Cansei de esperar trens: agora eu sou o movimento

Cansei de esperar trens: agora eu sou o movimento

julho 25, 2017 em Psicologia 736 Compartilhados
Cansei de esperar trens: agora eu sou o movimento

Cansei de esperar trens que tragam meu nome, deixei para trás a plataforma de ilusões perdidas e de sonhos que nunca chegam, porque agora sou eu que faço o movimento, eu que crio o caminho. Assim, quem quiser pode fazer esta viagem de descobertas comigo, mas quem não quiser, pode também descer na próxima estação.

Assumir esta simples mas corajosa atitude seria, sem dúvida, um grande passo para o próprio crescimento pessoal e o bem-estar emocional. Contudo, é preciso reconhecer: se existe alguma coisa à qual estamos acostumados é a esperar, e ainda mais, a alimentar essa espera com a filigrana de sonhos almejados com uma perfeição às vezes inatingível.

“É preciso criar a ocasião, e não esperar que ela chegue.”
-Francis Bacon-

Às vezes, e isso é importante compreender, é a própria sociedade que com seus tentáculos, seus filtros e seus funis, nos conduz a essa antessala onde só se espera. O complexo mundo profissional e seus sofisticados segredos faz com que tenhamos que postergar muitas coisas, que nos sintamos obrigados a ter um novo diploma, uma nova competência, um contrato ou um “contrato mais digno”, para permitir que cheguem as mudanças e o desejado movimento no qual a vida está envolvida.

Contudo, apesar do atual contexto socioeconômico nos tornar cativos dessas salas de espera intermináveis, o que nada nem ninguém pode nos tirar é nossa própria atitude. O movimento está no nosso interior. Portanto, não importa que à primeira vista todos os trens estejam indo contrariamente, porque quem precisa saber o seu caminho, seus sonhos e ideias está obrigado a não esperar, a não se deter jamais.

Trem passando por ponte

Quando “esperar” nos faz crer que nossa vida está pausada

Existem muitas realidades pelas quais uma pessoa pode ter a clara sensação de que alguém a colocou em “pause”. Ficar sem um relacionamento amoroso, estar sem trabalho, ter fracassado em um projeto pessoal ou ser rejeitado a nível profissional ou emocional são sem dúvida exemplos que furam nossos cantos mais internos, os mais profundos do nosso ser, até ficarmos imobilizados.

No entanto, é preciso entender que a vida nunca está pausada; ela sempre se desenvolve, brota, acontece e vibra. Contudo, quem de fato se deteve fomos nós mesmos, nosso ânimo, nossa vontade e nossa própria motivação. Bernice Neugarten foi uma das primeiras psicólogas a estudar o desenvolvimento adulto e os tempos tão complexos do nosso ciclo vital onde as pessoas têm a clara percepção de que sua realidade se deteve, ficou congelada em um fotograma de olhar triste, apático e sem brilho.

Neurgarten estabeleceu a teoria de “Life on Hold” (vida em espera) como uma transição que precisamos saber encarar. O maior problema está no fato de que com frequência temos uma visão de futuro muito ambígua, incerta ou até pessimista. Pensamentos como “o meu trem já passou, não vou encontrar o companheiro ideal” ou “é evidente que não vou conseguir um bom trabalho”, definem um estilo de pensamento que irá estancar ainda mais essa etapa de espera, dificultando a transição para algo melhor.

Mulher em movimento

Como sair da plataforma dos sonhos que nunca chegam

Vivemos no mundo do “retorne amanhã”, do “retorno pra você depois” e do “quando você conseguir isso, terá tal coisa”. Habitamos as estações das esperas eternas nos perguntando se esse assunto da felicidade é uma fraude ou um prêmio que a gente ganha quando consegue os pontos necessários. Os trens passam, as oportunidades vêm e vão, mas nenhuma parece ter nosso nome. Como podemos sobreviver em meio a esse cenário de “incertezas” onde as crises, às vezes, não parecem ter data de vencimento?

“Aprender com o ontem, viver para hoje, ter esperança para o amanhã. O importante é não parar de questionar as coisas.”
-Albert Einstein-

A seguir, apresentamos algumas dicas simples sobre as quais refletir.

Cansei de esperar trens

3 dicas para ser o movimento de nossas próprias vidas

A primeira dica é simples: é preciso saber qual é nosso próprio objetivo, nosso ponto no horizonte. Contudo, é melhor que seja uma meta clara e realista, de acordo a nossas possibilidades, mas sem subestimar nunca o nosso potencial.

  • O segundo aspecto que Bernice Neugarten nos deixou de suas teorias sobre as transições existenciais é a necessidade de ensaiar dia a dia o nosso futuro. Não basta sonhá-lo. Se eu desejo ter um bom companheiro, me preocuparei primeiro em cuidar de mim como pessoa, em crescer, em ser o que anseio encontrar nos outros. Se desejo aspirar ter um bom trabalho, investirei dia a dia nesse propósito me formando profissional e mentalmente.
  • A terceira parte neste plano é igualmente interessante. Precisamos nos sentir protagonistas ativos, proativos e criativos. É necessário parar de nos sentirmos subordinados a alguma coisa ou a alguém. Se a sociedade não me der espaço, talvez seja eu que deva criar “esse espaço” para mim. Talvez precise inovar, oferecer alguma coisa nova para o mercado profissional que gere interesse, ser eu mesmo o trem em movimento em um entorno de quietude…

Para concluir, alguém disse certa vez que a vida não se trata somente de enganar a morte, mas sim de aproveitar nossa existência a cada dia, sem nos limitarmos somente a respirar e deixar que as coisas aconteçam sozinhas. Sejamos a locomotiva do nosso próprio crescimento, sejamos seres ativos, esperançosos, realistas mas otimistas, possuidores dessa força incrível capaz de dar ao mundo coisas maravilhosas e, por sua vez, de gerarmos a felicidade que verdadeiramente merecemos.

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