Cardiofobia ou medo de infartos

O medo de infartos é conhecido como cardiofobia. Esse medo pode interferir na vida diária normal de uma pessoa e, portanto, justifica uma abordagem terapêutica.
Cardiofobia ou medo de infartos
Andrés Navarro Romance

Escrito e verificado por o psicólogo Andrés Navarro Romance.

Última atualização: 22 dezembro, 2022

O medo de infartos (ataques cardíacos) e da possível e presumida morte resultante deles é conhecido como cardiofobia. Como muitas pessoas chegam a comprovar em algum momento, assustar-se diante da percepção de um batimento cardíaco mais acelerado não é algo tão incomum. No entanto, este medo se transforma em um problema quando interfere no desenvolvimento normal da rotina diária da pessoa.

Por suas características distintivas, conforme consta do manual do DSM-V, trata-se de um transtorno de ansiedade que tende a apresentar, entre outras sensações associadas ao coração, queixas – que podem se tornar crônicas – de palpitações e dores no peito que podem não corresponder à realidade. Um ataque de ansiedade é muito desagradável para a pessoa que o apresenta.

Normalmente, uma pessoa que sofre de cardiofobia tende, em determinados momentos, a perceber como anormal um aumento fisiológico – e, portanto, natural – da frequência cardíaca devido a um estado de excitação, estresse ou ativação física.

Também costuma ser característico dessas pessoas apresentar pensamentos ruminantes a respeito de uma possível doença cardíaca e procurar, repetidamente, médicos especialistas com medo de um possível infarto e, portanto, de uma possível morte. Normalmente, eles solicitam uma infinidade de exames médicos que costumam obter resultados negativos.

“Quem tem medo tem desgraça”.
– Provérbio curdo –

Assim como acontece com outras fobias, o medo de ataques cardíacos tem uma base essencialmente ansiosa e pode apresentar características um tanto irracionais e desconectadas da realidade dos fatos. Além disso, produz um desconforto psicológico considerável que pode levar a uma incapacidade relativa da pessoa afetada.

No entatno, assim como outros medos e elementos de ansiedade, a cardiofobia pode ser tratada terapeuticamente com alta probabilidade de sucesso. A terapia cognitivo-comportamental, conforme nos mostra a literatura científica, costuma ser eficiente nessa abordagem, assim como para outros tipos de fobia, como agorafobia e fobia social.

Mulher sofrendo de ansiedade

Sintomas do medo de infartos

Uma pessoa que sofre de cardiofobia pode apresentar, no momento do aparecimento desse medo específico, alguns dos seguintes sintomas, que incluem variações físicas, cognitivas e psicológicas:

  • Altos níveis de ansiedade.
  • Evitação de atividades físicas.
  • Aparecimento de padrões respiratórios difíceis (dispneia) ou excessivamente rápidos (taquipneia).
  • Taquicardia ou palpitações.
  • Tonturas e/ou vômitos.
  • Suor excessivo.
  • Boca seca.
  • Problemas de concentração.
  • Incoerência discursiva.
  • Tremores.
  • Irritabilidade.
  • Sensação de perda de controle.
  • Dores de cabeça.
  • Comportamentos de evitação.

Possíveis causas da cardiofobia

Como a fobia específica ou “isolada” que é, o medo de infartos pode derivar de algum tipo de trauma anterior, especialmente traumas infantis e aqueles que envolvem danos físicos. Geralmente, os principais fatores da cardiofobia não são de natureza social.

No âmbito psicológico, existe uma tendência a acreditar que fobias específicas podem, pelo menos em alguns casos, envolver fatores hereditários. A resposta de luta ou fuga que caracteriza o surgimento de uma fobia poderia, por exemplo, ocorrer mais facilmente em pessoas que são geneticamente mais predispostas a ela.

Deve-se ressaltar que pessoas que sofreram algum evento cardíaco na vida têm uma maior tendência a desenvolver cardiofobia. Se for esse o caso, ocasionalmente pode haver uma correlação real entre o gatilho da fobia e uma verdadeira situação cardíaca anormal.

A educação dada pelos pais pode, em alguns casos, desempenhar um papel importante na geração da fobia. Os pais podem ter criado a criança acreditando que as irregularidades percebidas no ritmo cardíaco podem ser indicativas de uma anomalia fatal no funcionamento do coração.

Cardiofobia

Alguns tratamentos para o medo de infartos

Entre as abordagens terapêuticas mais eficazes voltadas para a extinção dessa fobia, destacam-se:

Por mais incômoda que seja a presença desse medo, qualquer pessoa que seja vítima dessa fobia – perfeitamente descrita clinicamente e com existência real comprovada – pode se sentir esperançosa com a ampla gama de opções terapêuticas existentes.

Todo tratamento de um medo irracional ou fobia costuma envolver um processo de trabalho relativamente difícil e intenso por parte da pessoa. Em geral, como tem sido repetidamente demonstrado na prática clínica, os resultados costumam ser positivos e permanentes.


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  • Eifert, GH. Cardiophobia: a paradigmatic behavioral model of heart-focused anxiety and non-anginal chest pain. Behav Res and Ther. 1992; 30 (4): 329-45.

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