As decisões são subjetivas, não perfeitas

· abril 12, 2019
Como é difícil tomar decisões quando procuramos o resultado perfeito e o destino esperado. A questão é: as decisões são nossas ou das outras pessoas?

As decisões são subjetivas, não perfeitas. Essa afirmação parece óbvia, mas dificilmente aceitável quando o perfeccionismo corre em nossas veias.

Estamos todos conscientes da importância de tomar decisões sobre as nossas vidas, seja a nível familiar, profissional, de saúde ou financeiro. As decisões que tomamos mudarão tanto a situação em que vivemos quanto a que viveremos.

A capacidade de tomar decisões é valorizada em muitos processos de seleção de pessoal. E não é para menos, já que essa habilidade é necessária para muitos cargos de responsabilidade.

Por outro lado, uma das pedras que encontramos no caminho e que favorece a dificuldade de tomar decisões é a tendência de classificar fenômenos diferentes dentro da dicotomia “bom e mau”, implicando um julgamento que nem sempre é necessário.

A tomada de decisões

As decisões podem variar desde as mais simples, como escolher o que comer, até as mais complexas, como decidir doar um rim. Mesmo assim, persiste uma classificação dicotômica que polariza ambas as decisões, implicando um julgamento que nem sempre é correto. Em muitos casos, não são as decisões, mas o contexto que as coloca em uma escala de dificuldade.

Para um pai a decisão de doar ou não um rim ao seu filho pode ser muito simples e, no entanto, é complicado escolher que mobília comprar para a sala de estar. Nesse sentido, vamos distinguir a dificuldade de decidir da dificuldade de executar aquilo pelo qual optamos.

Nós não sabemos o que é o bom ou mau, mas tomamos decisões baseados nisso.

Dessa forma, se as decisões não são boas e/ou ruins, então o que são elas? As decisões são subjetivas, próprias, pessoais, individuais, comuns e livres.

As decisões nos fazem viver a vida que queremos viver, fazendo com que gastemos as cartas do nosso único e próprio baralho. Mas apesar de conhecermos a teoria, sempre aparece o medo de decidirmos pela opção que não é a melhor.

Mulher indecisa

O perfeccionismo não me deixa tomar decisões

O paradoxo do perfeccionismo é que o ‘perfeccionismo não é perfeito’. O perfeccionismo implica nunca ficar satisfeito com a nossa execução ou nosso desempenho. O perfeccionista enfrentará uma dificuldade extra para terminar um projeto: ele o fará somente porque existe algum fator da realidade associado a esse projeto, como uma data de entrega. Mas, e quando esse fator não existe?

As decisões podem ser correntes infinitas de resultados que não têm um final. Cada decisão pode dar lugar a outra decisão. Vamos comprar um carro, escolhemos marca, modelo, cor, forma de pagamento… Dessa forma, as decisões ligadas a um objetivo podem ser muitas, dando lugar a processos muito longos.

As pessoas perfeccionistas desejam que toda decisão tomada seja perfeita, querendo garantir um resultado que não possa ser melhorado. Mas infelizmente, toda decisão tem uma dupla face. Ela sempre apresenta uma parte positiva e uma negativa, implicando “ganhar” e “deixar ir”.

Assim, a persistência no debate interno sobre qual decisão é melhor que outra, buscando o bom, o ruim e o resultado esperado, produz altos níveis de sofrimento e muita dificuldade para seguir em frente sem ansiedade.

“É preferível o risco de uma decisão errada ao terror da indecisão”.
– Maimonides –

Como evitar o perfeccionismo na tomada de decisões

Como já dissemos, a tomada de decisão é valorizada como uma habilidade. Para evitar que o perfeccionismo bloqueie essa capacidade e seja um precursor de altos níveis de ansiedade, devemos colocar o foco na educação, um caminho necessário para um desenvolvimento saudável e funcional.

Dessa forma, o que os pais podem fazer para favorecer a tomada de decisões das crianças é:

  • Dê responsabilidade aos filhos. À medida que se desenvolvem, as crianças estão dispostas a assumir novas responsabilidades. Atribuir-lhes responsabilidades gradualmente também fará com que o seu crescimento em muitas áreas seja estimulado.
  • Evite a superproteção. Superproteger as crianças para evitar o sofrimento faz pouco sentido quando as separamos da convivência com o erro.
  • Acompanhamento no erro. O erro é uma maneira de aprender. Embora muitos pais sintam medo e façam projeções constantes para os seus filhos, os erros são tão necessários quanto os acertos. O acompanhamento como substituto da punição durante um episódio errático ajudará a criança a finalmente se mover na direção certa.
  • Favorecer a reflexão, a paciência e a avaliação de opções. Ajudar a reduzir a impulsividade e aumentar a paciência, não apenas de maneira teórica, mas refletindo uma atitude paciente em relação à criança, permitirá um período de reflexão que resultará em uma tomada de decisão mais sensata.

“O homem que quer ver tudo claramente antes de decidir nunca decide”.
– Henry F. Amiel –

Menina pensando em suas escolhas

Conclusão

Todas essas indicações ajudam as crianças a crescerem com um grau elevado de autoestima e autoconfiança. Dessa forma, não recebem nenhum reforço negativo quando elas próprias procuram tomar conta de suas vidas. Assim, a sua autonomia e autoconfiança aumentam.

Pelo contrário, a irritação em relação a decisões com as quais, como pais, não concordamos, a punição para a tentativa-erro ou a invalidação de decisões causará na criança uma desconexão entre a vontade e o dever. Dessa forma, ela se sentirá insegura, sempre se perguntando o que quer, do que precisa e o que deseja.

O apoio às decisões dos demais e o apoio nas consequências dessas decisões, sem dúvida, é muito mais saudável do que o medo de errar sem saber o que é errado para o outro.

“Deixe as suas decisões refletirem as suas esperanças, não os seus medos”.
– Nelson Mandela –