Uma carícia sua e a minha alma revive

· setembro 1, 2016

Uma carícia da pessoa amada tem o poder de dar nova vida, de reiniciar as nossas próprias almas. É como o ruído morno de um oceano marejando em plácidas sensações pelo nossos próprios corpos, apagando medos, navegando os recôncavos das incertezas para mesclar fronteiras entre o meu e o seu. Porque existem carícias que curam e mãos sábias que acariciam a pele para chegar à alma.

A arte de acariciar requer, acima de tudo, que sejamos bons artesãos do mundo emocional. Porque, acredite se quiser, esta música dos sentidos e dos prazeres tem a sua batuta no cérebro. É ele quem aponta quais pessoas têm o direito de nos acariciar e ele quem processa que tipo de carícias são as que nos trazem bem-estar.

As carícias, os abraços e os olhares das pessoas que amamos são tão necessários nas nossas vidas quanto as raízes para uma árvore. Sem elas, vamos murchando pouco a pouco.

Uma coisa curiosa que deveríamos considerar é que em nosso DNA aparece já codificada esta necessidade do contato físico para sobreviver como espécie. Um recém-nascido, por exemplo, não pode amadurecer de forma saudável se não for acariciado, abraçado, embalado. Também nós, chegando na idade adulta, precisamos destes gestos cheios de afeto para fortalecer o laço com nossos seres amados.

Acariciar não é apenas uma arte destinada ao prazer físico. É um gesto de afirmação e pertencimento, um laço que se estabelece a partir dos sentidos para dar segurança ao nosso próprio cérebro.

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A carícia diária de que o seu cérebro precisa

Em um interessante e completo artigo publicado na revista “Psychology Today“, o amor era definido de uma forma muito certeira: é a procura por uma conexão segura e enriquecedora com outro ser. Através desse vínculo, as pessoas ficam unidas emocionalmente para se nutrirem, acalmarem medos e protegerem uma à outra.

Todos, desde que nascemos, temos essa necessidade de construir relacionamentos seguros, nos quais demonstrações de afeto sejam a expressão inconfundível de tais sentimentos. É aqui onde uma carícia emerge sempre como um tipo de linguagem com um alto poder capaz de transcender as palavras para ultrapassar a pele e os sentidos. Desta forma, o vínculo se fortalece e o cérebro nos gratifica com uma boa dose de endorfinas.

Agora… O que acontece neste contexto neurológico quando existe a carência de carícias ou a ausência de contato físico com a pessoa amada? Podemos resumir isto em duas ideias muito claras.

  • Quando não existe expressão emocional, quando um membro do casal não recebe demonstrações de afeto, carícias ou abraços, cria-se um “desligamento”, e o cérebro entra em pânico.
  • Esta falta de carinho presente no contato físico e nas palavras emocionais gera solidão e, por sua vez, uma complexa situação de estresse que a mente entende inicialmente como uma ameaça. A falta de carícias é a falta de confirmação do amor. É um vazio profundo na alma que o cérebro traduz em forma de estresse.

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A arte de saber acariciar

Agora já sabemos que a sentinela que guia e ilumina o prazer de uma carícia e quem as demanda como um alimento diário é o cérebro. Não basta apenas “tocar”, é preciso saber seduzir e confirmar o vínculo, porque o contato físico que produz bem-estar, prazer e segurança precisa ser oferecido por alguém significativo que, por sua vez, seja um bom artesão do mundo emocional.

Às vezes, quando acariciamos uma pele, também procuramos acariciar o desejo que o nosso próprio desejo desperta na outra pessoa.

A pele é um campo minado por cinco milhões de terminações nervosas, e isso é algo fascinante porque nos abre um mapa a ser descoberto, cuidado e ativado. Por isso, certamente você vai gostar de saber quais são os mecanismos capazes de gerar as carícias mais prazerosas, essas que dão vida e recarregam nossas almas.

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O fascinante mapa da pele se conecta com nossas emoções

O cérebro reage de uma forma surpreendente ao tato. É uma coisa tão pura, instintiva e quase mágica que nos permite compreender desde muito crianças que um rosto que chora pode se acalmar com abraços. Que as preocupações se aliviam com carícias e que um tapinha no ombro ou nas costas nos traz proximidade e ânimo.

Segundo um artigo publicado no “The Journal of Neuroscience uma carícia é como uma partitura para o cérebro, e dependendo de quem a oferecer e em qual contexto, desencadeará uma certa emoção ou outra.

  • As carícias mais prazerosas no casal são aquelas feitas a 1, 3 e 10cm por segundo. Uma cadência sutil e perfeita que ativa os chamados “mecanorreceptores” os quais enviam ao cérebro uma mensagem completa: a do prazer.
  • O cérebro permite nos “conectar” com as pessoas através do tato. Uma carícia também é um detector emocional do medo, do desejo ou da tristeza. A razão disto é a ínsula, uma região profunda do cérebro fundamental para o universo emocional.

É um tema, sem dúvidas, fascinante, que nos lembra da importância de praticar todo dia esta ciência para a qual não é necessário doutorado. A maestria das carícias é uma coisa que está sempre ao alcance das nossas mãos.