Aprenda a cultivar a ilusão

· maio 25, 2015

Juan Rulfo se perguntava “A ilusão? Isso custa caro. Para mim custou mais do que eu podia pagar”. A ilusão está vinculada aos sentidos e é essa capacidade que temos para juntar todas as nossas forças e concentrá-las a favor da conquista de um objetivo. Ilusão é uma palavra que vem do latim ilusionis e significa engano; assim é a ilusão, é esse dom que temos para crer naquelas coisas que não vemos, mas que nos ajudam a viver.

A ilusão está ligada a emoções positivas. Quando nos iludimos nos sentimos bem, nos sentimos plenos e motivados. Nosso olhar muda. Nosso estado emocional também. Nos sentimos entusiasmados e carregados de energia. É um sentimento que nos enche de poder.

Desde pequenos recorremos às ilusões para construir nosso projeto de vida, para definir nossos sonhos e determinar nossas metas. Vivemos com ela porque é a força que nos impulsiona a alcançar nossos objetivos. A ilusão é nossa companheira de viagem. Com ela pensamos onde gostaríamos de ir, o que gostaríamos de ser ou a quem gostaríamos de ter ao nosso lado. A ilusão nos ajuda a tornar realidade os nossos sonhos.

Renovando a ilusão

A ilusão serve para não nos rendermos, para nos encher de ânimo e nos impulsionar a atingir nossos objetivos a longo prazo. Com o passar dos anos, parece que o depósito das nossas ilusões vai se esgotando. Esta sensação está associada à experiência; não sentimos a mesma ilusão quando repetimos as coisas muitas vezes, em comparação com quando as fazemos pela primeira vez. Por isso é preciso renovar as ilusões.

O problema das ilusões chega quando não sabemos nos conformar, isto é, quando construímos nosso objetivo sobre expectativas das quais depende diretamente a nossa felicidade ou a nossa autoestima. Nesse caso, se não as alcançarmos, nos sentiremos mal. Por isso, devemos nos motivar, criar ilusões sem tirar muito os pés do chão.

A ilusão se conecta com os sentimentos mais positivos do ser humano, e é contagiante. Procuramos a ilusão para nos sentir melhor, para alcançar algo que nos faz feliz. Eduardo Punset argumenta que “no hipotálamo do cérebro está o que os cientistas chamam de circuito da procura.” Este circuito, que alerta as molas do prazer e da felicidade, somente se liga durante a procura, e não durante o próprio ato.

“Nessa procura, na expectativa, está a maior parte da felicidade”. Gilbert Keith Chesterton disse que “há algo que dá esplendor a tudo que existe, e é a ilusão de encontrar algo virando a esquina”. A ilusão alimenta o nosso sentimento de felicidade, por isso ela é algo que devemos cultivar.