Características das pessoas autodestrutivas - A Mente é Maravilhosa

10 características das pessoas autodestrutivas

novembro 16, 2017 em Psicologia 0 Compartilhados
Características das pessoas autodestrutivas

O fato de que alguém possa machucar a si mesmo parece um comportamento sem lógica, típico da loucura. No entanto, é um impulso negativo que todos nós temos em maior ou menor grau, e que vem à tona nas características das pessoas autodestrutivas.

Sigmund Freud descobriu que todos nós temos um impulso para a vida e tudo o que é construtivo, que denominou de “pulsão de vida”. No entanto, também temos o impulso oposto que se inclina para a morte e a destruição, que ele chamou de “pulsão de morte”.

“Quando você fica preso na destruição, deve abrir uma porta para a criação”.
– Anais Nin –

Essa seria uma das razões pelas quais as guerras ocorreram em todos os tempos e em todas as culturas. É também a razão pela qual muitas pessoas desenvolvem sintomas e comportamentos autodestrutivos. No entanto, apenas em alguns casos esses comportamentos se enraízam e se tornam traços de personalidade permanentes.

Geralmente, isso ocorre quando há um grande componente de raiva reprimida. Na realidade, esses impulsos agressivos são direcionados para o outro, mas por algum motivo é impossível expressá-los. Muitas vezes, porque eles são direcionados para um ente querido ou porque temem as consequências de lhes dar uma voz.

Nesses casos, a agressão acaba se voltando contra si mesmo. Dessa forma, a pessoa aprende a se comportar como o seu pior inimigo e se configuram as personalidades autodestrutivas.

Esta lista com dez características das pessoas autodestrutivas é uma tentativa de lançar alguma luz sobre este assunto.

Características das pessoas autodestrutivas

1. Crenças negativas

As crenças autodestrutivas incluem todos os pensamentos destinados a subestimar uma pessoa, impedir o seu avanço ou desvalorizar as suas conquistas. Na mente de alguém autodestrutivo, esses pensamentos surgem quase que automaticamente.

A sua mente é o contexto propício para as “profecias autocumpridas”: você não poderá, você não será capaz, você não conseguirá. A sua crença é tão grande que, de fato, acaba sendo assim. Aparece também uma abordagem em que o indivíduo enfatiza sempre o que faltou, o que não ficou perfeito, o que não é ou não tem. Tudo isso é um poderoso nutriente da autodestruição.

Mulher com comportamento autodestrutivo

2. Passividade e incompetência forçada

Neste caso, a passividade tem a ver com a incapacidade de reagir diante de uma situação ou circunstância que lhe causa danos. A pessoa percebe que é algo negativo, mas não toma medidas para deter ou controlar o seu efeito. Por exemplo, isto ocorre quando não nos defendemos contra abusos ou agressões.

A incompetência forçada é a inclinação para destacar as lacunas ou a falta de habilidades. Antes de tentar, listam todas as limitações pessoais que dificultam a realização de algo. Não fazem nenhum esforço para superá-las e elas se tornam uma justificativa para não agir.

3. Distúrbios alimentares

A maneira como nos alimentamos diz muito sobre o que pensamos e sentimos sobre nós mesmos. Não comer é uma maneira por meio da qual muitas pessoas se machucam. Não alimentam o seu corpo com os nutrientes de que ele precisa para se manter saudável.

O mesmo acontece no extremo oposto. Comer demais acarreta diferentes problemas de saúde, tanto a curto quanto a longo prazo. Às vezes, aparece um apetite insaciável. Mesmo comendo muito, não há satisfação, mas tristeza, sentimento de culpa e… desejo de comer mais.

Adolescente com distúrbio alimentar

4. Agressividade com o outro e pena de si mesmo

As pessoas autodestrutivas geralmente desenvolvem atitudes hostis ou nocivas em relação aos outros. Elas criam conflitos desnecessários ou são grosseiras, rudes, invejosas, fofoqueiras, etc. Elas veem o outro, fundamentalmente, como uma fonte de confronto. Os outros são a causa da sua frustração, porque os seus vínculos são baseados em comparações em que, por algum motivo, sempre acabam perdendo.

Normalmente, depois desses conflitos, caem em episódios profundos de autocompaixão. Elas agridem, mas quando o outro revida, se comportam como vítimas de um ato injusto. Elas insultam, mas quando são insultadas, sentem pena de si mesmas. Não admitem que estão colhendo o que plantaram.

5. Autolesão e o abuso de substâncias

Algumas autolesões são evidentes e outras nem tanto. Algumas pessoas se machucam deliberadamente: se cortam ou arrancam os cabelos. Elas também se expõem a situações de risco, o que provoca acidentes frequentes. Outras vezes, isso é feito de forma menos óbvia: como uma tatuagem dolorosa ou um piercing em uma parte muito sensível do corpo.

Há também autolesão quando abusam de substâncias que danificam o corpo. O caso mais óbvio é o uso excessivo de drogas, como o álcool. As dependências são altamente autodestrutivas e, em seu grau extremo, sempre levam à morte.

Mãos segurando flor

6. Suicídio social

O suicídio social ocorre quando os laços afetivos são cortados. Geralmente é um processo gradual: primeiro há uma relutância em estar com os outros e, pouco a pouco, isso se traduz em um isolamento progressivo.

As pessoas autodestrutivas não se isolam somente, mas também desenvolvem uma série de comportamentos que irritam os outros. Às vezes, elas são excessivamente exigentes ou mostram desprezo pelos outros. Veem apenas o lado negativo das pessoas. Elas acreditam que o seu comportamento de rejeição pelos outros é justificado.

7. Emoções reprimidas e ajuda negada

Para a pessoa autodestrutiva, é muito difícil ser honesta consigo mesma. Ela não consegue reconhecer os seus sentimentos e emoções, mas tenta inconscientemente mantê-los escondidos. Faz todo tipo de racionalizações para justificar o seu comportamento e se recusa a admitir que tem um problema.

Por isso, é muito difícil ajudá-la. Se alguém sugere que visite um psicólogo, acredita que é um sinal de agressão e desprezo. Pode reagir agressivamente se receber conselhos ou alguém insinuar que a mudança de certos comportamentos pode melhorar a sua vida. O que essas pessoas querem é ‘não estar bem’ e, se possível, que os culpados sejam as circunstâncias ou as outras pessoas.

Perfil feminino parcialmente submerso na água

8. Negligência física e mental

As pessoas autodestrutivas muitas vezes se esquecem do seu próprio corpo. Elas não realizam nenhuma atividade física e têm uma opinião muito negativa sobre o próprio corpo e, é claro, sobre o prazer físico envolvido, como por exemplo, na sexualidade. A falta de cuidados com o corpo é uma manifestação da pouca apreciação que elas sentem por si mesmas.

Não se esforçam para resolver os problemas que estão na sua mente. Se têm insônia, aceitam passivamente; se experimentam desconforto emocional, optam por se vitimizar em vez de procurar um caminho que lhes permita resolvê-lo.

9. Autossacrifício desnecessário

A vida exige sacrifícios em muitas circunstâncias. No entanto, eles valem a pena quando estão orientados para uma conquista maior, quando são um passo necessário para alcançar um bem-estar. Se eles simplesmente se transformam em um sofrimento constante que gera uma situação que não progride, correspondem a um comportamento autodestrutivo.

Algumas pessoas acreditam que esses sacrifícios contínuos são uma prova de nobreza, bom caráter ou altruísmo. Mas o que está por trás disso é um ato de autossabotagem. Este tipo de comportamento esconde a renúncia aos desejos, aos sonhos e realizações. Uma situação dolorosa ou frustrante é mantida apenas para reduzir as chances de estar bem.

Homem de costas tampando os ouvidos

10. Sabotagem dos relacionamentos

No fundo, as pessoas autodestrutivas não se sentem dignas de amor. De fato, a sua autoestima é muito baixa. É por isso que, de alguma forma, não toleram um relacionamento onde tudo corre bem. Curiosamente, se elas se sentem amadas ou apreciadas, farão tudo o que estiver ao seu alcance para acabar com isso. Elas se sentem melhor no papel de vítimas do que no papel de afortunadas; preferem ter um motivo para se queixar.

Além disso, é provável que se tornem caprichosas ou exigentes. Elas tentam por todos os meios que a outra pessoa se convença de que não vale a pena manter um vínculo com elas, ou de que o carinho que recebem não tem fundamento. Sabotar os relacionamentos positivos é uma maneira de permanecer em uma posição autodestrutiva.

Esse tipo de comportamento demonstra experiências mal resolvidas e dificuldades na estruturação da autoimagem. As pessoas autodestrutivas são, sobretudo, vítimas de si mesmas. Elas estão presas no domínio imposto por uma pessoa ou circunstância contra a qual não puderam se defender. É como se uma pessoa estivesse presa dentro de um espelho que a refletisse de forma distorcida.

Mulher com véu transparente preso em árvore

Na verdade, as características das pessoas autodestrutivas indicam dificuldades com a sua autoestima. Mas além disso, há uma dificuldade na autopercepção: se ver de uma maneira mais construtiva envolve desafiar uma figura de autoridade ou um mandato determinado. Por exemplo, por trás dessa posição está o medo inconsciente de ser mais feliz do que o pai ou a mãe; ou de provar que uma “verdade” religiosa não é tão verdadeira. Seja qual for o caso, exige tratamento profissional.

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