Apesar das rugas, continuaremos nos buscando com o olhar

· junho 30, 2016

Ter a pele marcada por rugas não é o final, nem mesmo uma derrota da juventude: é na verdade apenas um símbolo de uma vida vivida. Se durante essa aventura contamos, além de tudo, com um companheiro de alma, essa viagem valerá ainda mais a pena. Há amores que, apesar das rugas, continuam se procurando com o olhar porque, ainda que não acreditemos, há paixões que duram para sempre.

Os especialistas em relacionamentos amorosos nos explicam que esses amores que não perecem são sustentados por três componentes chave: o compromisso, o desejo sexual  e o apego saudável onde há uma clara necessidade de compartilhar coisas, experiências e um projeto comum. Tudo isso faz com que não importe o quanto o tempo passe, sempre teremos essa pessoa ali ao nosso lado.

A vida e o tempo nos deixam rugas na pele, é algo que não se pode evitar, mas se não vivemos a vida com amor, com paixão e intensidade, o que ficará enrugado é nossa alma.

Helen Fisher, em seu livro “Por que amamos: A natureza química do amor romântico”, comenta que o amor é como uma torta de chocolate. Não basta conhecer seus ingredientes, temos que provar para saber se vamos gostar ou não. Uma relação requer acima de tudo que as pessoas “se lancem” ao vazio para iniciar esse projeto, e ainda que as estatísticas digam que quase 50% dos casos podem fracassar, em alguns casos o amor insiste e é eterno…

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Quando as rugas nos surpreendem sentindo ainda a mesma paixão

Para alguns a imagem da velhice com paixão, a imagem da chegada da maturidade avançada junto ao mesmo amor da juventude, pode parecer impossível. São muitos, no entanto, os casais que chegar a essa etapa de mãos dadas e não é por costume nem obrigação. Seus corações seguem vivos, apesar das rugas, das dificuldades e da rotina.

Um aspecto que nos parece interessante e que diferentes estudos abordam, como o publicado pela Escola Médica de Harvard, é que o amor romântico costuma ser essencial para que um casal mantenha uma relação duradoura. Agora, esse tipo de amor tem algumas características muito particulares e até mesmo bem afastadas da concepção clássica do amor mais puro.

  • Em uma relação duradoura existe uma necessidade emocional de estar junto e ser amado. Através de ressonâncias magnéticas já se pode comprovar que os casais mais estáveis e apaixonados apresentam uma ativação maior de certas estruturas pertencentes ao cérebro mais primitivo.
  • O amor apaixonado pode passar para uma fase mais relaxada na qual se reforça a cumplicidade. Uma etapa em que sempre existe o prazer da intimidade e desse apego de um pelo outro baseado no respeito e na reciprocidade.
  • Os casais que chegam à velhice e às rugas com o mesmo carinho acreditam no seu amor. E mas, acreditam no amor romântico e o praticam através dos pequenos detalhes, da atenção e do cuidado mútuo.

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A psicologia dos amores que duram ao longo do tempo

Todos nós conhecemos algum casal de idosos que nos enche de admiração e que, de algum modo, nos permite confiar que existem mesmo esses amores que perduram no tempo. Que são eternos, que são autênticos…

A beleza sempre se vai, mas o amor, como os bons perfumes, fica contido no coração de quem segue se olhando com a juventude e o carinho de antes…

A psicologia, a antropologia e a ciência em geral sempre se interessaram em saber quais componentes edificam esses tipos de relacionamentos que não são só duradouros, mas também felizes. Em 2012 a Universidade Stony Brook de Nova York realizou uma interessante pesquisa em que foi definida uma série de aspectos chave que revelamos para você a seguir.

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O segredo dos casais que conseguem manter vivo o amor todos os dias

Já sabemos que os três ingredientes que alimentam as relações mais satisfatórios são o compromisso, o desejo sexual e o apego saudável ou enriquecedor. Agora, esses três pilares se somam a uma série de dinâmicas imprescindíveis que propiciam ainda mais as ditas dimensões.

  • Os casais mais felizes sempre tentam fazer novas coisas juntos. Uma forma de evitar cair na rotina é permitir-se experimentar, aprender um com o outro, propiciar novas situações para assim alimentar ainda mais o fogo da paixão.
  • Respeitam a independência e o crescimento pessoal do seu par. Ou seja, as relações mais estáveis e felizes são aquelas em que há respeito do espaço pessoal e, por sua vez, propicia-se e respeita-se que cada um tenha também seus hobbies, interesses e amizades.
  • A paixão pela vida se transmite para a própria relação. Essa ideia não seria mais que a eterna e saudável concepção de que um precisar ser feliz consigo mesmo e apaixonado pela própria vida para que esse bem-estar próprio beneficie também o seu par.
  • A relação amorosa é uma viagem de descobrimento contínuo, nunca uma carga nem uma obrigação. Essa é sem dúvida a pedra filosofal de toda relação. Compreender que vamos passar por momentos felizes mas também por dificuldades, e que tudo vai valer a pena.

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Ser um casal é saber ser uma equipe disposta a empreender desafios, para ir sempre de mãos dadas em todos os amanhaceres que temos até o fim. Porque, no fim, a covardia nos envelhece mais que o tempo, e a alma só precisa de coragem e de um bom companheiro de viagem que nos acompanhe hoje e sempre…