Ansiedade sexual: quando a intimidade assusta

· abril 24, 2018

O que ouvimos por aí é que estamos vivendo uma época em que a liberdade sexual foi alcançada e os tabus sobre a sexualidade estão sendo destruídos. E digo apenas “ouvindo por aí” porque na hora da verdade não é exatamente assim que funciona, pelo menos não para um grande número de pessoas que ainda não consegue aproveitar a intimidade. Em alguns casos, isso acontece por causa da ansiedade sexual.

Quando falamos de ansiedade sexual estamos falando de um conjunto de emoções e sentimentos bastante desagradáveis que têm um pano de fundo em comum: as relações sexuais. Estão incluídos o medo, tensão, rejeição e, finalmente, as disfunções. As razões para que isso aconteça podem ser as mais diversas, mas os efeitos são sempre muito difíceis de lidar.

“O erotismo é uma das bases do conhecimento de si mesmo, tão indispensável quanto a poesia.”
-Anaïs Nin-

O sexo enriquece a vida. Oferece vários benefícios emocionais e também físicos que são muito importantes. Estes vão desde o fortalecimento do sistema circulatório e imunológico até o combate ao estresse e às tensões cotidianas. Já foi dito também que é um analgésico natural, e que tem um potencial maravilhoso para aumentar a nossa autoestima.

Quando temos ansiedade sexual, no entanto, dificilmente alcançamos qualquer desses benefícios do sexo. Uma vez instalada a dinâmica negativa, qualquer situação de intimidade já pode provocar nervosismo e inquietude. Não há prazer, só há medo. Não há nada positivo, só sensação de vazio e insatisfação.

Qual é a origem da ansiedade sexual?

A ansiedade sexual pode vir de diferentes fontes. Em alguns casos, pode nascer de uma experiência traumática de abuso. O abuso sexual é mais frequente do que acreditamos ser, em parte porque muitas vítimas acabam em silêncio ou silenciadas. Além disso, estamos falando de um tema tabu que historicamente foi negligenciado, já que ninguém estava disposto a denunciar esse tipo de caso antigamente.

Quando a experiência acontece muito cedo na vida da pessoa, o mais comum é que esta conte com poucos recursos emocionais para gerir suas emoções. Desse modo, é possível que a experiência acabe deixando uma marca ainda mais profunda do que deixa esse tipo de situação mais tarde na vida – que já não é uma marca pequena, e outro dos efeitos indesejáveis disso é que no futuro suas consequências serão ainda mais difíceis de atenuar.

Mulher olhando pelo vidro do carro

Às vezes a situação não chega a ser tão extrema. Às vezes a ansiedade sexual nasce de outras fontes, mas em quase todas elas o elemento comum é a repressão. Vejamos alguns casos a seguir:

  • Uma educação restritiva que condena o sexo. Há muitas linhas ideológicas e religiosas que condenam as práticas sexuais. Elas se referem ao sexo como algo que está entre as práticas humanas sujas, imorais ou pecaminosas. Quem foi educado dentro desses parâmetros tem que trabalhar muito para descobrir que o sexo tem um lado belo e prazeroso.
  • Falta de informação. Às vezes a inibição e a ansiedade sexual vêm da falta de informação que se tem a respeito do sexo. Nesse caso toda a sexualidade é um mundo desconhecido, e o sentimento em relação a ele é o de evitação.
  • Medo de fracassar. A falta de experiência e, portanto, de conhecimento sobre o sexo também pode fazer aparecer o medo de não ter um desempenho satisfatório na relação. Mas a verdade é que cada um de nós tem uma definição bastante particular do que é um “desempenho satisfatório”, e isso vai variar muito de pessoa para pessoa. De qualquer forma, esse tipo de pensamento leva à ansiedade sexual.

Há ainda outros fatores que podem ter relação com a questão, como a depressão, a falta de autoestima e a dificuldade de aceitar o próprio corpo. Também é comum que a ansiedade apareça quando há conflitos a serem resolvidos na relação amorosa, ou se não há confiança ou se essa foi quebrada.

Como lidar com a ansiedade sexual?

Em muitos casos, a ansiedade sexual acaba levando a pessoa a desenvolver uma disfunção sexual: diminuição de desejo, dificuldade para sentir prazer, problemas de ejaculação precoce ou dor durante o coito. Tudo isso empobrece a vida sexual e vai destruindo aos poucos a relação do casal se não houver uma intervenção adequada.

Casal com problemas na cama

As principais medidas que podem ser tomadas quando sofremos desse tipo de ansiedade são as seguinte:

  • Estreitar a relação emocional com o parceiro. Nada é mais libertador que trabalhar a confiança no casal. Criar condições para que se possa falar de tudo com sinceridade absoluta, com o objetivo de encontrar soluções conjuntas.
  • Informar-se melhor. É muito importante conhecer bem nosso próprio corpo. Nesse caso, a anatomia dos nossos órgãos sexuais e seu funcionamento devem ser conhecidos. Também seria bom compreender o que ocorre durante uma relação sexual, em termos físicos e também psicológicos. Ler ou se informar sobre o tema ajuda a diminuir o medo.
  • Enriquecer o erotismo. A sexualidade é muito mais que apenas a penetração. Por isso é necessário dar a devida importância para tudo que promove a erotização durante a aproximação física. Isso inclui carícias, beijos, massagem e todas as demonstrações de afeto que surgem no dia a dia do casal.
  • Descubra o que te relaxa. Cada pessoa é um mundo, e na sexualidade não há regras além da necessidade do acordo mútuo entre as duas partes da relação sexual sobre o que está acontecendo. Nesse sentido, é muito bom descobrir as circunstâncias que trazem mais relaxamento e mais tranquilidade, e procurar cumprir essas condições. Por exemplo, o nível de luz ideal, os lugares que mais agradam, o momento, etc.
Mulher fazendo terapia

Finalmente, temos que destacar que a ansiedade sexual tem diferentes níveis. Alguns demandam ajuda profissional para encontrar uma melhora, enquanto em outros a mudança das circunstâncias do sexo pode acabar com o problema. De uma forma ou de outra, se nos encontramos em uma situação para a qual não conseguimos encontrar uma solução, o melhor é sempre procurar um especialista. Em primeiro lugar, um médico, para que descarte qualquer problema orgânico ou a hipótese de que as dificuldades sofridas sejam um efeito colateral de algo, como de um medicamento.

No caso de todas essas hipóteses serem eliminadas, o melhor é procurar a ajuda de um psicólogo. Se o problema por trás da disfunção é a ansiedade, o profissional traçará um plano de intervenção adaptado a nossas necessidades que, sem dúvida, nos ajudará a deixar a dificuldade para trás.