Biografia de Édouard Manet, o primeiro impressionista

novembro 21, 2019
A obra de Édouard Manet foi um marco na escolha de temas representados na pintura europeia. Antes dele, a pintura geralmente se voltava mais para a narrativa e evitava a dura realidade da vida cotidiana.

Conheça a biografia de Édouard Manet, um pintor francês do século  XIX que serviu de inspiração para muitos outros pintores que vieram depois dele, tanto pelo seu estilo quanto pela sua maneira de representar a realidade.

Manet abriu novos caminhos ao desafiar as técnicas tradicionais de representação e escolher pintar os eventos e circunstâncias da sua época.

Seu pintura Déjeuner sur l’herbe  – almoço sobre a relva -, exposta em 1863 no Salon des Refusés em Paris, despertou a hostilidade dos críticos. De maneira simultânea, no entanto, recebeu aplausos e o entusiasmo de uma nova geração de pintores que, mais tarde, formariam o núcleo do movimento impressionista.

Primeiros anos da biografia de Édouard Manet

A biografia de Édouard Manet tem início no dia 23 de janeiro de 1832, quando ele nasceu em Paris, na França. Foi filho de Auguste Manet, um alto funcionário do Ministério da Justiça. Sua mãe, Eugénie-Désirée Fournier, era filha de um diplomata e afilhada do príncipe herdeiro do trono da Suécia.

O casal possuía muitas riquezas e um bom número de contatos influentes, e por isso esperava que seu filho escolhesse uma carreira respeitável, preferencialmente a advocacia. O futuro, no entanto, reservava uma carreira para Manet na área de Humanas.

Desde 1839 ele foi aluno da Escola de Canon Poiloup em Vaugirard. Desde 1844 até 1848, ele permaneceu como interno no Collège Rollin. Foi um estudante de pouco destaque, principalmente porque ele se interessou apenas pelo curso de desenho especial que a escola oferecia.

Ainda que seu pai quisesse que ele se matriculasse na escola de Direito, Édouard não escolheu esse destino. Quando seu pai se negou a permitir que ele se tornasse pintor, ele se aplicou para o colégio naval, mas não passou no exame de ingresso.

Aos 16 anos embarcou como aprendiz de piloto em um barco de transporte. Após seu regresso para a França em junho de 1849, ele tentou novamente entrar para a escola militar. Seus pais, no entanto, finalmente cederam à obstinada determinação do filho em se tornar pintor.

Foto de Édouard Manet

Os primeiros estudos formais de Édouard Manet

Em 1850, Manet entrou para o estúdio do pinto clássico Thomas Couture. Lá, desenvolveu uma boa compreensão do desenho e da técnica de pintura.

Em 1856, depois de seis anos com Couture, Manet formou um estúdio que compartilhou com Albert de Balleroy, um pintor de temas militares. Lá, ele pintou The Boy with Cherries (1858), antes de se mudar para outro estúdio onde pintaria The Absinthe Drinker (1859).

No mesmo ano, fez algumas viagens rápidas aos Países Baixos, para a Alemanha e para a Itália. Enquanto isso, copiou pinturas de Tiziano e Diego Velázquez no Louvre.

Apesar de seu sucesso com o realismo, Manet começou a adotar um estilo mais relaxado e impressionista, caracterizado pelo uso de pinceladas amplas e pela incorporação de pessoas comuns que se dedicavam a tarefas cotidianas em suas pinturas.

Suas telas foram povoadas por cantores, pessoas da rua, ciganos e mendigos. Esse foco pouco convencional, combinado com todo o conhecimento dos antigos mestres de pintura, surpreendeu alguns e impressionou outros.

A vida adulta e a obra Déjeuner sur l’herbe

Entre 1862 e 1865, Manet participou de exposições organizadas pela Galeria Martinet. Em 1863 Manet se casou com Suzanne Lennhoff, uma mulher holandesa que havia sido sua professora de piano. O casal já se relacionava havia 10 anos e tinha um filho antes do casamento.

Nesse mesmo ano, o juiz do salão oficial onde as obras eram expostas rejeitou Déjeuner sur l’herbe, uma obra cuja técnica foi completamente revolucionária. Por esse motivo, Manet a exibiu no Salon des Refusés, fundado para exibir as muitas obras rejeitadas pelo Salão Oficial de Belas Artes.

“Uma boa pintura é fiel a si mesma”.
-Manet-

O Déjeuner sur l’herbe foi inspirado em obras de antigos mestres como O concerto pastoral, de Giorgione, de 1510, e O juiz de Paris, de Rafael, 1517-1520. Essa tela causou uma grande rejeição e deu início à “notoriedade do carnaval” que Manet sofreu durante a maior parte da sua carreira.

Seus críticos se sentiram ofendidos pela presença de uma mulher nua na companhia de dois jovens vestidos com roupas contemporâneas. Desse modo, no lugar de parecer uma figura alegórica remota, a modernidade da mulher fazia com que sua nudez parecesse vulgar e até mesmo ameaçadora.

Os críticos também se sentiram incomodados pela forma como essas figuras foram representadas, com uma luz dura e impessoal. Além disso, não compreenderam por que as figuras estavam localizadas em um bosque cuja perspectiva era claramente pouco realista.

Principais obras da biografia de Édouard Manet

No salão de 1865, sua pintura Olympia, criada dois anos depois, foi motivo de outro escândalo. A representação de uma mulher nua inclinada olha descaradamente para o espectador, e o quadro possui uma luz dura e brilhante que borra a modelo e a torna quase uma figura bidimensional.

Essa odalisca contemporânea, que o estadista francês Georges Clemenceau ia expor no Louvre em 1907, foi qualificada como indecente pela crítica e pelo público.

Diante de tantas situações aflitivas, Manet foi para a Espanha em agosto de 1865. Mas sua estadia no país foi curta, pois ele não gostou da comida e se sentiu frustrado diante de um completo desconhecimento do idioma.

Em Madrid, no entanto, ele conheceu Théodore Duret, que posteriormente se tornou um dos primeiros conhecedores e defensores do seu trabalho. Em 1866, entrou em contato e fez amizade com o novelista Emile Zola que, em 1867, escreveu um artigo brilhante sobre Manet no jornal francês Fígaro.

Zola destacou como quase todos os artistas importantes inicialmente ofendem a sensibilidade do público. Essa revisão impressionou o crítico de arte Louis-Edmond Duranty, que também começou a apoiá-lo. Pintores como Cézanne, Gauguin, Degas e Monet se tornaram seus aliados.

Obra de Édouard Manet

Anos posteriores

Em 1874, Manet foi convidado a expor seu trabalho na primeira exposição realizada por artistas impressionistas. Apesar do seu apoio ao movimento, ele rejeitou o convite e também os posteriores que chegariam por parte dos impressionistas.

Manet sentiu que era necessário seguir se dedicando ao Salão Oficial e em conquistar seu lugar no mundo da arte. Como muitas de suas pinturas, Édouard Manet era uma contradição, sendo ao mesmo tempo burguês e comum, convencional e radical.

“É preciso ser contemporâneo ao tempo da representação e pintar o que se vê”.
-Manet-

Um ano depois da primeira exposição impressionista, foi oferecida a ele a oportunidade de desenhar ilustrações para a edição francesa de O Corvo, de Edgar Allan Poe. Em 1881, o governo francês o outorgou a Légion d’honneur – a legião de honra.

Ele morreu dois anos mais tarde em Paris, no dia 30 de abril de 1883. Além de 420 pinturas, ele deixou uma reputação que o definiria para sempre como um artista audaz e influente.

O legado de Édouard Manet

A estreia de Manet como pintor foi marcada por uma resistência crítica que não diminuiu até quase o final da sua carreira.

Sua reputação só melhorou no final do século XIX, graças ao sucesso de sua exposição comemorativa e a eventual aceitação dos impressionistas. Mas não foi até o século XX que os historiadores da arte reconheceram seus méritos.

O desprezo de Manet pela técnica e pela perspectiva tradicionais marcaram a ruptura do século XIX com a pintura acadêmica. Sua obra, sem dúvidas, abriu caminho para o trabalho revolucionário dos impressionistas e pós-impressionistas.

Manet, por sua vez, influenciou o caminho de grande parte da arte dos séculos XIX e XX através da escolha dos seus temas. Seu foco em temas urbanos e modernos, que ele representou de maneira direta, quase distante, o diferenciou ainda mais do padrão que era visto no Salão Oficial de Belas Artes.

  • Venturi, L., & Fabricant, L. (1960). Cuatro pasos hacia el arte moderno: Giorgione, Caravaggio, Manet, Cézanne. Nueva Visión.
  • Álvarez Lopera, J. (1996). Revisión de un lugar común: Goya y Manet. Reales sitios, 33, (128). Patrimonio Nacional, Madrid.