente. A partir daí, o homem começa a se preocupar com o assunto.

As preocupações podem se referir a aspectos como: “E se eu não conseguir manter o meu pênis ereto?”, “E se eu não conseguir satisfazer a minha parceira?”, “O que acontecerá se eu não puder fazer a penetração?”Essas preocupações geram os hormônios do estresse, como por exemplo, o cortisol.

Homem preocupado por disfunção sexual

A preocupação está na base da ansiedade de execução

Os hormônios do estresse gerados pela preocupação são incompatíveis com os hormônios que provocam a resposta sexual. Dessa forma, ocorre um círculo vicioso. O homem sente cada vez mais pressão nas relações sexuais para obter uma ereção e satisfazer a mulher. Nesse sentido, está condenado ao fracasso.

A antecipação do próximo encontro sexual desperta a mesma ansiedade, juntamente com a lembrança dos fracassos anteriores. Muitas vezes, esta antecipação anula o desejo e leva a pessoa a evitar as atividades sexuais, incluindo qualquer demonstração física de carinho que possa constituir o início de um encontro sexual.

A outra pessoa pode se sentir menos amada, pouco atraente, frustrada… Não entende que evitar a situação temida ajuda a pessoa a evitar a humilhação de outro fracasso, a se sentir com mais controle e menos culpada por estar “falhando”. No entanto, esta não é a solução.

A ansiedade de execução em disfunções sexuais pode ser tratada de forma satisfatória. A psicologia clínica propõe técnicas eficazes para combatê-la. Se este for o seu caso, você pode procurar um psicólogo especializado. Isso irá ajudá-lo a resolver o seu problema, melhorar o seu relacionamento sexual e de casal.

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